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17/03/2005

Paul Wolfowitz será presidente do Banco Mundial

The New York Times
Elizabeth Becker e David E. Sanger

Em Washington
O presidente Bush declarou nesta quarta-feira (16/03) que havia decidido nomear Paul D. Wolfowitz para a presidência do Banco Mundial. O atual secretário-adjunto da Defesa é um dos mais antigos e sinceros defensores, entre os quadros desta administração, da utilização da influência americana para espalhar a democracia por todo o planeta.

Ozier Muhammad/NYT

Paul Wolfowitz é um dos políticos mais alinhados a George W. Bush
Enquanto Wolfowitz se tornou mais conhecido, nos últimos anos, por sua atuação como um dos principais arquitetos da invasão do Iraque, as suas atividades anteriores foram caracterizadas pelos anos que ele passou trabalhando na elaboração de estratégias para o desenvolvimento. Na qualidade de ex-embaixador dos Estados Unidos na Indonésia, ele se dedicou principalmente à coordenação de projetos assistenciais.

Bush citou alguns pontos do seu currículo ao tornar pública a sua escolha de Wolfowitz numa coletiva de imprensa, e acrescentou que "Paul tem um compromisso com o desenvolvimento".

"Ele é um homem decente, de grande compaixão, que realizará um excelente trabalho", disse.

A sua indicação também ocorre num momento em que as disparidades entre os países ricos e pobres estão aumentando e que o montante da ajuda financeira dos países doadores está diminuindo. Essas tendências colocaram o Banco Mundial no centro de um debate internacional cujo objetivo é de definir quais são as estratégias mais apropriadas para reduzir a pobreza nos países em desenvolvimento, e quais seriam os tipos de recursos que as nações ricas deveriam empenhar para terem sucesso nesses objetivos.

Numa entrevista por telefone que ele concedeu a The New York Times na tarde desta quarta-feira, Paul Wolfowitz disse que a sua nomeação deveria ser interpretada como uma indicação da importância que presidente Bush atribui ao desenvolvimento e ao Banco Mundial.

"É uma nobre missão, esta que consiste em reduzir a pobreza de populações e, assim fazendo, em fortalecer o movimento político mundial como um todo rumo à democracia, e eu espero que as pessoas que me criticam entendam isso", disse.

William Easterly, um professor de economia da Universidade de Nova York que atuou ao longo de uma década como pesquisador em questões econômicas a serviço do Banco Mundial, afirmou nesta quarta-feira que ele acreditava que "os franceses e os alemães receberão esta indicação como uma provocação deliberada ou até mesmo um insulto".

"O Banco Mundial já era objeto de uma péssima reputação depois de uma década de ajustes estruturais, passada a agarrar países em desenvolvimento pela garganta para forçá-los a realizarem reformas econômicas, dizendo a eles: 'Vocês não obterão o nosso dinheiro a menos que vocês façam o que nós lhes dizemos que devem fazer'", disse. "Isso gerou na realidade uma enorme resistência na África e na América Latina, e também em alguns países da Ásia".

E William Easterly acrescentou: "Wolfowitz é a encarnação da política americana que consiste em obrigar outras sociedades a adotarem os valores americanos, que elas queiram ou não". Indicação de Bush será vista como provocação, afirma especialista Jean-Yves de Neufville

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