UOL Notícias Internacional
 

24/03/2005

Confronto mata pelo menos 80 rebeldes no Iraque

The New York Times
Edward Wong

Em Bagdá
Forças americanas e iraquianas mataram até 80 insurgentes nesta terça-feira (22/03), em um ataque matinal contra o que pareceu ser o maior campo de treinamento de guerrilheiros descoberto na guerra, disseram autoridades americanas e iraquianas na quarta. Sete policiais iraquianos foram mortos e seis ficaram feridos.

O número de combatentes mortos foi o maior em uma única batalha desde a invasão americana do reduto de guerrilheiros da cidade de Fallujah, em novembro último.

O tamanho e localização do campo revelaram uma nova estratégia entre os insurgentes, segundo oficiais americanos. Os guerrilheiros moravam em tendas e pequenos prédios em um acampamento em torno de um lago no oeste do Iraque.

É a primeira vez que os militares encontraram insurgentes organizados em grupos tão grandes em uma localização remota rural, parecida com os campos de treinamento da Al Qaeda no Afeganistão, disseram as autoridades.

"Há um ano, eles preferiam organizar-se em pequenas células em áreas urbanas. Aqui, eles se organizaram em um grande grupo, em local remoto, talvez acreditando que as forças da coalizão não procurariam tão longe", disse o major Richard Goldenberg, porta-voz da 42ª Divisão de Infantaria, que enviou soldados e helicópteros de ataque para ajudar centenas de soldados iraquianos que atacaram o campo.

Junto com munições, manuais de treinamento e coletes para ataques suicidas, as forças iraquianas e americanas descobriram documentos de identificação mostrando que alguns combatentes vinham de fora do Iraque, disse Goldenberg. Ele não quis identificar as nacionalidades, apesar de autoridades iraquianas terem dito que vinham de países árabes.

O general Flaiyeh Rashid, chefe de polícia na província de Salahuddin, onde ocorreu a batalha, fez uma declaração a uma rede de televisão estatal dizendo que a batalha durou sete horas e que as forças americanas e iraquianas mataram 80 guerrilheiros.

Segundo Goldenberg, os militares americanos estimaram que a batalha durou duas horas e que havia cerca de 80 guerrilheiros no campo, mas não forneceu uma contagem dos mortos. O major disse que não foram feitos prisioneiros durante o assalto.

A batalha ocorreu dois dias após um comboio americano sofrer uma emboscada altamente organizada por um bando de 40 a 50 insurgentes, perto de Bagdá. Os militares americanos disseram que 26 atacantes foram mortos na batalha, que ocorreu no domingo na cidade de Salman Pak, 20 km a sudeste da capital.

Foi o mais ambicioso assalto contra os militares americanos desde as eleições de 30 de janeiro e mostrou que a guerrilha ainda está ferozmente ativa no país dois anos após a invasão americana, apesar do amplo comparecimento da população nas eleições.

A batalha de terça-feira começou cerca de 11h, quando o Primeiro Batalhão de Polícia do Ministério do Interior, agindo com base em denúncias de moradores da região, aproximou-se do acampamento no lago Tharthar, disse Goldenberg.

Antes da invasão americana, o grande lago era um ponto turístico popular entre iraquianos, onde havia um projeto de criação de peixes iniciado pelo governo de Saddam Hussein.

Fica em uma região árida a 160 km a noroeste de Bagdá e cruza a fronteira das províncias de Anbar e Salahuddin, redutos guerrilheiros dominados pelos antigos governantes sunitas.

Quando as forças se aproximaram do campo, os guerrilheiros começaram a atirar com rifles, metralhadoras e morteiros. "Era um campo remoto", disse Goldenberg. "Não seria difícil verem a aproximação de outras forças de longe."

A polícia iraquiana então pediu o apoio da 42ª Divisão de Infantaria, que tem como base um palácio na capital da província Tikrit, cidade natal de Saddam.

Os americanos enviaram helicópteros Apache e helicópteros menores OH-58D, assim como tropas de terra. Um porta-voz do Ministério do Interior disse que alguns insurgentes tentaram escapar de barco pelo lago, mas foram mortos na água enquanto desembarcavam do outro lado.

O campo de treinamento era tão grande que as tropas iraquianas e americanas ainda estavam fazendo uma busca na quarta-feira, disse Goldenberg. Entre os itens apreendidos havia manuais com técnicas de treinamento de insurgentes, disse ele, recusando-se a dar detalhes.

A 42ª Divisão de Infantaria, responsável pela segurança do triângulo sunita do Norte, nunca "se deparou com um estabelecimento tão organizado de elementos da insurgência iraquiana", disse o major. As tropas iraquianas e americanas queimaram quatro veículos encontrados no campo, disse um porta-voz do Ministério do Interior.

Segundo o porta-voz, participaram do assalto entre 500 e 700 iraquianos. A mesma unidade vinha trabalhando ao lado da 42ª Divisão de Infantaria e participou de uma breve ofensiva no início do mês na cidade de Samarra.

Na operação, soldados iraquianos e americanos bloquearam seções da cidade para prender suspeitos de liderança da insurgência, que não foram encontrados.

Oficiais da 42ª Divisão de Infantaria vêm treinando forças de segurança iraquianas em sua sede no palácio em uma ribanceira que dá para o rio Tigre, em Tikrit. O treinamento é feito em uma ilha no meio do rio.

Cada vez mais os oficiais iraquianos estão dando as aulas, disseram comandantes americanos. O uso de forças iraquianas na frente de assaltos ambiciosos como o de terça-feira reflete "a tendência que esperamos ver para o resto do ano", disse Goldenberg.

Na quarta-feira, a violência atingiu a capital: um morteiro insurgente matou uma menina iraquiana e feriu outra criança em uma escola primária no oeste de Bagdá, disse um membro do Ministério do Interior.

O morteiro atingiu uma escola no bairro de Amariya, uma área cheia de insurgentes, entre o centro de Bagdá e a prisão de Abu Ghraib. No bairro de Etafiyah, dois policiais foram mortos e seu motorista ferido, enquanto tentavam sem sucesso neutralizar uma bomba deixada na rua perto de uma mesquita xiita, disse a autoridade.

Dois insurgentes tentaram detonar um carro com explosivos no bairro xiita de Kadhimiya, mas feriram apenas a si mesmos quando não conseguiram armar os explosivos da forma adequada. O membro do Ministério do Interior identificou o motorista do carro, um sedã dourado, como o iraquiano Ahmed Al Janabi.

Os iraquianos frequentemente culpam combatentes estrangeiros pelas explosões de carros e alegam que mesmo o mais militante dos iraquianos nunca faria tal ato horrendo de derramamento de sangue. O nnmero de mortos é o maior desde o ataque a Fallujah, em 2004 Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host