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08/04/2005

Bush sofre prejuízo político com alta do petróleo

The New York Times
Richard W. Stevenson e Matthew Wald

Em Washington
O governo norte-americano divulgou estimativas nesta quinta-feira (7/4) de que o preço médio da gasolina atingiria um pico de US$ 2,35 (em torno de R$ 6,11) por galão em maio e a média de US$ 2,28 (cerca de R$ 5,93) por galão de abril a setembro. Na última semana, o preço médio foi de US$ 2,22 (aproximadamente R$ 5,78) por galão.

Com o preço do petróleo cru atingindo altas recordes nas últimas semanas, a Casa Branca diz-se empenhada em abordar o problema. O governo está aproveitando a alta nos preços de gasolina e óleo para fazer pressão no Congresso para que aprove o projeto de lei de energia de Bush, há muito engavetado.

Segundo a Casa Branca, a lei estimularia maior exploração e produção interna, daria apoio a fontes de energia alternativas e aumentaria a economia de combustível.

Bush discutiu os preços de petróleo com seu gabinete na terça-feira e deve levantar o assunto durante um encontro no final do mês com o príncipe herdeiro Abdullah, da Arábia Saudita, maior produtora de petróleo do mundo.

No entanto, os democratas pretendem usar o foco nas questões de energia para voltar a acusar Bush e o vice-presidente Dick Cheney, que trabalharam no setor, de estarem mais interessados em ajudar as empresas de petróleo do que os consumidores. Várias pesquisas recentes sugerem que o pico nos preços de petróleo e o aumento subseqüente da gasolina minaram a posição política de Bush.

"Quando o preço da gasolina sobe, é o equivalente econômico de mudar a cor do alerta terrorista. Os aumentos operam muito rápido dentro da opinião pública, afetando a opinião das pessoas sobre a direção da nação", disse Geoff Garin, analista democrata de pesquisas de opinião.

Uma pesquisa da NBC News/Wall Street Journal publicada na quinta-feira mostrou uma queda na aprovação da forma como Bush lida com a economia, de 46%, há dois meses, para 41%. Uma pesquisa do USA Today/CNN/Gallup divulgada nesta semana revelou uma queda ainda mais profunda, de 48%, há cinco semanas, para 41%.

Analistas disseram que a preocupação do consumidor com os custos para encher o tanque também estava derrubando o número de pessoas que acredita que o país está no caminho certo. Na pesquisa da NBC News/Wall Street Journal, 34% dos entrevistados disseram que o país estava na direção certa, contra 42% em fevereiro.

A pesquisa do USA Today/CNN/Gallup revelou que os preços da gasolina competiam com o terrorismo e a saúde como principais prioridades dos entrevistados, bem na frente da questão que Bush colocou no topo de sua agenda, a reforma da previdência social.

"Certamente, se continuar assim, será um risco", disse Tony Fabrizio, analista de pesquisas de opinião republicano.

O governo não parece estar considerando liberar as reservas estratégicas de petróleo, como forma de forçar a queda nos preços.

"Estamos preocupados com os preços crescentes da gasolina e da energia. Eles estão detendo nossa economia em expansão. Mais uma razão para o Congresso aprovar a estratégia ampla de energia do presidente, proposta há quatro anos", disse o porta-voz da Casa Branca Scott McClellan.

Autoridades do Departamento de Energia disseram que, apesar dos altos preços da gasolina, eles não esperam reduções na demanda. Estima-se que o preço do galão neste verão será US$ 0,38 (em torno de R$ 1) mais caro do que no verão passado.

Apesar do preço da gasolina ter ficado bem acima de US$ 2 (aproximadamente R$ 5,2) por galão ultimamente, a demanda cresceu 1,8% em relação ao ano passado, disse Guy Caruso, da Administração de Informação de Energia.

Ele acrescentou que o preço da gasolina ainda é uma parte pequena dos custos de um carro, inclusive o seguro e as prestações de compra. Segundo ele, para um automóvel típico, que percorre 20.000 km por ano e faz 8,5 km por litro, o acréscimo no preço da gasolina significaria cerca de US$ 180 (cerca de R$ 470) em custos anuais.

Mas os fortes aumentos nos preços da gasolina tendem a gerar repercussões não apenas econômicas, mas políticas. "Esse não é simplesmente um problema econômico. É também, na visão do público, um problema de segurança nacional.

Acredita-se no país que o problema poderia ser resolvido ou amenizado, mas que este governo, como está ligado ao petróleo, não está disposto a tomar os passos necessários para reduzir nossa dependência do petróleo estrangeiro", disse Mark Mellman, que faz pesquisas de opinião para os democratas.

Membros do governo disseram que estão assumindo que o atual pico dos preços ajudará a colocar pressão no Congresso para aprovar o plano de energia de Bush. Os republicanos no Senado já mostraram que têm, pela primeira vez, os votos necessários para incluir no projeto a autorização para explorar uma seção do Refúgio da Vida Selvagem Nacional do Ártico, um passo há muito vetado pelos ambientalistas.

Mas os democratas disseram que pretendem usar a alta da gasolina para ressuscitar as questões que usaram para deter o projeto, inclusive o pedido para outra elevação dos padrões de economia de combustível.

Segundo o raciocínio da Casa Branca, o aumento nos preços de petróleo poderia ser mais uma razão para a nação acatar o plano de Bush de disseminação da democracia no Oriente Médio, que é fonte de quase 20% do petróleo do país. Um Oriente Médio mais democrático e estável, presumivelmente, reduziria as preocupações com interrupções no fornecimento.

Mas, até agora, os primeiros sinais que as sementes da democracia estão germinando na região estão sendo acompanhados com altas nos preços de petróleo cru, e não queda. O presidente é acusado de favorercer grandes empresas de energia Deborah Weinberg

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