UOL Notícias Internacional
 

06/04/2005

Iraque chega a acordo para preenchimento de altos cargos governamentais

The New York Times
Edward Wong

Em Bagdá
Os principais partidos políticos do Iraque concordaram nesta terça-feira (5/4) à noite em designar um presidente e dois vices em uma reunião da assembléia nacional que ocorre nesta quarta-feira, colocando fim a um impasse de dois meses nas negociações para a formação de um novo governo.

A assembléia deverá nomear Jalal Talabani, um líder curdo, presidente; Adel Abdul Mahdi, um proeminente político árabe xiita, vice-presidente; e o xeique Ghazi al-Yawer, o presidente árabe sunita do governo interino, para o outro cargo de vice-presidente, segundo Hussain al-Shahristani, vice-diretor da assembléia.

O acordo põe fim a um impasse entre os principais partidos que ameaçou destruir a confiança conquistada durante as eleições de 30 de janeiro, quando os iraquianos desafiaram as ameaças dos insurgentes e compareceram às urnas. Nas últimas semanas, o povo iraquiano demonstrou impaciência crescente com o impasse, e comandantes militares dos Estados Unidos advertiram que uma contínua ausência de governo poderia levar a um aumento da violência insurgente.

Os curdos pressionaram bastante para que Talabani fosse o presidente, e os partidos xiitas disseram semanas atrás que respeitariam a nomeação. Embora o primeiro-ministro, que provavelmente será um xiita, detenha a maior parte do poder, a nomeação de Talabani proporcionará aos curdos uma forte influência no novo governo e nas futuras negociações sobre a constituição permanente. A seguir, os curdos sem dúvida exercerão pressão para contarem com poderes autônomos mais amplos.

O presidente e os vices, que compõem o conselho da presidência, contarão com duas semanas a partir da sua nomeação para indicarem um primeiro-ministro, que a seguir selecionará um gabinete. O novo governo precisa ser aprovado pelo voto majoritário da assembléia, segundo a constituição interina.

Devido ao fato de serem necessários dois terços dos votos dos 275 membros da assembléia para que se instale o conselho da presidência, os principais blocos xiitas e curdos, que juntos possuem cadeiras suficientes para satisfazerem essa exigência, discutiram durante semanas a fim de tentar tirar o maior proveito possível dessa situação.

Eles discutiram questões tão variadas quanto o controle das rendas originárias do petróleo e o papel do islamismo no novo governo. Mais recentemente, os dois blocos discutiram com os partidos árabes sunitas a respeito de quem deveria ficar com os principais cargos no governo.

Os líderes partidários dizem que estão próximos de um acordo final quanto aos cargos no gabinete, mas precisam deixar de lado os compromissos quanto a questões mais estratégicas até a posse do novo governo.

Al-Shahristani, físico nuclear e membro proeminente do bloco xiita, disse que o conselho presidencial poderia nomear oficialmente o primeiro-ministro já na noite de quarta ou quinta-feira. O principal candidato ao posto é Ibrahim al-Jaafari, líder do Partido Islâmico Dawa, um partido xiita religioso.

Conforme o impasse político parecia caminhar para um fim, autoridades norte-americanas e iraquianas anunciaram uma onda de violência que resultou na morte de quatro soldados norte-americanos e de pelo menos um membro do exército iraquiano.

Dois dos norte-americanos e o militar iraquiano foram mortos em uma violenta batalha na segunda-feira contra dezenas de insurgentes no leste do Iraque, segundo as forças armadas dos Estados Unidos. A batalha teve início às 16h , quando dois batalhões do exército iraquiano se depararam com os guerrilheiros quando procuravam armamentos em uma parte remota da província de Diyala. Forças dos Estados Unidos enviaram apoio aéreo e tropas da 278ª Equipe de Combate Regimental.

Ação rebelde

A batalha foi a mais recente de uma série de confrontos nos quais tropas norte-americanas e iraquianas lutaram contra grandes grupos de insurgentes.

No último sábado, um grupo de 40 a 60 insurgentes lançou um ataque coordenado contra a prisão Abu Ghraib, ferindo pelo menos 24 norte-americanos e 13 prisioneiros iraquianos.

