UOL Notícias Internacional
 

24/03/2005

"Miss Simpatia 2" não tem a graça do 1º filme

The New York Times
Manohla Dargis

Crítica de cinema do NYT
Arrastando-se por essa seqüência vagabunda de sua genial e bem sucedida comédia-pastelão "Miss Simpatia", Sandra Bullock parece que preferiria estar limpando um chiqueiro --embora seja exatatamente isso que ela está fazendo em alguns aspectos.

Com a história se passando apenas três semanas após o que aconteceu no primeiro filme, que foi lançado em 2000, "Miss Simpatia 2 - Armada e Poderosa" traz Bullock como a agente do FBI charmosamente desajeitada, Gracie Hart, tentando em vão se libertar da sua involuntária condição de celebridade.

Em sua última missão, Gracie havia se infiltrado num concurso de beleza, se transformando de patinho feio em cisne, num desempenho que lhe rendeu legiões de mulheres fãs em todos os Estados Unidos.

Depois que cai o disfarce de Gracie em pleno assalto a banco, colocando em perigo tanto ela como todos os outros agentes secretos em sua equipe, os "poderosos que contam" decidem que ela deve ser transformar na "face do FBI".

Gracie, machucada após ser rejeitada por um homem que lhe interessara em termos românticos (o agente vivido no primeiro filme por Benjamin Bratt, que agora sabiamente não deu as caras na sequência), concorda em desempenhar nova missão, sob o tênue argumento de que circular com roupas de estilo é melhor para a alma e para a carreira do que o trabalho burocrático.

Então, depois de uma consulta com o obrigatório e afetado guru de estilo, Joel (Diedrich Bader), Gracie ainda passa por mais uma transformação, destinada a remover todos os vestígios de charme e integridade presentes em seu personagem. É como se a agente Clarice Starling, de "O Silêncio dos Inocentes", encontrasse Paris Hilton.

Normalmente uma presença cênica efervescente, Sandra Bullock agora tem um desempenho chocho como champagne aberta na véspera. É difícil não culpá-la, principalmente devido ao trabalho vulgar empreendido tanto pelo roteirista Marc Lawrence, que ajudou a escrever o primeiro "Miss Simpatia", como pelo diretor John Pasquin, cujos crimes anteriores contra o cinema foram perpetrados em obras como um veículo para Tim Allen chamado "Meu Papai é Noel" ("The Santa Clause").

O problema não é só porque "Miss Simpatia 2" praticamente não arranca uma gargalhada sequer; é que em vez de um roteiro e uma história, temos agora estereótipos e comédia com quadros isolados.

No lugar da dinâmica do pastelão e da expectativa pela resolução das situações, os realizadores nos dão piadas sobre tampões e um curioso desconforto quanto às opções sexuais, particularmente entre Gracie e uma raivosa agente com o abominável e nada sutil nome de Sam Fuller (numa referência ao veterano cineasta de filmes de ação).

Interpretada pela talentosa atriz Regina King, a agente Fuller passa a maior parte do tempo dando palmadas bem fortes em Gracie, um tique peculiar que só vai ficando ainda mais peculiar conforme o filme vai se arrastando.

Entre os débeis arremedos de trama e uma tempestade de socos abaixo da cintura, as duas mulheres desenvolvem uma rancorosa admiração uma pela outra que deveria, pela lógica dos clichês assumida pelas duas mulheres --Sam a super-machona, Gracie a mulherzinha-- se transformar numa espécie de romance.

Mas também essa expectativa não é cumprida. Em vez disso, o subliminar romance entre Gracie e Sam é suspenso em detrimento de um excesso de piadas desconfortáveis e sem graça, voltadas para o público gay masculino. O resultado é que, ao que parece, ser uma poderosa e fabulosa é muito mais perigoso para uma mulher (e estrela de cinema) do que estar armada.

"Miss Simpatia 2"

Dirigido por John Pasquin; escrito por Marc Lawrence; diretor de fotografia, Peter Menzies; editado por Garth Craven; coordenação de produção, Maher Ahmad; produzido por Marc Lawrence e Sandra Bullock; lançado pela Warner Brothers Pictures. Tempo de duração: 100 minutos.

Com: Sandra Bullock (Gracie Hart), Regina King (Sam Fuller), Enrique Murciano (Jeff Foreman), William Shatner (Stan Fields), Ernie Hudson (McDonald), Heather Burns (Cheryl), Diedrich Bader (Joel) e Treat Williams (Collins). É como se a agente do FBI Clarice Starling encontrasse Paris Hilton Marcelo Godoy

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host