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05/04/2005

Emprego de aeronaves guiadas por controle remoto muda a tática americana no Iraque

The New York Times
Eric Schmitt

Na Base Nellis da Força Aérea, Nevada
Nos céus sobre o Iraque, o número de aeronaves por controle remoto --instrumentos cada vez mais cruciais no rastreamento de rebeles, detecção de bombas em estradas, proteção de comboios e lançamento de ataques com mísseis-- aumentou para mais de 700 em comparação a apenas um punhado quatro anos atrás, disseram oficiais militares.

Peter DaSilva/The New York Times

Pentágono pretende gastar até US$ 13 bilhões ao longo da década em aviões como o Predator
À medida que as forças armadas americanas continuam mudando seu foco para missões antiinsurreição e antiterrorismo, as aeronaves não tripuladas estão em tamanha demanda que o Pentágono deverá gastar mais de US$ 13 bilhões nelas até o final da década.

Elas estão sendo colocadas em serviço tão rapidamente que várias divisões de inteligência e das forças armadas estão lutando para atender à crescente demanda por pilotos e a falta de uma política e estratégia estabelecida sobre como usá-los.

Há cerca de uma dúzia de variedades em serviço no momento, dos Ravens de 2 quilos, que voam apenas acima da copa das árvores, até os gigantes Global Hawkins, que podem atingir 60 mil pés e realizar missões sofisticadas de reconhecimento.

Apesar de grande parte do apelo das aeronaves é o fato de manterem as tripulações longe da linha de fogo, há tantos deles sobrevoando as áreas de combate que, na verdade, o espaço aéreo está ficando perigosamente congestionado.

Em novembro, por exemplo, um minúsculo avião de vigilância Raven do Exército se chocou contra um helicóptero Kiowa de escolta, sem deixar feridos ou provocar danos sérios, mas gerando preocupações de segurança.

Oficiais do Exército insistem que foi um caso isolado, e citaram procedimentos de vôo mais rígidos e adição de luzes estroboscópicas para as aeronaves menores de lá para cá. Mas outros oficiais militares notaram vários casos em que os acidentes não ocorreram por pouco.

"O que isto mostra é que temos que assegurar que a falta de controle do espaço aéreo e a separação destas coisas não contribuam para desastres, com estas coisas atingindo umas às outras", disse o general John P. Jumper, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, sobre o acidente de novembro em uma entrevista.

Um dos centros de comando para aeronaves não tripuladas está aqui, espalhado entre meia dúzia de trailers mal iluminados nesta base aérea próxima de Las Vegas. Pequenas equipes de guerreiros por controle remoto manuseiam joysticks para pilotar as aeronaves armadas Predator a 12 mil quilômetros de distância, no Iraque ou no Afeganistão. Assim que os Predators decolam lá, as equipes de pilotagem daqui assumem o controle.

O Predator, que pode carregar mísseis Hellfire ar-terra, é o mais conhecido da esquadrilha pilotada por controle remoto. É uma aeronave deselegante movida a hélice que voa a apenas 130 quilômetros por hora, podendo voar continuamente por 24 horas ou mais a 10 mil a 15 mil pés acima do campo de batalha.

Pilotos e co-pilotos, que operam as lentes de zoom do Predator, radar e sensores de infravermelho, ficam sentados lado a lado diante de uma série de consoles e telas de computador, que lhes permitem ver o que o Predator vê enquanto falam com as tropas no solo por rádio ou e-mail. Os soldados e batedores podem receber imagens de vídeo ao vivo do Predator em computadores laptop especialmente equipados.

"Eu posso vigiar os fundos de um prédio em busca de um bandido escapando enquanto as tropas entram pela frente, e iluminá-lo com um raio infravermelho que nossos soldados poderão ver com seus óculos de visão noturna", disse o major John Erickson, 33 anos, um piloto de caça F-16 que passou os últimos 18 meses em um cockpit fixo aqui.

A Força Aérea anunciou no mês passado que estava adicionando 15 novas esquadrilhas de Predators às três já existentes. Os comandantes disseram que a aeronave teve recentemente um papel chave no ataque a equipes rebeldes armadas com morteiros e ao alertar comboios sobre bloqueios de estrada suspeitos, que podiam ser emboscadas.

Para enterrar as bombas em estrada, os rebeldes freqüentemente enchem a rua de gasolina, colocam fogo e cavam o asfalto amolecido pelo calor para depositar o explosivo. Os sensores de calor do Predator detectam as áreas quentes e alertam os soldados nas proximidades, disseram oficiais militares.

Os Predators também são cada vez mais a arma preferida da Agência Central de Inteligência (CIA). Os mísseis Hellfire lançados de um Predator, três anos atrás, destruíram um carro no Iêmen, matando um agente da Al Qaeda e cinco outros ocupantes em seu interior.

