UOL Notícias Internacional
 

26/03/2005

Schiavo pediu para continuar viva, diz advogada

The New York Times
Rick Lyman

Em Pinellas Park, Flórida
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    As tristes fileiras de manifestantes cresceram na última sexta-feira (25/03) do lado de fora do asilo no qual Terri Schiavo morre lentamente, enquanto mais duas apelações legais de última hora eram impetradas --e negadas-- nos tribunais. É cada vez maior a sensação por aqui de que este drama político e religioso estava chegando rapidamente à uma melancólica conclusão.

    "Terri está enfraquecendo e está vivendo suas últimas horas", disse o pai da mulher, Bob Schindler, aos repórteres sob um céu nublado. "Algo tem que ser feito, e tem que ser feito depressa."

    A pergunta sobre se Terri Schiavo, que apresenta uma grave lesão cerebral, deve ser autorizada a morrer, como seu marido, Michael Schiavo, disse que ela queria, ou se deve ser entregue aos cuidados de seus pais, Bob e Mary Schindler, que desejam mantê-la viva, deixou este pequeno asilo isolado, em uma travessa sem saída, e chegou ao legislativo estadual, ao Vaticano, à Casa Branca e ao Congresso.

    Os Schindlers disseram que os médicos lhes informaram que sua filha provavelmente viveria por sete a dez dias após a remoção do tubo de alimentação, que foi retirado há uma semana, em 18 de março.

    A coincidência do drama com o fim de semana da Sexta-Feira Santa e da Páscoa deixou os manifestantes reunidos aqui ainda mais fervorosos. A certa altura nesta tarde, enquanto a multidão cantava "Amazing Grace" e "Onward Christian Soldiers", manifestantes que seguravam copos plásticos de água para Schiavo ultrapassavam um a um o isolamento policial no asilo e eram levados sob custódia.

    Ainda lutando apesar da série de derrotas legais em várias instâncias, até a Suprema Corte dos Estados Unidos, os advogados dos Schindlers impetraram uma moção na sexta-feira junto ao juiz George Greer, do tribunal de Pinellas-Pasco, que ordenou a remoção do tubo, com o que disseram ser uma "informação nova altamente significativa" indicando que Terri Schiavo está mais capaz de se comunicar do que antes se acreditava.

    Barbara Weller, uma das advogadas, disse que ela esteve no quarto da mulher no dia em que o tubo foi removido.

    A moção apresentada a Greer diz que "a certa altura durante sua visita, Weller tentou obter uma declaração direta de Schiavo sobre seu desejo de colocar um fim à sua vida". Ela prossegue: "A sra. Weller disse à sra. Schiavo que todo o problema poderia terminar se a sra. Schiavo pudesse articular uma frase: 'I want to live' (Eu quero viver). Na presença de Suzanne Vitadamo, a tia da sra. Schiavo, ela tentou verbalizar a frase. Ela conseguiu articular duas vogais, primeiro articulando 'Ahhh', e então virtualmente gritando 'Waaa'. Ela ficou bastante agitada, mas não conseguiu concluir a verbalização tentada".

    Os Schindlers argumentaram que sua filha parecia estar tentando dizer "Eu quero", e que seu tubo de alimentação deveria ser reinserido para determinar se ela é capaz de se comunicar.

    George Felos, o advogado de Michael Schiavo, considerou a moção "ultrajante" e "um abuso do sistema legal", dizendo que a questão sobre se Terri Schiavo é capaz de se comunicar já foi tratada em audiências anteriores. "Isto é apenas um reflexo causado quando ela é tocada", ele disse.

    Greer disse que julgará a moção até o meio-dia de sábado.

    Apesar da moção só ter sido impetrada no final da tarde de sexta-feira, o boato de que Terri Schiavo tentou falar correu entre a multidão de manifestantes e já começava a aparecer nos cartazes.

    "Terri: Eu quero viver", dizia um. "Terri pede comida para sua mãe", dizia outro.

