UOL Notícias Internacional
 

24/03/2005

Rumsfeld critica a Venezuela por adquirir armas

The New York Times
Todd Benson

Em São Paulo
O secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, intensificou a guerra de palavras entre a administração Bush e o governo venezuelano nesta quarta-feira (23/03), sugerindo que o plano do país sul-americano no sentido de adquirir 100 mil fuzis de assalto da Rússia poderia desestabilizar ainda mais uma região já tumultuada.

"Não posso imaginar o que vai acontecer com 100 mil AK-47s", disse ele em uma entrevista coletiva à imprensa em Brasília, a capital brasileira, onde se reuniu com o vice-presidente e ministro brasileiro da Defesa, José Alencar. "Não dá para imaginar por que a Venezuela precisa de 100 mil AK-47s".

"Eu só espero, pessoalmente espero, que isso não aconteça", acrescentou Rumsfeld. "Não consigo imaginar que isso, se realmente acontecer, seja algo de bom para o hemisfério".

Os comentários de Rumsfeld foram os mais recentes de uma série de advertências públicas de autoridades graduadas norte-americanas ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre aquilo que a administração Bush vê como uma preocupante escalada armamentista.

O governo Chávez tem se movimentado no sentido de modernizar as suas mal equipadas forças armadas, que possuem 100 mil integrantes, gerando inquietação tanto em Washington quanto na vizinha Colômbia.

Além dos fuzis de assalto, a Venezuela concordou em comprar pelo menos dez helicópteros militares da Rússia, e está considerando a possibilidade de renovar a sua força aérea com caças russos MiG.

Chávez falou ainda de uma "cooperação militar" com o Brasil e manifestou interesse na compra de até 24 aviões de patrulha Super Tucano feitos pela Empresa Brasileira de Aeronáutica, a Embraer.

A administração Bush, cujas relações com a Venezuela têm ficado cada vez mais tensas desde que Washington apoiou tacitamente um breve golpe contra Chávez em 2002, sugeriu que as compras de armas poderiam acabar beneficiando "grupos irregulares", em uma referência aos rebeldes da vizinha Colômbia.

Chávez, um pára-quedista militar que liderou um golpe fracassado em 1992, tem relutado em condenar abertamente os guerrilheiros colombianos, fazendo com que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, chamasse o líder venezuelano de "uma força negativa" na América Latina.

Chávez respondeu raivosamente às criticas de Washington, chegando ao ponto de alertar para a possibilidade de uma invasão norte-americana. Além de reequipar as suas forças armadas, Chavez anunciou planos para expandir as chamadas unidades populares de defesa, uma espécie de milícia de cidadãos.

Rumsfeld veio ao Brasil para discutir o crescente papel de liderança deste país na região, incluindo a sua missão de paz no Haiti. Mas alguns analistas sugeriram que o secretário de Defesa possa ter utilizado a visita para pedir o apoio do Brasil para moderar Chávez. Hugo Chávez poderá comprar aviões brasileiros Super Tucanos Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    12h00

    0,45
    3,172
    Outras moedas
  • Bovespa

    12h07

    0,32
    74.685,07
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host