UOL Notícias Internacional
 

06/04/2005

Multidões gigantescas apresentam um enorme problema de segurança no Vaticano

The New York Times
Elaine Sciolino e Jason Horowitz*

Em Roma
Nunca antes, na história do Vaticano, tantas pessoas estiveram circulando pela Praça São Pedro, e nunca antes os desafios relacionados à segurança e à logística haviam sido tão grandes.

Lynsey Addario/The New York Times

Guardas observam multidão em fila para ver o corpo do papa; segurança é um grande desafio
O funeral do papa João Paulo 2º, agendado para esta sexta-feira (8/4), deverá reunir uma quantidade enorme de pessoas do mundo inteiro, pessoas de todo tipo, das mais importantes às mais ordinárias, desde reis e rainhas até milhões de peregrinos.

O presidente Bush e a sua mulher, Laura, estarão presentes, assim como chefes de Estado e de governo, além de delegações de dirigentes em proveniência de cerca de 200 países.

Bush deverá se hospedar na residência do embaixador dos Estados Unidos, e, conforme sempre acontece nas suas viagens para o exterior, a Casa Branca colocará à sua disposição, antes da sua chegada, ao lado da pista do aeroporto, uma ou mais das suas limusines blindadas que deverão transportar o presidente e sua comitiva nos seus deslocamentos pelas ruas da capital italiana.

A presença de líderes vindos do mundo inteiro torna necessária a implantação de uma gigantesca operação de segurança cujo principal objetivo é prevenir todo ataque terrorista potencial. Um esquema como este constitui um verdadeiro pesadelo logístico, que deverá ter, conforme alguns já anunciaram, proporções bíblicas.

"O que nós vimos até agora ainda não é nada", comentou Antonio Capaldo, um porta-voz da equipe de segurança da província de Roma, referindo-se às multidões que já eram enormes.

"De memória de romano, ninguém nesta cidade nunca viu coisa igual. Com certeza, com a chegada de tantas pessoas neste curto período de poucos dias, não existe qualquer comparação possível com algum outro evento na história recente".

O general Carlo Jean, um oficial italiano que é presidente do Centro de Estudos Avançados no Campo da Defesa, descreve o afluxo desta multidão de poderosos e de fiéis como um verdadeiro dilúvio, no sentido bíblico da palavra.

"Quando uma cidade passa a ser invadida por 2 milhões de pessoas, nenhuma descrição ou comparação é extraordinária demais", declarou o oficial numa entrevista. "Nós estamos vivendo numa época perigosa. Dentro dessas condições, nunca se sabe o que pode acontecer".

Contudo, este funeral provavelmente não será a maior reunião já registrada na história da humanidade. Ele poderia superar o número de 2,56 milhões de peregrinos muçulmanos que afluíram em Meca e em outras localidades santas da Arábia Saudita em janeiro deste ano, para o "hajj" anual ("peregrinação" em árabe).

Mas ele dificilmente vai superar a afluência registrada naquele dia de janeiro de 2001, quando 20 milhões de peregrinos (um número recorde) estiveram presentes em Allahabad, na Índia, para participar da Kumbh Mela, um festival hindu que tem duração de cinco semanas, e que é o evento religioso o mais amplo do mundo.

Mesmo assim, eventos como estes foram planejados e coordenados com muita antecedência. No caso do funeral do papa, os funcionários dos serviços de segurança italiano e do Vaticano terão tido não mais que quatro dias para se preparar para a invasão daquilo que eles descrevem como o maior número já registrado de líderes e de pessoas comuns que estarão reunidas na Praça São Pedro.

Apesar da longa doença do papa, o governo italiano e o do Vaticano, que operam de maneira independente um do outro, andaram improvisando.

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) fornecerá o avião Awacs (de detecção e identificação) que efetuará patrulhas no céu de Roma durante o funeral, assim como fez durante os Jogos Olímpicos na Grécia e durante o casamento real na Espanha, no ano passado, segundo informaram funcionários da organização. As autoridades também anunciaram que mísseis antiaéreos das forças armadas italianas estarão de prontidão. O espaço aéreo de Roma será fechado.

Nas operações em terra, um número de oficiais das polícias civil e militar estimado em 6.500, além de milhares de policiais à paisana e de um importante contingente de bombeiros se juntarão aos membros dos serviços de segurança do Vaticano e da Guarda Suíça. Mais de 800 policiais equipados de motos vão patrulhar as ruas.

Alegando sérias preocupações com a segurança, representantes da autoridade da aviação civil italiana, a Enac, informaram que eles estavam planejando desviar dezenas de vôos charter que deveriam chegar a Roma na próxima quinta e sexta-feira, para aeroportos de outras cidades. Nesses casos, os peregrinos serão então transferidos de ônibus e de trem para Roma, explicou um porta-voz da autoridade.

Conforme estipulam as regras do Vaticano, apenas policiais militares do Vaticano --e não os integrantes da polícia italiana, e muito menos de forças de segurança estrangeiras-- são autorizados a andar armados na Praça São Pedro ou na própria basílica.

Esta regra enfureceu os responsáveis dos serviços de segurança de um bom número de governos, os quais não gostaram nem um pouco de saber que os oficiais de segurança a serviço dos chefes de Estado e de governo terão de andar sem arma, contaram vários diplomatas que atuam junto à Santa Sé.

Contudo, as regras, mesmo as estipuladas pelo Vaticano, são feitas para ser quebradas. Respondendo á pergunta de um jornalista a respeito da eventualidade de pessoas circularem armadas na Praça São Pedro e na basílica, um funcionário do Vaticano respondeu: "Oficialmente, tal coisa está proibida, mas existem, infelizmente, muitas exceções. Portanto, é possível que isso aconteça".

Enquanto os funcionários da embaixada americana na Itália se recusaram a fazer comentários a respeito de assuntos de segurança, é praticamente impossível imaginar que a delegação americana, que inclui não só o presidente e a primeira dama, como também os antigos presidentes Bush, o pai, e Bill Clinton, poderia prescindir de uma proteção total dos seus serviços de inteligência.

*Colaborou Elisabetta Povoledo. Falta de tempo para planejar esquema de segurança preocupa EUA Jean-Yves de Neufville

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