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09/04/2005

Retirada de antinflamatórios provoca reclamação

The New York Times
Abby Goodnough*

Em Miami, Flórida
O Bextra foi a droga dos sonhos de Burt Wolfson. Assim, a notícia de que estava sendo retirado do mercado por novos problemas de segurança o deixou em pânico.

Wolfson, um fisioterapeuta que sofre de uma dor crônica no joelho, quadril e ombro, não teme os efeitos adversos do medicamento tanto quanto a vida sem ele.

"Meu primeiro pensamento foi, quem eu conheço que tem algum mas não está tomando?" disse Wolfson, 61 anos. "Como posso obter o máximo possível dele antes que desapareça das prateleiras?"

Enquanto a Pfizer removia o Bextra do mercado nesta semana por pressão dos reguladores federais de medicamentos, que também emitiram um amplo alerta de que outros analgésicos e antiinflamatórios populares podem causar problemas de coração, estômago ou pele, as pessoas que dependem de tais medicamentos responderam com desalento e um senso de cansaço.

Mas em entrevistas por todo o país nesta sexta-feira (8/4), muitas pessoas expressaram ceticismo quanto aos novos alertas e disseram que preferem enfrentar os riscos do que a dor constante.

Peggy Hunt, uma aposentada que estava jogando uma partida de golfe em Atlanta, disse que sua mãe de 86 anos tratou sua artrite com o Celebra, um antiinflamatório prescrito que estudos sugeriram que aumenta o risco de ataques cardíacos e derrames.

Apesar do Celebra continuar no mercado, seu rótulo agora exibirá fortes alertas sobre riscos cardíacos, anunciou na quinta-feira a Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, assim como exibirão os rótulos do Mobic, Naprosyn, Voltaren e mais de uma dúzia de outros medicamentos semelhantes.

"Eu realmente acho que muitas empresas de pesquisa voltam e descobrem que não há problema", disse Hunt, acrescentando que a mãe dela não consegue andar sem tomar o Celebra. "A certa altura, bacon causava câncer. Você lembra? Para mim, a qualidade de vida dela é mais importante."

John Lo, que ajuda a dirigir a loja de ferramentas da família perto do Bowery, em Nova York, disse que parou de tomar o Celebra recentemente, mas que seu pai continua porque nada funcionou melhor. Lo disse que seu pai minimizou os efeitos em seu estômago tomando o Prilosec, um medicamento para azia.

"Ele tentou de tudo", disse Lo, cuja família veio de Hong Kong. "Ele tentou acupuntura, massagem e aspirina, mas a dor era intensa demais."

Outros disseram que sua própria desconfiança de antiinflamatórios prescritos como Bextra, Celebra e Vioxx, que a Merck retirou do mercado em setembro após um estudo ter mostrado que mais que dobrava o risco de ataques cardíacos e derrames, os fez procurarem por outros remédios antes mesmo do anúncio de quinta-feira.

Frank Mancini, um entregador da Anheuser-Busch em Nova York, disse que por causa de sua pressão alta, ele decidiu que exercício e alongamento eram antídotos mais sábios para a dor.

"Eu não tomo mais analgésicos e antiinflamatórios", disse ele enquanto carregava barris de cerveja até o porão do Thirsty Scholar, um bar no East Village de Manhattan. Quando a dor de carregar barris de 77 quilos o dia todo fica intensa demais, Mancini agora se volta para medicamentos vendidos sem prescrição, como Tylenol ou Aleve, ele disse.

Nem o acetaminofeno (paracetamol), vendido como Tylenol e outros nomes de marca, nem a aspirina são afetados pelo mais recente alerta, apesar destes medicamentos não serem isentos de problemas. Em altas doses, o Tylenol pode causar danos no fígado e a aspirina pode prejudicar o estômago, apesar de poder fazer bem ao coração.

Atletas profissionais estão lutando juntamente com as pessoas comuns para lidar com a enxurrada de alertas. Jorge Posada, um jogador dos Yankees, disse que o Aleve, que alertará sobre riscos para o coração, estômago e pele em seu rótulo de agora em diante, se tornou seu analgésico preferido. A FDA rotulou o componente do Aleve, o naproxeno, como potencialmente perigoso, mas alguns especialistas dizem que ele é mais seguro do que outros analgésicos não-esteroidais.

"Se o retirarem do mercado, isto não será bom", disse Posada sobre o Aleve, acrescentando que ele preferia o Vioxx, mas deixou de tomá-lo depois que foi retirado do mercado. "É uma temporada longa e necessitamos de antiinflamatórios. Com sorte encontraremos algo que seja seguro e que possamos tomar."

Gary Sheffield, outro jogador dos Yankees, disse que optou pelo Advil porque o Aleve o deixava grogue.

"Não vale a pena para mim", disse ele na sede do Yankee Stadium. "Eu prefiro não tomar do que me arriscar." Julio Franco, um jogador do Atlanta Braves que, aos 46 anos, é o atleta mais velho em uma primeira divisão, disse que às vezes toma Tylenol para as dores mas que também gosta de remédios alternativos. Em seu armário no Turner Field, na sexta-feira, havia uma sacola de plástico contendo Kyolic, um extrato de alho, óleo de fígado de bacalhau e saw palmetto.

"As mães costumavam dar isto", disse ele, segurando o óleo de fígado de bacalhau. "Tome isto. As pessoas tomavam. Elas ficavam fortes. Isto faz bem."

No City Park Golf Course em Denver, Robert Arnold, um artista, disse que tomava Vioxx ou Bextra para dores nas costas, mas que sofria efeitos colaterais desagradáveis.

"Eles me deixavam um pouco ansioso, todo meu sistema nervoso parecia diferente", disse Arnold, 49 anos. "Eu mudei para um ibuprofeno e funcionou maravilhosamente."

Michael Pines de Denver, que tinha acabado de concluir a partida de golfe com sua esposa, disse que tinha problemas persistentes no nervo ciático, mas que atualmente prefere soluções naturais.

"Nós estamos tentando usar ioga em vez de analgésicos", disse Pines, 54 anos. "É nossa decisão usar o mínimo possível de medicação."

Outro golfista de Denver, Tim Sherwood, disse estar irado com a FDA por ter permitido a venda de medicamentos como o Vioxx e o Bextra.

"Eu acho que eles atendem às companhias farmacêuticas e permitem que lancem as coisas antes de serem devidamente testadas", disse Sherwood, 52 anos, sobre a FDA. "Eu acho que os americanos estão tomando medicamentos demais, e se comessem melhor e se cuidassem melhor, não precisariam tomar tantos."

Wolfson, de Miami, disse que tem sido cauteloso, pesquisando atentamente o Bextra, Vioxx, Mobic e outros medicamentos antes de experimentá-los para sua dor nas juntas, resultado de ciclismo e levantamento de peso freqüentes. Mas suas conclusões o levaram a duvidar dos alertas.

"É um percentual muito, muito pequeno de pessoas que toma estes medicamentos e que sofre reações adversas", disse Wolfson. "Eles precisam determinar um certo grupo, informar seus médicos e deixar o restante de nós em paz."

*Colaboraram Jack Curry no Bronx, Kareem Fahim em Manhattan, Mindy Sink em Denver, Shaila Dewan e Ray Glier em Atlanta. Usuários pesam risco de analgésicos e da vida sem os remédios George El Khouri Andolfato

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