UOL Notícias Internacional
 

02/04/2005

Pelo menos 30 pessoas morrem em chacina noturna em subúrbio do Rio de Janeiro

The New York Times
LARRY ROHTER

No Rio de Janeiro
Pelo menos 30 pessoas foram mortas por disparos feitos de veículos em movimento em dois subúrbios perigosos de classe trabalhadora, na noite desta quinta-feira (31/03) e madrugada de sexta-feira (01/04), no que as autoridades cariocas descreveram como talvez a pior chacina na história desta metrópole freqüentemente violenta.

Em uma coletiva de imprensa realizada aqui na sexta-feira, o secretário de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Itagiba, insinuou fortemente que os atiradores podem ser policiais militares irados com uma recente campanha de repressão à violência policial e corrupção.

As prisões de policiais corruptos podem ter incitado outros "que não sabem como usar uniformes e distintivos" a realizarem represálias contra a população civil que supostamente deveriam defender, disse ele.

"Estamos realizando uma limpeza na polícia na Baixada Fluminense", acrescentou Itagiba. "Se há policiais envolvidos no crime, eles serão os primeiros a ser apresentados e execrados, porque não são policiais, mas animais."

Testemunhas disseram que as vítimas, entre elas um menino de 7 anos e alguns adolescentes, foram fuzilados por quatro homens em um carro branco.

Alguns dos mortos foram baleados enquanto permaneciam do lado de fora de um lava-rápido enquanto outros foram mortos enquanto estavam parados na frente de um bar, em um local chamado Praça da Bíblia, correndo em busca de segurança na direção da rodovia, ou por simplesmente estarem caminhando na rua em uma noite quente de outono.

No início desta semana, dois homens na mesma área, um deles um traficante de drogas condenado, foram levados de um bar e assassinados, com a cabeça de um deles sendo atirada por cima do muro de uma delegacia de polícia.

Segundo noticiários locais, câmeras de vigilância mostraram oito homens, sete em uniformes policiais, dirigindo até a delegacia e despejando os corpos. Com base nesta informação, oito policiais militares foram presos na quarta-feira.

Grupos de direitos humanos no Brasil e no exterior há muito criticam a polícia daqui por seu comportamento violento, incluindo dezenas de execuções sumárias. Nos últimos anos, também proliferaram acusações de que a polícia aceita suborno e oferece proteção para as gangues de drogas que controlam as favelas do Rio.

Vigário Geral

Até a chacina de quinta-feira, tratada pela imprensa local como "massacre", o mais notório ato de violência aqui ocorreu em 1993. Naquele incidente, 21 pessoas foram mortas em uma favela, no que as autoridades posteriormente disseram ter sido uma retaliação pela morte de um grupo de policiais que estaria envolvido no tráfico de drogas de lá.

Poucas semanas antes daquilo, homens atiraram contra 45 crianças de rua que estavam dormindo do lado de fora de uma igreja do centro da cidade, matando oito delas. Policiais militares também foram acusados de ser os autores de tais mortes, mas três dos seis acusados foram absolvidos por um júri mais de uma década depois.

A região onde ocorreu a chacina, conhecida como Baixada Fluminense, é lar de mais de 2 milhões de pessoas e tem uma reputação de pobreza e crime. Durante a ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, esquadrões da morte de policiais e militares operavam com impunidade lá, matando ladrões e outros pequenos criminosos, à vezes a pedido de lojistas e empresas de segurança frustrados com a lentidão do sistema judiciário. Policiais são maiores suspeitos por mortes na Baixada Fluminense George El Khouri Andolfato

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