Forças iraquianas e norte-americanas atacaram no mês passado um campo de treinamento à beira de um lago que abrigava cerca de 80 insurgentes ao norte de Bagdá. Isso ocorreu apenas dias após um comboio norte-americano ter repelido um ataque de dezenas de insurgentes na cidade de Salman Pak, a sudeste de Bagdá.

Oficiais militares dos Estados Unidos dizem que não está claro se os insurgentes modificaram as suas táticas e passaram a organizar operações de larga escala e a se instalar em grandes acampamentos.

As forças armadas disseram que um soldado da Força Tarefa Bagdá morreu na manhã de terça-feira quando o seu veículo atingiu uma bomba plantada à beira da estrada na zona sul da capital. Um fuzileiro naval foi morto na segunda-feira por uma explosão na província de Anbar, a conflagrada região desértica dominada por árabes sunitas a oeste de Bagdá.

Em um outro sinal de crescentes tensões sectárias, uma autoridade do Ministério do Interior disse que cerca de 50 árabes xiitas armados bloquearam uma estrada a sudeste de Bagdá na terça-feira e detiveram 40 árabes sunitas em retaliação ao seqüestro de sete xiitas no dia anterior. A polícia enviou patrulhas para a área e descobriu 13 dos sunitas detidos em casas locais.

Autoridades da província de Babil, ao sul de Bagdá, disseram na terça-feira que a polícia da cidade de Musayyib achou uma sepultura coletiva na área. Nela estavam os corpos de dez policiais e soldados do exército iraquianos, todos vendados e de mãos amarradas. Eles foram mortos com vários tiros na cabeça.

O membro do Ministério do Interior informou que homens armados na zona oeste de Bagdá seqüestraram um comandante iraquiano, o general Jalal Muhammad Saleh, e vários dos seus guardas na manhã de terça-feira.

Autoridades romenas em Bucareste disseram que os três jornalistas romenos seqüestrados na semana passada foram libertados, segundo informaram agências de notícia. Florence Aubenas, jornalista francesa seqüestrada em janeiro, ainda está desaparecida.

Lideres dos principais blocos políticos árabes xiitas e curdos têm dito que é fundamental que os árabes sunitas sejam trazidos para o processo político a fim de conter a insurgência. Os árabes sunitas em grande parte boicotaram as eleições, de forma que contam com poucas cadeiras na assembléia.

Nos últimos dias, xiitas e curdos negociaram com os árabes sunitas a respeito de quem deveria ocupar o posto de vice-presidente que os partidos concordaram que caberia a um sunita.

De acordo com al-Shahristani, na noite de terça-feira três grupos sunitas apresentaram, cada um, uma lista de três candidatos aos blocos xiita e curdo, e o nome que apareceu em todas as listas foi o de al-Yawer.

Xiitas e curdos concordaram há mais de uma semana que Talabani deveria ser o presidente e que abdul Mahdi um dos vice-presidentes. Após examinarem as listas sunitas na terça-feira, eles se decidiram por al-Yawer para ser o outro vice-presidente, finalizando o processo de seleção. "Ele foi o denominador comum, por assim dizer, de todas as listas", afirmou al-Shahristani.

Adnan Pachachi, um importante político sunita e ex-ministro das Relações Exteriores, apresentou uma versão um pouco diferente para os eventos. Ele disse que na tarde de terça-feira um grupo de mais de 80 líderes árabes sunitas se reuniu em Bagdá a fim de decidir quem deveriam nomear para o cargo de vice-presidente. Pachachi disse que a maioria deles aprovou o seu nome, mas decidiu no final apresentar uma lista de três nomes aos xiitas e curdos.

Segundo Pachachi, depois disso os dois blocos escolheram al-Yawer na lista, e não o seu nome. "O xeique não é a escolha dos árabes sunitas", afirmou.

No último domingo, na sua terceira reunião, a assembléia nacional nomeou Hajim al-Hassani, um político árabe sunita educado nos Estados Unidos, para o cargo de diretor do parlamento.

A medida foi mais simbólica do que substantiva, já que o cargo de diretor da assembléia é em grande parte cerimonial. Os principais partidos se decidiram por al-Hassani após al-Yawer rejeitar o cargo, alegando que queria ser um dos vice-presidentes. Parlamento define a divisão de poder entre curtos, xiitas e sunitas Danilo Fonseca

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