    Em uma segunda manobra legal, desta vez em tribunais federais, os advogados dos Schindlers pediram ao Tribunal de Apelações do 11º Circuito, em Atlanta, para que fosse derrubada a decisão do juiz distrital James D. Whittemore, que negou o argumento deles de que foi negado a Terri Schiavo o direito ao devido processo.

    Como tem sido o caso desde que as multidões começaram a se formar no início desta semana, quase todos os manifestantes do lado de fora do asilo Woodside estavam ao lado dos Schindlers, exigindo a reinserção do tubo de alimentação de Terri Schiavo.

    "Eu acredito que o que está acontecendo aqui é um ato sinistro", disse Marilyn Aleman, de Orlando. O cartaz dela, dirigido a Michael Schiavo, "Divórcio é uma opção, assassinato não", era balançado pela brisa.

    Mas um punhado de outros manifestantes acenavam silenciosamente cartazes pedindo para que Terri Schiavo fosse autorizada a morrer em paz. "Há outro lado nisto", disse Raymond Simms, que se descreveu como sendo um advogado de veteranos. "Ninguém, nem mesmo o governo, deveria ser autorizado a interferir nas decisões entre marido e mulher."

    Os pastores na multidão pediam calma e perdão, mas os ânimos estavam claramente no limite. "É fácil ficar enfurecido aqui", disse o pastor Rick Barnard da igreja My Faith House of Prayer, em Morris, Illinois, enquanto realizava o serviço religioso do meio-dia do lado de fora do asilo. "Nós precisamos pedir ao Senhor a graça para perdoar até mesmo aqueles que se opõem a nós."

    Ao mesmo tempo, muitos dos cantos e slogans começavam a adquirir um tom horrível. "A pele dela está escamando", dizia um cartaz. "O nariz e lábios de Terri estão sangrando", dizia outro.

    Alguns manifestantes até mesmo olhavam além da morte de Terri Schiavo. "Sem cremação", dizia um cartaz. "Nós queremos uma autópsia."

    Michael Schiavo e Greer continuavam sendo os alvos principais.

    Mas na sexta-feira grande parte da revolta também passou a ser direcionada ao governador Jeb Bush e seu irmão, o presidente Bush, por não tomarem maiores medidas para manter Terri Schiavo viva, apesar de seus esforços para incitar os tribunais e pedidos para que os legisladores ficassem "do lado da vida", como disse o presidente Bush no início desta semana.

    "Presidente Bush, governador Bush: temam a Deus mais do que o homem", dizia um cartaz acenado pelos manifestantes na direção de um aglomerado de câmeras e repórteres posicionados do outro lado da rua, um grupo cujo tamanho triplicou nos últimos três dias.

    "Para ser justo, Jeb Bush fez muito em prol de Terri, mas como a história se lembrará dele se Terri morrer?" perguntou Andrew Doran, um porta-voz da Crossroads, Pro-Life, um dos grupos que estão realizando a vigília. "Provavelmente como um fraco, um covarde moral que não teve a coragem de salvar uma mulher moribunda e indefesa daqueles que tão veementemente desejam tirar sua vida."

    Randall Terry, o veterano ativista antiaborto e chefe de um grupo chamado Sociedade pela Verdade e Justiça, distribuiu o que disse ser cinco pareceres legais mostrando que o governador teria mais poderes do que parece disposto a empregar.

    Mas o governador disse aos repórteres que pediu aos advogados do Estado para que procurassem qualquer opção legal para Terri Schiavo receber de volta seu tubo de alimentação, mas que eles não encontraram nenhuma. "Eu não posso ir além do que meus poderes permitem", disse o governador Bush aos repórteres.

    Os manifestantes passaram o dia cantando e rezando por Terri Schiavo. Quase todos eles permaneceram de costas para o asilo e de frente para as câmeras de televisão do outro lado da rua, para transmitirem sua opinião. Marido nega que ela possa se manifestar; pais seguem recorrendo George El Khouri Andolfato
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