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07/04/2005

Republicanos admitem que passaram dos limites

The New York Times
Maureen Dowd

Em Washington
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
Antes, os republicanos apenas assustavam outras pessoas. Agora, eles estão começando a assustar a si mesmos.

Quando Dick Cheney lhe diz que você passou do limite, você sabe que já foi longe demais. Na semana passada, o vice-presidente disse para a redação do "The New York Post" que o líder da maioria na Câmara, Tom DeLay, não devia ter ameaçado juízes que se recusaram a ordenar a reinserção da sonda em Terri Schiavo. Ele disse que teria "problemas" com o plano de DeLay para se vingar dos juízes: "Eu não acho que seja apropriado".

Geralmente, a Casa Branca adora valentões. Ela apóia John Bolton, indicado para embaixador na ONU, apesar, como The New York Times noticia na quinta-feira, do Comitê de Relações Exteriores do Senado estar analisando as alegações de que Bolton fez uso indevido de inteligência e pressionou subordinados a ajudar a maquiar o melodrama das armas de destruição em massa quando estava no Departamento de Estado.

Mas há algum nervosismo na liderança do partido sobre a Paixão de Tom, a feroz batalha do texano convertido para mostrar que está sendo perseguido por motivos éticos por uma vasta conspiração de esquerda.

Alguns republicanos estão se perguntando se será necessário dar um Trent Lott em Tom DeLay antes que ele se transforme em um Newt Gingrich, que liderou o partido até a terra prometida mas então foi descartado quando se tornou um petulante "definidor" e "incitador" de civilização. Eles querem que a carreira de DeLay prossiga ao estilo de Queeg à medida que caminham para 2006 [quando haverá eleição para o Congresso americano]?

Na terça-feira, o líder da maioria no Senado, Bill Frist, se juntou a Cheney nas críticas ao pedido de DeLay de punição e possível afastamento de juízes --que já são uma espécie ameaçada atualmente, com tanta violência direcionada contra eles. "Eu acredito que temos atualmente um Judiciário justo e independente", disse Frist. "Eu respeito isto."

É claro, Frist e a Casa Branca ainda querem encher os tribunais federais com juízes de direita, mas eles não querem que pareça que o fizeram porque Tom DeLay quis ou por descontentamento com o caso Schiavo.

Independente de quanto os democratas estejam criticando as tentativas dos republicanos da Câmara para esmagar o Comitê de Ética antes que cace DeLay (o ex-exterminador que promoveu a tentativa de impeachment de Bill Clinton), privativamente eles estão torcendo pelo sucesso de DeLay. Eles esperam fazer em 2006 o que os republicanos fizeram em 1994, quando Gingrich e seus acólitos usaram a arrogância e lapsos éticos dos democratas para conquistar a Câmara.

DeLay está buscando refúgio em Roma no funeral do papa, e ele se segurará até o final amargo. Ele recebeu fortes aplausos de seus colegas da Câmara na manhã de quarta-feira, mostrando novamente que DeLay conta com uma forte lealdade por parte daqueles que se beneficiaram das contribuições de seus amigos doadores e de sua astúcia para mantê-los na maioria.

"Eu acho que muitos membros acham que ele está recebendo as flechas por todos nós", disse o deputado Roy Blunt para a imprensa na quarta-feira, apoiando o complexo de mártir de DeLay.

DeLay atacou o mais recente artigo questionando sua ética, o chamado de "apenas outra tentativa baixa da mídia liberal de me embaraçar". Philip Shenon noticiou no NYT que a esposa e filha de DeLay receberam mais de meio milhão de dólares desde 2001 dos comitês de campanha e ação política de DeLay.

Valores familiares republicanos

O comitê de ação política disse em uma declaração que os membros da família DeLay prestaram serviços valiosos: "A sra. DeLay fornece orientação estratégica de longo prazo e ajuda nas decisões de pessoal".

As esposas de políticos são conhecidas por se intrometerem no meio dos escritórios políticos de seus maridos gratuitamente; muitos membros pagariam para que fossem embora.

O "Washington Post" também exibiu DeLay na primeira página com um artigo sobre uma terceira viagem de DeLay sob investigação: uma viagem de seis dias a Moscou, em 1997, foi "paga por interesses empresariais que faziam lobby de apoio ao governo russo, segundo quatro pessoas com conhecimento direto dos arranjos de viagem".

Todas as divisões que o presidente Bush conseguiu superar em 2004 estão explodindo enquanto diferentes alas do seu partido se digladiam. John Danforth, o ex-senador republicano e embaixador da ONU, escreveu um artigo de opinião no NYT na semana passada, dizendo que, em questões que vão da pesquisa de célula-tronco até Terri Schiavo, seu partido "foi tão longe em adotar uma agenda sectária que se tornou uma extensão política de um movimento religioso".

Quando o reverendo Danforth, um ministro episcopal que rezou com o juiz Clarence Thomas quando este estava sob ataque de Anita Hill, diz que o partido passou do limite, isto significa que já foi longe demais. "O partido transformou-se numa extensão de movimento religioso" George El Khouri Andolfato

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