UOL Notícias Internacional
 

09/04/2005

Após enterro do papa, política domina o Vaticano

The New York Times
Daniel J. Wakin

Em Roma
A missa funeral do papa João Paulo 2º nesta sexta-feira (8/4) deu início a nove dias de luto espiritual, mas também abriu um capítulo muito mais temporal --o importante período preparatório antes da reunião de cardeais em um conclave, para eleger seu sucessor, que terá início no dia 18 de abril.

Especulações sobre o conteúdo do testamento do papa, a chegada colossal de peregrinos, as homenagens, tudo parece ter ficado para a história papal.

De agora em diante, cada dia de luto será marcado por uma missa especial celebrada por cardeais cujas vozes serão ouvidas com cuidado para encontrar pistas sobre que direção estão tomando. A primeira será na tarde de sábado, celebrada por Francesco Marchisano, arcebispo de São Pedro que fez carreira no Vaticano.

Nos dias que antecedem o início do conclave, é muito provável que os cardeais comecem a conduzir pesquisas discretas sobre qual seria o melhor candidato a líder universal da igreja. Alguns podem até, na forma romana mais sutil, fazer política para o cargo, apesar do menor sinal de ambição ter possivelmente um efeito negativo.

Todos os olhos estarão sobre eles.

Quase todos os 117 cardeais que colocarão suas cédulas em uma urna especial na Capela Sistina já estão em Roma. Todos menos um, o cardeal Jaime Sin de Manila (Filipinas), que está doente, devem comparecer ao conclave.

Até o início do conclave no dia 18 de abril com uma missa matinal e uma procissão à tarde do Salão das Bênçãos no palácio até a Capela Sistina, os cardeais poderão ir e vir livremente. Quando o conclave começar, ficarão enclausurados na residência de Santa Marta, que João Paulo 2º construiu para dar algum conforto aos cardeais durante o conclave.

No período, eles poderão passear durante o dia, disseram as autoridades do Vaticano, mas devem ficar nas terras do Vaticano e tomar cuidado para não entrar em contato com pessoas de fora. Além disso, serão sempre acompanhados, disse aos repórteres o arcebispo Piero Marini, mestre de cerimônias papais.

Nos conclaves anteriores, os cardeais ficaram em alojamentos simples no Palácio Apostólico, dormindo em camas separadas por biombos e compartilhando banheiros.

No entanto, os cardeais têm outras formas de se comunicar além de encontros fortuitos ou sociais.

Eles continuarão reunidos como um corpo pela manhã para conduzir os negócios da igreja, como vêm fazendo desde a morte do papa. Provavelmente muitos participarão das missas matinais, que serão nove ao todo, incluindo o gigantesco funeral de sexta-feira, em um período chamado Novemdiales.

Cada uma das missas será celebrada por um cardeal ou arcebispo, inclusive Bernard Law, ex-arcebispo de Boston, cujo anúncio causou comoção entre católicos americanos por causa de seu papel no escândalo sexual dos padres.

Os outros cardeais celebrando as missas serão: Camillo Ruini, vicário do papa em Roma e um dos mais influentes bispos italianos; Jorge Arturo Medina Estévez, encarregado da liturgia; Eugênio Sales, ex-arcebispo do Rio de Janeiro; e Nasrallah Pierre Sfeir, patriarca da igreja Libanesa Maronita. Os últimos dois cardeais têm mais de 80 anos, portanto não poderão votar.

Também celebrando as missas estarão o arcebispo Leonardo Sandri, alta autoridade da Secretaria de Estado, e o arcebispo Piergiorgio Silvano Nesti, secretário do departamento do Vaticano responsável pelas ordens religiosas.

Os cardeais têm outro compromisso importante na semana que vem.

João Paulo 2º, em sua revisão das regras para transições papais de 1996, disse que dois homens da igreja devem expor "meditações bem preparadas sobre os problemas da igreja na época e sobre a necessidade de discernimento cuidadoso na escolha de um novo papa". Os palestrantes precisam ser "conhecidos por sua doutrina sólida, sabedoria e autoridade moral".

O Vaticano anunciou que o reverendo Raniero Cantalamessa, pregador pessoal do papa, faria o primeiro dos discursos na quinta-feira. O outro seria feito por um teólogo jesuíta eminente, cardeal Thomas Spidlik, no primeiro dia do conclave. Cardeais preparam conclave que escolherá sucessor de João Paulo Deborah Weinberg

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