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16/03/2005

Kerry e Edwards poderão se enfrentar em 2008

The New York Times
Adam Nagourney

Em Washington
John Kerry e John Edwards, rivais que se transformaram em companheiros de chapa na última campanha presidencial, se tornaram rivais novamente, formando redes políticas concorrentes, disputando atenção e demarcando territórios ideológicos em preparação a uma possível disputa em 2008.

Essdras M. Suarez/The Boston Globe

Kerry e Edwards saúdam público durante a convenção democrata, em agosto de 2004
Kerry, o senador de Massachusetts e candidato presidencial democrata no ano passado, passou o último fim de semana no que seus assessores descreveram como uma turnê de agradecimento pela Flórida, visitando algumas das mesmas cidades que Edwards, o ex-senador da Carolina do Norte e candidato à vice-presidência, visitou em sua turnê de agradecimento pela Flórida, há duas semanas.

Kerry participou de um encontro em um colégio em Atlanta, nesta segunda-feira (14/03), destacando aquela que os assessores disseram que será a questão definidora para ele no Senado e por todo o país, o fornecimento de cobertura de saúde para todas as crianças.

Edwards está seguindo para Los Angeles, na quarta-feira (16), para se encontrar com trabalhadores de baixa renda e conversar sobre o combate à pobreza, a questão que ele abraçou mais ardorosamente desde que deixou o Senado.

Parte da visita de Edwards visa a arrecadação de fundos para seu comitê de ação política, que ele reativou no mês passado, assim como Kerry está criando seu próprio comitê de ação política.

Ao mesmo tempo, Edwards começou a criticar importantes decisões táticas da campanha Kerry-Edwards do ano passado, dizendo que discordou delas na época. Os conselheiros da campanha de Kerry contestaram as lembranças de Edwards, e descreveram Kerry como irritado com o que parece ser um esforço calculado de Edwards para se distanciar da campanha derrotada.

Alguns associados de Kerry disseram que Edwards garantiu privativamente para Kerry que não concorreria para presidente em 2008 se Kerry decidisse concorrer novamente, uma promessa semelhante a feita pelo senador Joseph I. Lieberman a Al Gore após a campanha presidencial de 2000. Os assessores de Edwards e Kerry se recusaram a discutir qualquer conversa entre os dois.

"John Edwards não comentará conversas confidenciais e privadas com John Kerry", disse David Ginsberg, um conselheiro de Edwards. "Ele decidirá se vai ou não concorrer novamente baseado em como estiverem Elizabeth e sua família e a situação do país naquele momento."

A esposa de Edwards, Elizabeth, está sendo tratada por câncer de mama, e os assessores dele disseram que ela está passando bem após a cirurgia da semana passada.

A imagem dos ex-companheiros de chapa correndo rapidamente de volta aos corners é altamente incomum na recente história política americana. Ela reflete a pressão sobre os candidatos potenciais de ambos os partidos para iniciarem cedo uma campanha que terá disputas abertas em ambos os lados pela primeira vez em 50 anos.

Depois de 2000, Lieberman se recusou a recrutar simpatizantes e levantar fundos para cumprir sua promessa a Gore, uma demora que Lieberman disse posteriormente que contribuiu para sua fraca performance na campanha de 2004, e uma lição que presumivelmente não passou despercebida por Edwards.

Kerry e Edwards recusaram os pedidos de entrevista sobre o assunto, mas assessores descreveram o relacionamento deles como sendo caloroso e cordial. Os assessores de Kerry disseram que sua esposa, Teresa Heinz Kerry, tem visitado freqüentemente a casa de Edwards em Georgetown, que fica a cerca de uma quadra da casa de Kerry, desde que o câncer de Elizabeth Edwards foi diagnosticado.

"O senador Kerry e o senador Edwards são bons amigos e realizaram uma grande campanha juntos", disse Jenny Backus, uma conselheira do comitê de ação política de Kerry.

Kerry, em uma entrevista para a CNN nesta terça-feira, se recusou a falar sobre quaisquer futuros planos políticos, dizendo que "é cedo demais" para pensar nisso agora. "Nós temos 2006, todos nós, para trabalharmos juntos como um partido unido, e é isto o que vamos fazer", disse ele.

