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07/04/2005

Crescimento econômico global será menor em 2005, afirmam Banco Mundial e FMI

The New York Times
Edmund L. Andrews e Keith Bradsher

Em Nova York
O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional divulgaram previsões nesta quarta-feira (6/4) de redução significativa do crescimento econômico global em 2005 e advertiram que o desequilíbrio na balança comercial americana pode prejudicar os mercados mundiais, se os investidores estrangeiros pararem de comprar a dívida americana.

"A expansão mundial tornou-se menos equilibrada; o crescimento global continua excessivamente dependente dos EUA e da China", disse Rodrigo de Rato, diretor do FMI, em discurso na Universidade de Georgetown.

Advertindo contra a "complacência", Rato apontou uma série de riscos que podem pegar os investidores de surpresa, como a alta do petróleo, temores crescentes de inflação e a crescente dívida dos EUA com o resto do mundo.

"A demanda de papéis americanos não é ilimitada", advertiu Rato, observando que os mercados de bônus foram duramente abalados no mês passado com a mera sugestão de que os bancos centrais asiáticos talvez reduzissem suas reservas de títulos do tesouro americano.

"Uma redução forte, ou uma reversão na entrada de capital poderia levar a sérias conseqüências para os mercados de capitais e moedas", disse Rato.

O déficit comercial americano atingiu um recorde de US$ 617 bilhões (em torno de R$ 1,6 trilhão) em 2004, quase 6% do PIB. A maior parte dos analistas acredita que continuará crescendo, porque o crescimento econômico americano é mais rápido do que o da Europa ou Japão. O atual déficit em conta corrente dos EUA, a mais ampla medida do fluxo de capitais e comércio, saltou para um recorde de US$ 666 bilhões (aproximadamente R$ 1,7 trilhão).

Em relatório separado, o Banco Mundial disse que o crescimento global provavelmente atingiu seu pico no ano passado com 3,8% e provavelmente cairia para cerca de 3,1% neste ano. Citou como razões o aumento das taxas de juros, a alta do petróleo e políticas fiscais e monetárias menos estimulantes em vários países.

O Banco de Desenvolvimento Asiático, instituição irmã do Banco Mundial e do FMI, previu que as nações asiáticas em desenvolvimento continuarão apresentando forte crescimento nos próximos três anos e que, em grande parte, superaram a crise financeira do final dos anos 90.

Os países em desenvolvimento tiveram rápido crescimento no ano passado e muitos se beneficiaram das baixas taxas de juros enquanto investidores mundiais procuraram lugares para obter maiores retornos. Mas o Banco Mundial advertiu que os países em desenvolvimento corriam riscos de mudanças "desordenadas" das taxas de câmbio e aumentos inesperados nas taxas de juros.

O principal economista do banco asiático, Ifzal Ali, disse que a alta do petróleo, o desaquecimento da demanda nos países industrializados e a gripe das aves impunham riscos às previsões do banco.

Entretanto, fortes investimentos das empresas e o aumento de quatro vezes das reservas dos bancos centrais da região desde a crise insularam os países de choques econômicos, disse ele ao divulgar a previsão anual do banco em uma conferência com a imprensa em Hong Kong.

As economias dos países em desenvolvimento asiáticos expandiram 7,3% no ano passado, e devem crescer 6,5% neste ano e 6,9% em 2007, disse o banco.

Sinais recentes de debilidade econômica na União Européia e Japão, junto com pressões inflacionárias crescentes e a probabilidade de taxas de juros mais altas nos EUA, podem resultar em uma forte desaceleração das exportações de bens manufaturados asiáticas neste ano, advertiu Ali. Outros setores, no entanto, vão bem, disse ele, apontando para os gastos dos governos em obras públicas e os investimentos das empresas.

Ali disse que seria desejável que a China contasse mais com instrumentos de mercado para administrar sua economia, como um câmbio mais flexível ou taxas de juros mais altas, mas ofereceu poucas recomendações específicas.

A economia chinesa parece estar desacelerando neste ano, depois de um crescimento tórrido nos últimos anos. Mesmo assim, o banco disse que deve expandir em 8,5% neste ano, depois de apresentar um crescimento de 9,5% no ano passado.

Alguns dos maiores riscos da Ásia são os mais difíceis de estimar, advertiu, acrescentando que "o que vimos emergindo com a gripe das aves lança uma grande sombra na região". Instituições advertem sobre desequilíbrios em balanças comerciais Deborah Weinberg

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