UOL Notícias Internacional
 

05/04/2005

Milhares homenageiam papa em velório público

The New York Times
Elaine Sciolino e Daniel J. Wakin

Na Cidade do Vaticano
O corpo do papa João Paulo 2º, colocado sobre um estrado de veludo vermelho, foi carregado nesta segunda-feira (4/4) em uma procissão solene do Palácio Apostólico do Vaticano, e apresentado a um público reverente na Praça de São Pedro.

James Hill/The New York Times

Corpo de João Paulo 2º é trasladado do Palácio Apostólico para a Basílica de São Pedro
A procissão de padres e cardeais, guardas suíços e monges carregando velas percorreu lentamente corredores com afrescos e escadarias de mármore enquanto um coral masculino cantava salmos e orações em latim.

O corpo do papa de 84 anos, que morreu dois dias atrás em seu quarto no palácio, foi mantido no alto por 12 homens vestidos de preto e com luvas brancas que carregam a cadeira pontifícia. Assim que o corpo do papa entrou na ensolarada Praça de São Pedro, aplausos --uma reação italiana tradicional a qualquer evento importante-- romperam o silêncio.

Pouco antes de entrarem na Basílica de São Pedro, os carregadores fizeram uma pausa e voltaram o corpo do papa na direção da multidão. Os aplausos recomeçaram.

Eles abaixaram o corpo dele em frente ao altar central, e pouco antes das 8h, os porteiros do Vaticano abriram a basílica do século 16 para dezenas de milhares de pessoas que enchiam a Praça de São Pedro, fazendo fila em um amplo bulevar que leva ao Rio Tiber e descendo por uma travessa.

Muitos esperaram por mais de oito horas, espremidos entre barricadas policiais, pela lenta aproximação até as portas da basílica. Autoridades do Vaticano se esforçavam para manter a fila andando.

Para assegurar que o máximo de visitantes possível possa ver o papa antes de seu enterro, a basílica só ficará fechada das 2h da madrugada até as 5h, para o que descreveram como "manutenção técnica", disse o porta-voz chefe do Vaticano, o dr. Joaquin Navarro-Valls.

Além do ritual histórico e do pesar público, a segunda-feira também foi um dia de sérias tomadas de decisão.

Dentro do palácio, os cardeais assumiram o controle temporário da igreja e juraram sigilo sobre suas deliberações. Eles agendaram o funeral do papa e deixaram claro que o papa será enterrado aqui, segundo a tradição, e não em seu país de origem, a Polônia, como alguns especularam.

A cidade de Roma começou a fazer preparativos elaborados para receber milhões de visitantes para as cerimônias, incluindo o presidente Bush e os líderes eleitos da França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Refletindo o rico simbolismo da cerimônia matinal, Piero Marini, o mestre de cerimônias litúrgicas papais, escolheu como veste final para o papa um traje vermelho que João Paulo freqüentemente vestia quando percorria as estações da Via-Crúcis, que representa a paixão de Cristo, disse a televisão estatal italiana.

Vestindo a mitra na cabeça, com seus pés voltados para fora desajeitadamente, a pele de seu rosto gredosa e tesa, o corpo do papa foi colocado em frente ao altar central da Basílica de São Pedro. Lá, o cardeal Eduardo Martinez Somalo, o camerlengo papal, o abençoou com água benta e incenso e convocou os fiéis à oração.

"Ó, Senhor, nossa salvação, escute àqueles que estão orando a você com todos os santos", disse o cardeal. "Receba nosso papa, João Paulo, que confiou na oração da Igreja, em Cristo nosso Senhor. Conceda-lhe o descanso eterno, nosso Senhor. Que a luz perpétua brilhe sobre ele. Que ele descanse em paz."

Sessenta e cinco dos cardeais da igreja se reuniram na Sala Bologna do Palácio Apostólico para a primeira reunião da Congregação Geral dos Cardeais desde a morte do papa, no sábado. Eles foram liderados pelo decano dos cardeais, o cardeal Joseph Ratzinger, que certamente terá um papel de liderança durante o conclave papal de cardeais que elegerá o papa.

Eles se sentaram ao redor de uma mesa em forma de U, com Ratzinger no centro de sua base, disse um alto funcionário do Vaticano que participou das reuniões. Ele falou sob a condição de anonimato.

Ressaltando o mistério que cercará grande parte de suas palavras e atos, os cardeais juraram sigilo, como ditado pela constituição que regula as transições papais, redigida por João Paulo 2º em 1996. Eles determinaram a hora e data do funeral de João Paulo para as 10h de sexta-feira, na Praça de São Pedro, disse Navarro-Valls em uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

Imediatamente após o funeral, o papa será enterrado em uma cripta sob a basílica, o local de enterro tradicional dos papas.

"Ele não deixou nenhum desejo, e assim seguiremos a tradição", disse Navarro-Valls. De certa forma, o velório público teve início no domingo, com as câmeras de televisão freqüentemente transmitindo ao vivo imagens do corpo do papa exposto na Sala Clementina do Palácio Apostólico. Foi uma exposição sem precedente de um papa morto, e em concordância com a profunda consciência dele do poder da televisão e outras mídias na disseminação de sua mensagem.

A reunião dos cardeais foi a primeira vez que tantos deles se reuniam desde a morte do papa, e muitos mais devem chegar nos próximos dias, cada um prestando o juramento de sigilo e obediência à constituição assim que chegarem.

Muitos provavelmente já começaram a avaliar quem entre eles será o melhor sucessor de João Paulo. Tal decisão, por votação, ocorrerá durante o conclave.

Não se sabe se os cardeais já estabeleceram uma data para o início do conclave, quando os 117 cardeais que votam se reunirão na Capela Sistina para deliberar o futuro da Igreja e seus 1,1 bilhão de seguidores e escolher um entre eles como o próximo papa.

"Foi realmente uma reunião de negócios entre os cardeais", disse o cardeal Theodore E. McCarrick, de Washington, para a CNN na segunda-feira. "Nós nos reunimos para nos certificarmos de que estamos fazendo isto da forma como o Santo Padre queria que fizéssemos, seguindo suas instruções e seguindo a orientação que ele nos deu na constituição."

Ele acrescentou: "Tudo foi feito de acordo com as diretrizes. E acho que ficamos satisfeitos em termos seguido a orientação que ele nos deu e fomos fiéis ao que ele nos pediu que fizéssemos".

O alto funcionário do Vaticano disse: "Eles foram amistosos e gentis uns com os outros como sempre".

Navarro-Valls disse que João Paulo "quase certamente" será colocado no espaço onde ficava o corpo do papa João 23, de sua morte em 1963 até 2000, quando foi transferido para o piso principal da basílica. Aquele foi o ano em que João 23 foi beatificado, o primeiro passo para a canonização, e a grande quantidade de peregrinos necessitava de maior espaço.

A cidade de Roma está se preparando para receber uma estimativa de 2 milhões de visitantes. Multidão aplaude durante o traslado do corpo de João Paulo 2º George El Khouri Andolfato

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