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22/03/2005

Sondas espaciais duram mais do que o esperado e permanecem explorando Marte

The New York Times
Kenneth Chang

Em League City, Texas
Quase um ano após ter expirado a sua expectativa de vida de três meses, a sonda marciana Spirit está rejuvenescida e faz algumas das suas mais significantes descobertas a respeito do passado encharcado de Marte.

A Spirit e a sua irmã gêmea, a Opportunity, que está no lado oposto de Marte, continuaram trabalhando tão bem que os gerentes do programa pediram que a missão fosse ampliada por outros 18 meses. Na semana passada, a Nasa anunciou que um dos instrumentos identificadores de minerais da Opportunity foi desligado devido a um defeito. Mas, com exceção desse problema, as sondas parecem estar bastante saudáveis.

"Hoje é sol 427 da nossa missão de 90 sóis a marte", disse na última quarta-feira Steven W. Squyres, o principal investigador da missão, gerando risos e aplausos dos cientistas presentes na Conferência de Ciências Planetárias e Lunar, aqui nas proximidades de Houston. "As coisas continuam se desenrolando satisfatoriamente".

Um "sol" é um dia marciano, um pouco mais longo que o dia terrestre, tendo 24 horas, 39 minutos e 35 segundos.

Até mesmo o acaso está ajudando a Spirit, enquanto a sonda se movimenta em torno da Cratera Gusev, uma depressão de 150 quilômetros de extensão, que dá a impressão de que um dia pode ter sido um lago.

A fim de compensar o desgaste das sondas, os controladores da missão têm feito com que elas andem de ré a maior parte do tempo. "Quando a Spirit retrocedia dessa forma, subindo uma montanha, atingimos uma descontinuidade na inclinação, que fez a sonda sacolejar", conta Squyres.

"Fiquei muito desapontado quando vi essas imagens, porque estava toda tremida, e não completamos o nosso percurso. Mas então olhamos com mais cuidado e percebemos que o solo parecia estranhamente brilhante".

O que eles descobriram foram vários tipos de sal, aparentemente sedimentados quando, no passado, a água no planeta evaporou. "A Opportunity foi a primeira a encontrar tais sais no ano passado, mas o registro de lugar mais salgado de Marte pertence agora à Cratera Gusev", explica Squyres. "Essa formação contém mais de 50% de sal".

Quando as sondas chegaram ao planeta vermelho em janeiro do ano passado, a sorte favoreceu a Opportunity, que aterrissou em uma pequena cratera e quase imediatamente achou evidências de que no passado houve água em Marte.

Enquanto isso, um problema de programação no computador fez com que a Spirit ficasse parada por uma semana e meia. Quando recomeçou a trabalhar, ela revelou que as rochas a sua volta eram compostas de lava comum. A seguir, a Spirit fez uma jornada de dois meses e 3,2 quilômetros até umas montanhas que pareciam ser mais antigas e geologicamente mais intrigantes.

Tão logo chegou às montanhas, a Spirit também começou a encontrar evidências de existência de água no passado.

"De várias maneiras, a missão da Spirit começou em sol 156", afirma Squyres. "Estamos presenciando uma diversidade desconcertante de formações nas Montanhas Columbia". As montanhas ganharam esse nome em homenagem aos astronautas do ônibus espacial Columbia que morreram em 2003.

Alguns dos problemas motivados pelo envelhecimento da Spirit também parecem ter desaparecido. Em junho, o motor da roda dianteira direita começou a consumir duas ou três vezes mais eletricidade que o comum e pareceu estear a ponto de queimar. Os controladores da missão limitaram o uso dessa roda, utilizando as outras cinco. Mas há três meses o motor aparentemente defeituoso voltou a funcionar normalmente.

A poeira acumulada nos painéis solares da Spirit reduziu a quantidade energia gerada por dia de 900 watts/hora iniciais para apenas 400 watts/hora. "O nível crítico para esse veículo é de cerca de 280 watts/hora", explica Squyres.

À medida que a Spirit rumava para as montanhas, os controladores da missão tinham que ter cuidado para que os painéis permanecessem inclinados na direção do Sol. Foi quando, em 9 de março, a energia saltou subitamente para 800 watts/hora, quase alcançando o nível de uma sonda nova. As câmeras da Spirit detectaram vários mini-tornados na área. Aparentemente um deles passou diretamente sobre a sonda, removendo a poeira dos painéis.

"Estamos de volta aos níveis de energia que tínhamos em sol 30", afirma Squyres. A Opportunity experimentou uma limpeza similar dos seus painéis solares no ano passado.

Após explorar a pequena cratera na qual aterrissou e, depois, uma outra do tamanho de um estádio esportivo, a Opportunity faz agora uma longa viagem pela superfície marciana. Ela parou para examinar pedaços do seu escudo de proteção de calor que foi descartado quando descia pela atmosfera do planeta.

"Depois disso, ela passou a rodar como louca", diz Raymond Arvidson, professor de ciências terrestres e planetárias da Universidade Washington em Saint Louis e membro da equipe científica. Na quinta-feira a Opportunity se deslocou 187 metros em um dia, a maior distância percorrida até hoje. Spirit e Opportunity descobrem provas de que o planeta teve mar Danilo Fonseca

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