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23/03/2005

Assassino suicida era admirador de Adolf Hitler

The New York Times
Mônica Davey e Christine Hauser*

Na reserva de Red Lake, Minnesota
Jeff Weise, de 16 anos, vestia um colete a prova de balas e um coldre de revólver policial quando abriu fogo contra estudantes que estavam numa sala de aula e atirou em outros que corriam pelos corredores, num fogo aberto que durou 10 minutos, numa escola situada em reserva indígena, nesta segunda-feira (21/03), revelaram as autoridades.

Ingrid Young/The New York Times

Casa onde Jeff Weise vivia com seus avós, local foi início do maior massacre desde Columbine
A chacina só terminou quando Weise atirou para se suicidar, após matar nove pessoas e ferir outras sete. Cartuchos de balas estavam por toda parte, nos corredores e salas da escola na Reserva Indígena de Red Lake (Lago Vermelho), segundo informou um oficial do FBI (Bureau Federal de Investigação), Michael Tabman.

Ele disse que as autoridades acreditam que Weise agiu sozinho. Mas eles investigam mensagens deixadas na Internet num site neonazista, por uma pessoa que se identificou como Jeff Weise, dizendo que vive na reserva.

"Acho que sempre tive essa natural admiração por Hitler e por seus ideais, e por sua coragem de anexar nações maiores", estava escrito na mensagem da Internet, onde o redator também se identificava como "Todesengel", que quer dizer Anjo da Morte em alemão.

Os assassinatos chocaram a bem unida comunidade da reserva, que fica a cerca de 350 quilômetros de Minneapolis/Saint Paul e 175 quilômetros ao sul do Canadá, e que abriga cerca de 5 mil índios Ojibwa, normalmente chamados de Chippewa.

"Não há alma que ficará imune a essa trágica série de acontecimentos", disse o presidente da tribo Red Lake, Floyd Jourdain, Jr., conversando com os repórteres antes da coletiva. "É devastador, porque muitas pessoas conheciam as vítimas e suas famílias."

Segundo as autoridades, Weise matou o avô e a companheira do avô, cinco colegas de escola, uma professora e um segurança.

"Estamos avaliando a enormidade dessa tragédia", disse Tabman.

A chacina, de acordo com o relato do FBI, começou quando Jeff, armado com um revólver calibre 22, foi à casa do avô numa estrada coberta por árvores, a uns dois ou três quilômetros da escola. Lá ele matou o avô, Daryl Lussier, 58 anos, sargento na polícia tribal, e também matou a companheira do avô, Michelle Sigana, 32 anos.

Ele depois pegou do avô o colete à prova de balas, o cinturão policial, o carro com a identificação policial e duas armas, uma espingarda de calibre 12 e um revólver de calibre 40. Não ficou claro onde ele obteve uma terceira arma, de calibre 22.

Weise dirigiu o carro até a escola, estacionou, entrou com as armas e imediatamente começou a atirar e a matar - atingiu o segurança desarmado Derrick Brun, 28 anos, que estava próximo a um detetor de metais.

Dentro da escola, Weise viu o grupo de estudantes e um professor, de acordo com os relatos. Já vestindo o colete a prova de balas e o cinturão, ele perseguiu o grupo até uma sala de aula. Matou a maior parte das vítimas ali mesmo. Depois saiu, atirando aleatoriamente contra os estudantes que fugiam.

De acordo com o relatório do policial Tabman, a polícia chegou e Weise atirou contra eles. Um dos policiais revidou atirando, mas não se sabe se foi atingido. Depois disso Jeff voltou para a sala e apontou a arma contra si mesmo.

As câmeras de video instaladas na escola não registraram o incidente. Autoridades disseram que a chacina começou às três da tarde na escola Red Lake High School, que tem 330 estudantes.

