UOL Notícias Internacional
 

15/03/2005

Incidente com cocaína provoca crise na Argentina

The New York Times
Larry Rohter

Em Buenos Aires, Argentina
A forma suspeitamente negligente com que foi realizada a investigação de um grande incidente de tráfico de drogas provocou um expurgo parcial de militares e forças de segurança da Argentina, assim como o surgimento de preocupações de que este país se tornou um novo alvo para os narcotraficantes sul-americanos.

O episódio teve início em setembro, quando quatro malas contendo mais de 60 quilos de cocaína foram enviadas desacompanhadas a bordo de um vôo da companhia aérea Southern Winds, que partiu do principal aeroporto daqui para Madri, Espanha.

As autoridades espanholas apreenderam as drogas assim que chegaram e alertaram as autoridades argentinas e representantes da companhia aérea. Depois disto, entretanto, muito pouco parece ter sido feito por aqui.

Funcionários do governo disseram que o presidente Néstor Kirchner soube do caso no mês passado, assim que estava prestes a ser divulgado pela imprensa local, e ficou furioso com a falta de ação oficial.

Assim que os detalhes do incidente do tráfico se tornaram de conhecimento público, críticas ao juiz investigador encarregado do incidente e ao ministro dos Transportes de Kirchner tornaram o caso ainda mais politicamente explosivo.

O primeiro passo do presidente foi afastar o comandante da Força Aérea, o general Carlos Rohde, e cerca de uma dúzia de outros generais, alguns dos quais veteranos condecorados da Guerra das Malvinas, em 1982.

Em 9 de março, Rohde também foi colocado sob prisão domiciliar depois de ter fracassado em atender às convocações judiciais para testemunhar no caso de tráfico de drogas, disseram as autoridades.

Em vez de "acobertar as coisas por quatro meses", disse Kirchner aos repórteres em fevereiro, Rohde deveria ter demitido imediatamente o diretor do aeroporto, um oficial da Força Aérea cujo filho trabalhava na companhia aérea.

O filho do diretor se escondeu por dois meses e meio logo após a apreensão das drogas. Ele posteriormente se entregou, e, na última quinta-feira (10), foi oficialmente acusado de tráfico de drogas.

"Eu não estou comovido com algumas lágrimas que vi serem derramadas", disse Kirchner. "O comandante da Força Aérea, o cavalheiro que estava chorando enquanto estava de saída, deveria ter me dito para que eu pudesse proteger o povo argentino do tráfico de narcóticos."

Além disso, Kirchner reorganizou a Polícia Aeronáutica Nacional, supervisionada pelo Ministério da Defesa, que fracassou em detectar o envio de drogas. Em seu lugar, ele criou uma nova Polícia de Segurança de Aeroportos, que é supervisionada pelo Ministério do Interior, e colocou um civil no comando. Ele também cancelou um subsídio de US$ 2,4 milhões por mês à companhia aérea, levantando dúvidas sobre sua capacidade de sobreviver, e suspendeu seus vôos ao Peru.

Como a operação detectada em setembro era tão grande e descarada, as autoridades daqui suspeitam que outros envios foram realizados anteriormente. Eles notaram que o filho do diretor do aeroporto, Walter Beltrame, viajou cerca de 50 vezes para a Espanha ao longo de um período de 18 meses e de alguma forma conseguiu adquirir um luxuoso carro esporte com um salário de menos de US$ 2 mil por mês.

A Argentina se tornou um trajeto significativo e ponto de lavagem de dinheiro para grupos do narcotráfico nos anos 90, quando o dólar era usado de forma intercambiável com o peso. Mas após a saída do presidente Carlos Menem, acusado por seus críticos de ser brando com os cartéis de cocaína, e o colapso da economia em dezembro de 2001, parecia ter diminuído a atração do país para os traficantes.

Mas em seu mais recente relatório anual de drogas, divulgado em 4 de março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou preocupação com uma possível mudança na situação da Argentina, em parte devido às severas limitações orçamentárias enfrentadas pela agências argentinas de segurança e manutenção da lei.

"Há evidência de que os narcotraficantes colombianos aumentaram enormemente sua presença em todos os aspectos do tráfico de drogas argentino", disse o relatório. Autoridades são acusadas de conivência com o tráfico de drogas George El Khouri Andolfato

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