A imagem destes dois homens seguindo por caminhos paralelos enquanto buscam recarregar suas carreiras políticas é o mais recente capítulo do que muitos democratas vêem como um relacionamento desconfortável entre os dois líderes do partido.

Apesar de não terem medido esforços na campanha para apresentarem a si mesmos como amigos, associados tanto de Kerry quanto de Edwards citaram os dois como tendo questionado a atuação do outro na campanha.

Esta escaramuça precoce foi notada com graça por alguns democratas.

Vários democratas, incluindo associados de ambos os homens, sugeriram que no final, Edwards e Kerry poderão descobrir que após estarem no topo em 2004, eles agora serão a alternativa para uma estrela muito maior do partido, Hillary Rodham Clinton, a senadora de Nova York.

Os líderes do partido disseram que o apetite por uma nova candidatura de Kerry ou Edwards poderá ser limitado, especialmente com algumas novas faces potencialmente intrigantes no horizonte, incluindo o senador Evan Bayh de Indiana, o governador Mark Warner, da Virgínia, e Hillary Clinton.

"A pergunta mais comum que me fizeram durante a campanha foi, onde está John Edwards?" disse T.J. Reynolds, presidente do Partido Democrata da Pensilvânia. "Sua estatura parecer ter decrescido um pouco durante sua candidatura a presidência segundo a opinião de muitas pessoas com quem conversei."

Mas Kathy Sullivan, a líder democrata de New Hampshire que convidou Edwards para discursar em um jantar de arrecadação de fundos do partido lá, disse que Edwards despontou como uma figura popular no Estado dela.

"Ele não saiu nem um pouco arranhado aqui", disse ela. "Eu acho que ele continua sendo uma figura popular em New Hampshire."

Por outro lado, outros democratas expressaram apreensão a respeito de uma nova candidatura de Kerry, prevendo que ele encontrará pouco entusiasmo por uma nova campanha, particularmente com tantos rostos novos em campo.

"Eu tenho muito respeito por Kerry, mas minha sensação é de que seria um grande erro", disse um importante arrecadador de fundos democrata, que não quis ser citado criticando, Kerry enquanto este tenta se recuperar da última eleição.

Um democrata do Congresso que apoiou Kerry no ano passado disse: "Eu não ouvi nenhum interesse por uma nova candidatura de John Kerry exceto por parte de John Kerry".

Mas Scott Maddox, o presidente do Partido Democrata da Flórida, disse: "Eu tenho um tremendo respeito pelo senador Kerry. Se ele quiser fazer isto no futuro, eu ficarei contente em conversar com ele".

Ao longo do mês passado, Edwards, que não buscou um segundo mandato no Senado para concorrer à presidência, fundou um centro para estudar a pobreza na Universidade da Carolina do Norte; ele e sua família se mudarão para seu Estado natal em junho.

Ele compareceu a quatro jantares democratas de arrecadação de fundos nos últimos dois meses, e assessores disseram que ele tem uma agenda ambiciosa de viagens nacionais e internacionais nos próximos meses, dependendo da saúde de sua esposa.

Edwards fez pouco segredo das discordâncias que disse ter tido com a campanha, dizendo, por exemplo, que ela não deveria ter desistido do Estado de Missouri e que foi lenta em responder aos ataques contra o histórico de Kerry no Vietnã por outros veteranos da guerra.

"Eu queria contra-atacar no dia em que começaram", disse Edwards no mês passado em "This Week" com George Stephanopoulos. Ele acrescentou: "Foi tomada a decisão de não fazê-lo, e eu não concordei com tal decisão".

Os assessores da campanha de Kerry contestaram a declaração de Edwards.

"O vice supostamente deve ser um companheiro do candidato presidencial --e ele e seu pessoal participaram de todas as decisões importantes tomadas na campanha", disse um ex-alto conselheiro da campanha de Kerry, que falou sob a condição de não ser identificado, sobre as relações entre os dois homens. Senadores formaram a chapa democrata à Casa Branca em 2004 George El Khouri Andolfato

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