UOL Notícias Internacional
 

18/03/2005

Diretor da CIA defende tratamento a prisioneiros

The New York Times
Douglas Jehl

Em Washington
O diretor da CIA, Porter J. Gross, disse ao Congresso nesta quinta-feira (17/3) que as técnicas usadas pela Agência Central de Inteligência "neste momento" para o interrogatório de suspeitos de terrorismo são legais e não constituem tortura.

Goss, no entanto, não deu o mesmo tipo de garantia ampla sobre todas as técnicas de interrogatório usadas pela agência desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

Goss respondeu em audiência no Comitê de Forças Armadas do Senado a duros questionamentos de democratas e republicanos sobre a forma como a agência vem lidando com suspeitos de terrorismo.

O diretor da CIA, entretanto, recusou-se a responder algumas questões em testemunho público. Suas declarações geraram novas questões sobre a conduta da CIA ao deter e questionar suspeitos de terrorismo e ao transferi-los para outros países, uma das áreas mais secretas dos esforços do governo de combater o terrorismo.

Goss disse que não sabia quando o inspetor-geral da CIA terminaria os estudos em curso sobre as suspeitas de erros de conduta pelos funcionários da agência junto aos suspeitos de terrorismo, inclusive quatro que morreram sob custódia americana.

Diferentemente do Pentágono, que emitiu vários relatórios sobre a questão desde que vieram à tona os abusos da prisão de Abu Ghraib, a CIA ainda não falou ao Congresso sobre suas conclusões.

Entre as atividades da CIA sob escrutínio pelo Congresso está o papel da agência na transferência, desde 11 de setembro, de 100 a 150 suspeitos de terrorismo para a custódia de outros governos, prática chamada de extradição.

Outras três dúzias de possíveis líderes terroristas, inclusive Khalid Sheik Mohammed, acusado de ter planejado os ataques de 11 de setembro, continuam sob custódia da CIA em locais secretos em torno do mundo.

Ex-agentes de inteligência disseram que a agência usava técnicas de interrogatório coercitivas contra esses suspeitos, inclusive uma em que fingem que vão afogar o prisioneiro.

Goss fez forte defesa do que ele chamou de "interrogatório profissional", dizendo que resultou em "sucessos documentados" que impediram ataques e capturaram suspeitos.

Ele afirmou que os procedimentos atualmente usados pela CIA não são qualificados como tortura. "A tortura não é produtiva", disse Goss. "Não é um interrogatório profissional; nós não fazemos tortura."

Mais tarde, porém, Goss admitiu que a diferença entre o que é ou não é permitido em termos de técnicas de interrogatório nem sempre foi clara para os agentes da CIA.

Em agosto de 2002, o Departamento de Justiça emitiu um memorando definindo de forma bem estreita a tortura, mas desde então foi rejeitado, em mais um sinal de mudança na opinião do governo Bush.

As respostas de Goss às questões do senador Carl Levin, democrata de Michigan, claramente deixaram aberta a possibilidade de que algumas técnicas de interrogatório coercitivas usadas pela CIA desde 11 de setembro hoje são consideradas não apropriadas e possivelmente ilegais.

"Neste momento, não são empregadas técnicas que vão contra a lei ou sejam consideradas tortura ou coisa parecida", disse Goss em resposta a uma pergunta.

Minutos depois, indagado se poderia dar garantias sobre todas as técnicas empregadas pela CIA desde 11 de setembro, ele disse: "Não sou capaz de dizer isso". Ele acrescentou que poderia "discutir algumas dessas questões em sessão privada", mais tarde no mesmo dia.

Goss também advertiu que a instabilidade na Venezuela, Colômbia e outros países da América Latina poderiam tornar essas áreas pontos de preocupação para os EUA no próximo ano. Segundo o diretor, o tráfico ilegal de armas e drogas pode beneficiar os terroristas.

Respondendo às críticas dos grupos de direitos humanos e de alguns democratas do Senado, Goss disse que a resposta da agência aos ataques de 11 de setembro tinha ressaltado o valor de esforços agressivos e ativos contra o terrorismo, que sempre foram centrais à missão da CIA.

"Prefiro explicar porque fizemos algo a porque não fizemos algo", disse Goss.

A audiência revelou fortes diferenças entre republicanos e democratas na questão. Um proeminente senador republicano deplorou o excesso de críticas à conduta da CIA, mas democratas advertiram que o uso de técnicas de interrogatório excessivas não era apenas imoral, mas também pode ser contraprodutivo, provocando tratamento similar de soldados americanos capturados. Goss admitiu, entretanto, que a definição de tortura não está clara Deborah Weinberg

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