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05/04/2005

Conservadores oferecem reflexões universais

The New York Times
David Brooks

Em Nova York
NYT Image

David Brooks é colunista
Estamos vivendo a era da imitação liberal. Al Franken tenta criar uma versão liberal de Rush. O ex-presidente Al Gore anunciou a sua rede de televisão na segunda-feira (4/4). Vários democratas tentaram montar uma Fundação Heritage liberal.

A idéia é que os liberais devem criar sua versão de pirâmide conservadora. Estes transformaram fundações, organizações e veículos de mídia numa brutalmente eficaz máquina de mensagens. Os liberais, por outro lado, perdem a batalha porque estão muito divididos entre nuances e porque praticam o "livre pensar".

Por mais que eu admire os meus amigos da esquerda por explicarem engenhosamente as suas recentes derrotas sem realmente considerarem a possibilidade de que talvez a substância das suas idéias é que seja o problema real, tenho que dizer que essa explicação para o sucesso conservador e o fracasso liberal não encontra base na realidade.

Os conservadores não triunfaram porque construíram uma máquina de comunicação disciplinada e eficiente. Eles prosperaram porque estão divididos em facções discordantes que brigam incessantemente. À medida que essas facções se multiplicaram, mais gente passou a se intitular conservadora por encontrar uma facção com a qual concordava.

Nos primórdios da "National Review" [publicação conservadora americana], vários dos seus principais editores não falavam uns com os outros. Whittaker Chambers declarou que os escritos de Ayn Rand, um herói da direita mais libertária, cheiravam a fascismo e a câmaras de gás. Rand chamou a "National Review" de "a pior e mais perigosa revista dos Estados Unidos".

Desde então as coisas foram sempre assim --os neoconservadores brigando com os conservadores religiosos, a velha direita com a nova, internacionalistas versus isolacionistas, os defensores da redução dos impostos versus os conservadores fiscais.

As principais revistas conservadoras --"The Weekly Standard", "National Review", "Reason", "The American Conservative", "The National Interest", "Commentary"-- não concordam em quase nada.

As brigas revelam que o significado do conservadorismo está sempre mudando. No passado, os republicanos eram isolacionistas. Agora, a maioria dos republicanos, segundo uma pesquisa de The New York Times, acredita que os Estados Unidos deveriam tentar transformar ditaduras em democracias quando pudessem. Enquanto isso, 78% dos democratas acreditam que os Estados Unidos não deveriam procurar democratizar regimes autoritários.

Além do mais, não são apenas as brigas que têm sido a chave para o sucesso conservador. Também são importantes os motivos dessas brigas.

Quando o conservadorismo moderno se tornou consciente de si próprio, os conservadores estavam tão distantes do poder que sequer valia a pena pensar em prescrições políticas. Eles falavam a respeito da ordem do universo, e sobre como a ordem social deveria refletir a ordem moral.

Facções diferentes se espelharam em filósofos diferentes --Burke, São Tomás de Aquino, Hayek, Hamilton, Jefferson-- para definirem como deveria ser uma sociedade justa.

Os conservadores passaram a ser altamente conscientes dos seus ancestrais intelectuais e caíram no hábito de travar grandes discussões a respeito de filosofia pública. E isso mostrou ser algo importante.

Ninguém se junta a um movimento devido à admiração pelo seu plano de reforma de direitos individuais. As pessoas se unem a tais movimentos porque crêem que as visões destes a respeito da natureza humana e da sociedade sejam verdadeiras.

Os liberais não tiveram um debate comparável no campo da filosofia pública. Há um ano, liguei para o diretor de uma conhecida instituição liberal de pesquisas e lhe perguntei qual era o seu filósofo favorito. Se tivesse perguntado a respeito do sistema de saúde, ele seria capaz de me responder com quatro horas de exposição brilhante, mas, em se tratando da minha pergunta, tropeçou e disse que me ligaria de volta. Ele nunca ligou.

Os liberais têm menos consciência da filosofia pública porque o liberalismo moderno foi formado no seio do governo, e não afastado dele. Além disso, os teóricos liberais são mais influenciados pelo pós-modernismo, pelo multiculturalismo, pelo relativismo, pelo pluralismo de valores, e por todas as outras influências que dissuadem qualquer um de confiar firmemente em homens brancos falecidos.

Como resultado, os liberais são bons quando se trata de falar sobre direitos, mas não tão bons quando o negócio é expressar opiniões a respeito da ordem universal.

Se eu fosse um liberal, como era antigamente, não desejaria o disciplinamento da comunicação. Em vez disso, aproveitaria a oportunidade para me engajar em uma grande discussão sobre aquilo que escreveram Thomas Paine, Herbert Croly, Isaiah Berlin, R.H. Tawey e John Dewey. Eu falaria sobre a natureza humana e o caráter norte-americano.

Na desunião existe força. enquanto os liberais apresentam respostas para questões mudanas Danilo Fonseca

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