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18/03/2005

Wolfowitz pode azedar relação dos EUA com AL

The New York Times
Paul Krugman

Em Nova York
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Paul Krugman é colunista
Você pode dizer isto sobre as qualificações de Paul Wolfowitz para dirigir o Banco Mundial: ele tem estado associado estreitamente ao maior projeto de desenvolvimento econômico e ajuda internacional dos Estados Unidos desde o Plano Marshall.

Eu estou falando, é claro, sobre a reconstrução no Iraque. Infelizmente, o que aconteceu lá provavelmente fará os países desconfiarem de qualquer conselho econômico que Wolfowitz possa dar.

Não vamos nos concentrar em má administração. Em vez disso, vamos falar sobre ideologia.

Antes da guerra no Iraque, os falcões do Pentágono não permitiram que o Departamento de Estado realizasse o planejamento. Isto excluiu todos com experiência em desenvolvimento.

Como resultado, o governo foi ao Iraque determinado a demonstrar as virtudes da economia radical de livre mercado, sem ninguém alertando sobre os prováveis problemas.

Jornalistas que falaram com Paul Bremer quando ele estava dirigindo o Iraque comentaram sobre sua paixão ao falar sobre a privatização de empreendimentos privados. Eles não notaram uma paixão semelhante por uma rápida democratização.

De fato, a ideologia econômica pode explicar o motivo de as autoridades americanas não terem agido rapidamente após a queda de Bagdá para realizar eleições --apesar de que se assegurássemos aos iraquianos que não pretendíamos instalar um regime fantoche poderia ter contido a insurreição.

Jay Garner, o primeiro administrador do Iraque, queria eleições o mais cedo possível, mas a Casa Branca queria implementar um "modelo" para privatização da indústria do petróleo e outras antes de transferir o controle.

Os campos de petróleo nunca foram privatizados. Todavia, a tentativa de transformar o Iraque em um exemplo de interferência econômica recebeu, ao seu próprio modo, uma clara rejeição da opinião mundial tanto quanto a decisão de ir à guerra. Visões dogmáticas sobre a superioridade dos mercados livres têm perdido terreno por todo o mundo.

Os latino-americanos são os mais desiludidos. Ao longo de grande parte dos anos 90, eles aceitaram o "consenso de Washington" --que devemos notar que veio de membros do governo Clinton tanto quanto de economistas de Wall Street e centros de estudo conservadores-- que dizia que a privatização, desregulamentação e livre comércio provocariam uma decolagem econômica. Em vez disso, o crescimento permaneceu mínimo, a desigualdade aumentou e a região sofreu uma série de crises econômicas.

O resultado foi a ascensão de governos que, em diversos graus, rejeitam as políticas que percebem como sendo de autoria americana. O líder da Venezuela é o mais ruidoso.

Mas o exemplo mais dramático de rejeição é a Argentina, antes a queridinha de Wall Street e dos centros de estudos. Hoje, após uma recessão devastadora, o país é presidido por um populista que freqüentemente culpa os estrangeiros pelos problemas econômicos do país e que forçou os credores estrangeiros da Argentina a aceitarem um acordo que lhes pagará apenas 32 centavos por cada dólar.

E a rejeição já chegou ao nosso vizinho mais próximo. O atual presidente do México, Vicente Fox, um ex-executivo da Coca-Cola, crê firmemente no livre mercado. Mas seu governo é amplamente considerado um fracasso.

Enquanto isso, o prefeito esquerdista da Cidade do México, Manuel Lopez Obrador, se tornou imensamente popular. E sua retórica populista gerou temores de que se ele se tornar presidente, ele reverterá as políticas de livre mercado e livre comércio das duas últimas décadas.

Fox está tentando usar uma pequena violação da lei para impedir Lopez de disputar a eleição. Se tiver sucesso, muitos mexicanos acreditarão que a democracia foi sacrificada no altar do capital estrangeiro.

Há não muito tempo, a crescente alienação da América Latina dos Estados Unidos seria considerada um grande revés de política externa. Tanta coisa tem dado errado ultimamente que redefinimos desastre, mas ainda assim não é uma boa coisa.

Onde Wolfowitz se encaixa nisto tudo?

O conselho que o Banco Mundial dá é tão importante quanto o dinheiro que ele empresta --mas apenas se os governos aceitarem o conselho. E dada a rigidez ideológica que o Pentágono exibiu no Iraque, eles provavelmente não aceitarão.

Se Wolfowitz disser que alguma política de livre mercado ajudará no crescimento econômico, isto será recebido com tanto ceticismo quanto se declarasse que um país tem armas de destruição em massa.

Moises Naim, editor da revista "Foreign Policy", disse que a indicação de Wolfowitz transforma o Banco Mundial no Banco Americano. Considere um banco americano feio: certos ou não, os países em desenvolvimento verão a escolha de Wolfowitz como um sinal de que estamos tentando impor políticas que eles acreditam que fracassaram. Histórico do aliado de Bush no Iraque não deve desperta simpatia George El Khouri Andolfato

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