Funcionários do Hospital North Country Regional, na cidade de Bemidji, no Estado de Minnesota, relataram a ocorrência de sete feridos. Seis deles foram identificados. O hospital local recebeu três deles, enquanto dois foram transportados para um hospital em Fargo, no Estado da Dakota do Norte, para neurocirurgias. O sexto foi declarado morto na sala de emergência.

Funcionários do hospital diziam estar preparados para receber um "dilúvio" de pacientes, após serem notificados sobre a chacina, às 15h15 na segunda-feira. As equipes de emergência do hospital foram contactadas, e as autoridades do hospital pediram que funcionários permanecessem além da escala prevista.

Uma hora depois dessa notificação, começaram a chegar as vítimas do tiroteio, com ferimentos localizados na cabeça, no rosto e no peito, disseram os policiais na coletiva à imprensa.

"O primeiro comunicado que recebemos foi de que havia um tiroteio na escola de Red Lake, com muitas vítimas, e esse foi o máximo de detalhes que recebemos", disse o médico Joe Corser.

"Nunca lidamos com nada parecido antes", disse Sheri Birkeland, assessora de imprensa do hospital.

A chacina foi a pior ocorrida numa escola desde que 15 pessoas foram mortas na escola Columbine High School, perto de Littleton, no Colorado, em 1999. E acontece logo 18 meses depois que dois estudantes foram mortalmente atingidos na Rocori High School, numa cidade no centro do mesmo Estado de Minnesota, Cold Spring, a cerca de 290 quilômetros da reserva de Red Lake.

Roman Stately, diretor do Corpo de Bombeiros de Red Lake, disse à agência AP e às estações locais de televisão nessa segunda-feira que a polícia encontrou os dois corpos na casa do avô de Jeff, uma hora após a chacina na escola.

O governador de Minnesota, Tim Pawlenty, disse numa coletiva em rede pela televisão que seria criado um dia em memória ás vítimas.

Testemunhas disseram ao jornal "The Pioneer", da cidade de Bemidji (cidade mais próxima à reserva, a uma hora de carro do local da tragédia), que o pistoleiro estava "sorrindo e comunicativo" enquanto disparava sua arma, e que os colegas pediam que ele não continuasse, de acordo com a agência Associated Press.

"Podia-se ouvir uma moça dizendo, 'Não, Jeff, desista, desista, me deixe em paz, o que você está fazendo?'", relatou a AP, citando o que a estudante Sondra Hegstrom teria dito ao jornal "The Pioneer". "Olhei nele nos olhos e corri para uma sala, onde me escondi."

Uma professora, Diane Schwanz, disse ao jornal "The Pioneer" que escondeu alguns alunos sob bancos enquanto discava para "Emergência 911" pelo celular.

"Acabo de me recuperar e de chamar os policiais", disse Diane.

A tribo de Red Lake opera três cassinos e outras atrações turísticas nessa região com meio milhão de acres.

Clyde Bellecourt, fundador do Movimento Indígena Americano baseado em Minneapolis, disse que não conseguia "lembrar de nada tão trágico quanto esse acontecimento" na reserva.

"Todos na comunidade indígena agora estão se sentindo muito mal. Sendo ou não membros da tribo Red Lake, somos todos parte de uma grande família, estamos todos ligados", disse Clyde. "Normalmente isso acontece em lugares como Columbine, em escolas com brancos, sempre em outros lugares, nunca em nossa comunidade."

Clyde Bellecourt e o irmão dele, Vernon, outro líder histórico da comunidade indígena americana, disseram que o avô do pistoleiro estava na polícia local talvez já há 35 anos, e que Daryl, o avô do assassino, pertencia a uma das famílias mais importantes e respeitadas do lugar.

*Monica Davey contribuiu de Red Lake, Christine Hauser de Nova York, Jodi Wilgoren de Chicago, Mikkel Pates de Fargo, Kermit Pattison de Minneapolis e Gretchen Reuthling de Chicago. Investigação traz detalhes sobre a chacina na escola de Minnesota Marcelo Godoy

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