UOL Notícias Internacional
 

16/03/2005

Sex shops estão de volta a Times Square, em NY

The New York Times
Nicholas Confessore

Em Nova York
Dez anos depois de o prefeito Rudolph W. Giuliani declarar guerra contra os shows eróticos para voyeurs, casas de strip tease e locadoras de videos pornôs localizadas na região de Times Square, as lojas que vendem material de caráter sexual explícito lentamente começam a se alastrar novamente pela área, habilmente explorando brechas na legislação --e a demanda dos proprietários por inquilinos que paguem mais-- para voltarem com força à região.

Don Hogan Charles/The New York Times

Loja de vídeos eróticos em Times Square indica o fim da onda moralista do ex-prefeito republicano
Lojas com artigos de conotação sexual também estão pipocando em outras regiões da cidade, especialmente no distrito do Chelsea.

Mas o ressurgimento delas nas ruas laterais e avenidas próximas a Times Square é especialmente significante, se for considerada a grande quantidade de tempo e de dinheiro que as autoridades nova-iorquinas gastaram para reinventar a área central da cidade como destino turístico voltado para toda a família.

As regiões que passam pela maior reincidência de sex shops estão na Oitava Avenida, perto do terminal de ônibus de Port Authority e nas ruas 37 e 39, perto da Avenida das Américas, onde o número de lojas especializadas triplicou, de seis para 18, em um ano e meio. Ao norte da rua 42, o aumento foi menor, de 14 para 17 sex shops abertas desde 2003.

Parte desse crescimento se deve à agilidade com que os proprietários das lojas aprenderam a lidar com as regras de zoneamento da cidade adotadas em meados dos anos 90, para manter as sex shops longe das escolas e das igrejas.

Mas as autoridades municipais e os proprietários de lojas em Times Square dizem que outro fator que influiu nessa nova expansão foi a disposição dos proprietários de sex shops de pagar bem mais que os aluguéis estabelecidos pelo mercado.

"Há uma disparidade entre o que os caras da pornografia pagam e o que o mercado estabelece", diz Tom Tompkins, presidente da Aliança para Times Square.

"E quem está cedendo espaço não é o grande proprietário. É o proprietário de um prédio de três andares, cujos apartamentos de segundo e terceiro andar são aqueles de inquilinos com aluguéis antigos, e daí a maior parte do retorno no prédio passa a vir da loja no térreo."

E quando as sex shops começam a chegar, segundo Tompkins, elas passam a movimentar uma espiral de preços em queda. "Quanto mais os negócios para adultos se estabelecem numa rua, mais caem os aluguéis que os outros empresários se dispõem a pagar", diz o presidente da associação comercial regional. E isso torna a vida mais complicada para os proprietários que querem encontrar outros inquilinos dispostos a pagar mais.

Alguns desses proprietários dizem que vêm tendo problemas em fazer bons negócios com suas propriedades, apesar do recente processo de valorização por benfeitorias realizadas na região, que trouxe mercearias e lojas de vinho sofisticadas até mesmo para o trecho conhecido como Hell's Kitchen, anteriormente tão pouco valorizado.

"A loja estava disponível por um longo tempo, e não conseguíamos alugá-la", diz Matthieu Goldenberg, que junto com o sócio possui e administra cerca de 30 prédios na área, dois dos quais alugados recentemente para lojas que vendem DVDs pornográficos.

"Não nos é vantajoso tê-los por aqui. Mas temos que pagar os impostos e a hipoteca. Fazemos o que precisa ser feito."

E eles podem alugar mais facilmente agora, porque as leis de zoneamento da era Giuliani foram substancialmente diluídas por processos legais que ocorreram no final dos anos 90.

Atualmente, qualquer loja que tenha pelo menos 60% de sua mercadoria composta por artigos não-pornográficos tecnicamente não é mais considerada como negócio de "entretenimento adulto" perante a lei.

"Se eles abastecerem as prateleiras deles com um montão de cópias de `Bambi', já se safam dessa categoria adulta", diz John Feinblatt, coordenador de justiça criminal da cidade.

Já que as lojas que obedecem à regra dos 60/40 não se sujeitam às leis que restringem os negócios ligados ao sexo, elas estão livres não só para o funcionamento como também para a formação de um verdadeiro pólo, abrindo uma ao lado da outra --tornando a lei algo "quase impossível de ser cumprido", diz Feinblatt.

Talvez o maior desses pólos esteja mesmo na Oitava Avenida, onde o movimento estava intenso numa recente tarde de sexta-feira.

"Ali está um bacana", disse Bill Daley, apontando matreiramente para um homem de meia idade de paletó e gravata que, alguns segundos antes, havia passado pela entrada onde se destaca um poster do filme "A Supremacia Bourne", disfarce para os títulos bem mais picantes que estão por lá.

Daley suspira um tanto raivoso. "As pessoas sempre pensam que são tarados e vagabundos os que freqüentam essas lojas", diz. "Mas se você for lá depois do almoço ou depois do trabalho, você verá os caras de ternos, normalmente tipos 'bem família' que parar por ali antes de seguirem para casa."

Há alguns anos, Daley saiu de seu trabalho como chefe do gabinete da prefeitura para cumprimento das leis na região central de Manhattan --onde, em 17 anos, ele aprendeu mais do que realmente queria sobre a etiqueta que rege os peep shows que funcionam nos fundos das lojas, sobre os subgêneros de filmes explícitos e sobre os tipos de apetrechos sexuais.

Agora, Daley trabalha na tentativa de incrementar o pólo de artigos de vestuário, no Distrito para o Fomento dos Negócios de Moda.

"Achei que tínhamos terminado o trabalho por lá quando cheguei por aqui", diz Daley, olhando em direção ao número 300 da rua West 40, sinistro prédio esbranquiçado na esquina da Oitava Avenida que abriga nada menos que quatro lojas que comercializam DVDs de conteúdo sexual explícito. Justiça e mercado derrubam as leis conservadoras da era Giuliani Marcelo Godoy

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