Em agosto passado, os Estados Unidos colocaram secretamente em operação uma nova versão, maior, mais rápida e com mais armamentos chamada Predator B, para uso da CIA no Oriente Médio, disseram funcionários do governo.

Com todo comandante exigindo um ponto de vista aéreo do campo de batalha, as operações 24 horas estão colocando pressão sobre aeronaves e operadores. Apenas na semana passada, dois Predators de US$ 5 milhões caíram perto de sua base no norte de Bagdá, elevando para 25 o número das aeronaves perdidas no Iraque e Afeganistão por tempestade, erro do piloto, fogo inimigo ou falha mecânica desde os ataques de 11 de setembro, disse a Força Aérea.

A Força Aérea está constantemente treinando novos pilotos de Predator e operadores de sensores em uma base no deserto, a 70 quilômetros a noroeste daqui. Mas o general-de-divisão Stephen M. Goldfein, o comandante do centro de combate aéreo daqui, disse que dispõe apenas da metade dos pilotos de Predator que necessita, e teme o estresse que o trabalho de oito horas por dia, seis dias por semana, provoca neles.

O menor atrativo de pilotar aviões não tripulados em vez de jatos poderosos também tem afetado o recrutamento. Erickson e outros controladores de Predators notaram que, apesar da pilotagem dos aviões não tripulados ter provado ser inesperadamente satisfatória, eles não vêem a hora de voltar para cockpits reais. "Não se compara a enfrentar nove Gs e olhar para o céu azul no alto", disse ele.

Em Washington, uma forte concorrência surgiu entre o Exército, Marinha, Corporação Marine e Força Aérea sobre qual força armada será responsável pela coordenação da política e estratégia envolvendo aeronaves não tripuladas.

O Estado-Maior das Forças Armadas se reuniu duas vezes na semana passada para discutir estas decisões sensíveis. As empresas que fornecem à Defesa estão soterrando o Pentágono e o Capitólio com projetos potenciais, na esperança de receber parte dos bilhões de dólares que as forças armadas planejam investir em aeronaves pilotadas por controle remoto, conhecidas pelos militares como veículos aéreos não tripulados (UAV). "Há muita gente mascateando UAVs no momento", disse Jumper.

De fato, um novo relatório do Escritório Geral de Auditoria (GAO), a divisão de investigação do Congresso, alerta que o planejamento do Departamento de Defesa fracassou em acompanhar o rápido desenvolvimento e colocar em campo as aeronaves não tripuladas.

"O Departamento de Defesa ainda carece de um plano estratégico viável e de uma entidade de supervisão para guiar os esforços de desenvolvimento dos UAV e tomar as decisões de investimento relacionadas", disse o relatório, divulgado em 9 de março. Ele disse que uma força-tarefa do Pentágono, criada para tratar de tais questões, tem autoridade limitada e nenhum poder de implementação dos programas.

Cerca de 750 a 800 aeronaves não tripuladas estão operando no Iraque e no Afeganistão, com a grande maioria no Iraque, disseram dois oficiais militares. Desde o início da guerra, todos as aeronaves não tripuladas que estão sendo usadas agora no Afeganistão decolam e pousam no Paquistão.

Cerca de duas dúzias dos 58 Predator da Força Aérea estão voando nos dois países, disseram oficiais. Na batalha de Fallujah e arredores em novembro passado, os Predators dispararam cerca de 40 mísseis Hellfire. Um Global Hawk opera na região do Golfo Pérsico.

Além destas aeronaves, a Corporação Marine conta com 100 veículos aéreos voando no Iraque, incluindo Pioneers e Dragon Eyes. O Exército está empregando centenas de Ravens, assim como os maiores Shadow, Hunter e I-Gnat.

"Nós estamos usando até o limite", disse o tenente coronel Stephen K. Iwicki, um alto oficial de inteligência do Exército, sobre o Hunter, para o qual a força está desenvolvendo um pequeno projétil explosivo guiado por laser, chamado Viper Strike.

Apesar de alguns pilotos no Iraque terem manifestado preocupação com a divisão do espaço aéreo com os veículos não tripulados, as aeronaves são populares junto às tropas de solo.

O sargento Rowe Stayton, que acabou de servir como líder de infantaria no norte de Bagdá, é fã do Raven em particular. Ele lembrou de um incidente no qual a aeronave rastreou alguns rebeldes após terem desenterrado algo e colocado em um veículo. Os soldados posteriormente apreenderam o veículo e o encontraram cheio de morteiros. Utensílio tem-se provado eficaz na descoberta de ações rebeldes George El Khouri Andolfato

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