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22/03/2005

UE deve manter embargo de armas contra China

The New York Times
Steven R. Weisman

Em Washington
Cedendo à pressão do presidente Bush e ameaças de retaliação do Congresso americano, a União Européia adiou seus planos de suspender o embargo de armas à China nesta primavera. Autoridades americanas e européias disseram nesta segunda-feira (21/03) que é possível que a questão só volte a ser considerada no próximo ano.

Segundo as autoridades, além da pressão americana, as nações européias foram abaladas pela recente aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional do Povo chinês autorizando o uso de força para deter a secessão de Taiwan. A medida chinesa, disseram, abalou a França e enfraqueceu seu movimento para suspender o embargo antes de junho.

"A Europa quer seguir adiante nesta questão do embargo, mas as recentes ações da China tornaram as coisas muito mais complexas. O momento ficou mais difícil. Vai ter que ser adiado", disse uma alta autoridade européia.

O embargo foi imposto depois da repressão dos manifestantes pela democracia na praça de Tiananmen, em 1989. Apesar de alguns países terem aliviado suas restrições, o fornecimento de armas para a China foi cortado e a questão se tornou um fator irritante nas relações da China com o Ocidente.

Um membro do Departamento de Estado disse que nos últimos dias houve "sinais" europeus de mudança, especialmente por parte de Javier Solana, chefe de política externa da União Européia, e por um comentário do secretário de Relações Exteriores britânico, Jack Straw, no final de semana.

Straw disse em entrevista na televisão britânica neste domingo (20) que as dificuldades para a suspensão do embargo "de fato se tornaram maiores, em vez de menores" e que a medida chinesa em relação ao Taiwan tinha criado "um ambiente político difícil" que gerou preocupações tanto de conservadores quanto de liberais na Europa.

Em Pequim, no início da segunda-feira, a secretária de Estado Condoleezza Rice disse que os "comentários tranqüilizadores" de Straw reforçavam a preocupação contínua americana que a suspensão do embargo agora alteraria o equilíbrio de forças militares na região e minaria os esforços americanos de levar a China a melhorar o respeito aos direitos humanos.

Condoleezza voltou da Ásia na noite de segunda-feira, depois de vários comentários duros direcionados à China e, menos diretamente, aos europeus. Com as tensões crescentes no estreito do Taiwan e a China buscando tecnologia avançada para sua Marinha, a venda de equipamentos europeus ameaçaria os esforços americanos de manter a área segura, disse ela.

"Afinal, foram as forças americanas aqui no Pacífico que tiveram o papel de garantir a segurança", disse Rice.

Segundo as autoridades européias, a União não vai desistir de seu compromisso feito em dezembro último e promovido pelo presidente Jacques Chirac, da França, de suspender o embargo, mas a medida neste momento poderia atrapalhar as relações com os EUA.

Autoridades americanas e européias disseram que a política interna da UE teve um papel no planejamento da flexibilização das restrições: o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, estava disposto a se unir à medida, mas não queria que ocorresse enquanto estivesse na presidência da União Européia.

A presidência é alternada entre os 25 membros da união a cada seis meses. Blair, que assume no final de junho, não pode ser visto desafiando os desejos americanos em uma questão tão crítica, disseram as autoridades. Algumas autoridades européias e americanas disseram que o embargo provavelmente seria adiado até o próximo ano, quando tiver terminado seu mandato.

Nas últimas semanas, os europeus promoveram a suspensão do embargo junto aos EUA, argumentando que as regras cobriam armas letais, mas não o equipamento de alta tecnologia que preocupa os EUA, que podem ajudar a China com seus sistemas de comando, de controle e de identificação de submarinos e navios.

Solana enviou a Washington na semana passada Annalisa Giannella, para expor que a Europa ia expandir um "código de conduta" restringindo tais equipamentos e estabelecendo regras efetivamente mais fortes que as atuais. Mas Giannella aparentemente não persuadiu ninguém, especialmente no Congresso.

De fato, o governo e as autoridades européias dizem que os europeus ficaram chocados com a ferocidade da oposição do Congresso à suspensão do embargo, liderada por pesos pesados como os senadores Ted Stevens do Alaska e John McCain do Arizona.

Bush e seus principais assessores têm expressado cada vez mais, nos últimos meses, sua posição contra a suspensão do embargo de armas. Além disso, o presidente Bush teria dito aos europeus em fevereiro que, mesmo se acatasse a medida, o Congresso não acataria, disseram membros do governo.

O Congresso ficou alarmado com a expansão militar chinesa desde os anos 90, quando se opôs a medidas do presidente Clinton para expandir as vendas aos chineses.

Depois da visita de Giannella, os líderes do Congresso reiteraram sua oposição à suspensão do embargo e, em alguns casos, ameaçaram de retaliação bloqueando compras de equipamentos militares europeus pelas forças americanas.

Uma autoridade do Departamento de Estado observou que Giannella "disse que estava aqui para ouvir" e foi "massacrada" no Capitólio. "Bruxelas logo viu que isso não ia funcionar", disse ele, referindo-se à sede da União Européia.

O presidente Chirac propôs a suspensão do embargo pela primeira vez no final de 2003, argumentando que estava obsoleto. Diplomatas europeus dizem que a França não está tão interessada em vender armas à China, mas sim de usar a possibilidade para vender equipamentos comerciais, desde aviões Airbus até computadores.

A União Européia não pode tomar nenhuma ação sem consenso. Bush e Condoleezza convenceram um número suficiente de líderes europeus que agora o consenso tornou-se improvável.

"Você não vai ver a UE voltando atrás em seu compromisso", disse uma autoridade. "Mas não há um consenso para agir agora." Europeus cedem à pressão dos EUA, e suspendem venda ao país Deborah Weinberg

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