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14/04/2005

Blair diz que eleição 2005 é última que disputará

The New York Times
Alan Cowell

Em Londres
O primeiro-ministro britânico Tony Blair revelou as promessas eleitorais de seu partido nesta quarta-feira (13/04). Em um pronunciamento incomum, o líder trabalhista também garantiu que a eleição de 5 de maio do Reino Unido será sua última.

Blair já havia dito antes que não ia participar de uma quarta eleição nacional, caso seu partido volte ao poder para um terceiro mandato no próximo mês.

Entretanto, o anúncio de quarta-feira foi de longe o mais explícito da atual campanha.

"Disse que esta será minha última eleição. Na próxima, haverá um líder diferente", disse ele. A maior parte dos analistas políticos tomou isso como uma referência a sua previsão antiga de passar o poder ao ministro das Finanças, Gordon Brown.

Blair, entretanto, recusou-se a dizer quando essa transferência ocorrerá. "Disse que cumprirei todo o mandato. Caso elejam esse governo, será isso que as pessoas elegerão", disse ele. "Quando digo que cumprirei todo o mandato é exatamente isso que quero dizer."

Um mandato parlamentar no Reino Unido pode durar até cinco anos, e muitos partidários de Brown indicaram que ele não quer esperar tanto.

Blair fez o anúncio cercado por seis ministros distribuídos em pódios estreitos, comparados pelos repórteres aos do programa de televisão "The Weakest Link", no qual os concorrentes votam contra os outros.

"Não há elos fracos aqui", brincou Blair em resposta à pergunta de quem era o elo frágil dos líderes trabalhistas. O resto de seu ministério estava sentado em carreira atrás dele, como professores em um evento escolar.

A coreografia do evento foi organizada até o mínimo detalhe, incluindo a gravata com o vermelho do partido usada pelo primeiro-ministro e a maior parte de seus colegas. A influência da organização e o anúncio de Blair sobre sua própria partida levaram os críticos a argumentarem que seu poder estava diluído.

Quando o Partido Trabalhista assumiu o poder, em 1997, Blair triunfou como invencível conquistador de votos do partido. Entretanto, este agora parece ter optado por se projetar mais como um colegiado com um papel proeminente para Brown.

Mesmo o manifesto de 110 páginas do partido, com 23.000 palavras, explicando suas propostas de impostos, criminalidade, imigração e uma série de outras questões, não traz uma foto de Blair na capa.

"Entendemos da ausência do rosto de Blair em seu manifesto o fato de que eles não têm a mesma confiança em Tony Blair que nós temos em nosso líder", disse Lord Razzall, líder do partido de oposição Democrata Liberal.

O principal partido de oposição, Conservador, foi mais circunspeto, pois não quer que os problemas da imagem de Blair aumentem o apoio a Brown, que se provou mais popular junto aos eleitores em várias pesquisas de opinião.

Michael Howard, líder do Partido Conservador, que apresentou um programa bem menos detalhado com muito menos fanfarra na segunda-feira, fez pouco das declarações do primeiro-ministro.

"Blair disse esta manhã que é sua última eleição. Bem, no que diz respeito ao povo britânico, ele já participou de eleições demais", disse Howard.

De fato, até mesmo alguns legisladores trabalhistas, como o ex-secretário de Relações Exteriores Robin Cook, já começaram a prever a saída de Blair.

"O time de Blair entendeu que o ministro das Finanças é mais popular do que o primeiro-ministro", escreveu Cook em um artigo de jornal publicado na terça-feira. Cook renunciou como protesto contra a guerra no Iraque.

Promovendo a idéia de que Brown um dia será primeiro-ministro, Cook escreveu: "A primeira semana de campanha eleitoral sugere que esse dia pode chegar logo."

Alguns analistas sugeriram que Blair talvez passe a liderança do Partido Trabalhista para Brown em algum momento durante o terceiro mandato --se ele conquistá-lo como as pesquisas de opinião prevêem.

A popularidade de Blair já estava caindo nas eleições de 2001, mas diante de uma fraca oposição dos conservadores, ele levou seu partido de volta à liderança com uma segunda vitória esmagadora, que renovou a maioria dos 160 assentos.

Desde então, segundo Cook: "As pesquisas de opinião confirmaram que a confiança é a questão mais difícil em relação ao primeiro-ministro. O dano mais sério das conseqüências de longo prazo do Iraque foi o questionamento de sua credibilidade."

Na quarta-feira, Blair defendeu sua decisão de unir-se aos EUA como seu principal aliado na invasão do Iraque. "Honestamente, acreditei na época e acredito hoje que era a coisa certa a fazer", disse ele.

Blair tem tentando evitar o assunto do Iraque nos debates eleitorais e vem procurando se concentrar em questões domésticas como impostos, serviços públicos, criminalidade e imigração.

"Cada frase desse manifesto tem uma missão por trás --a de apoiar e ajudar as famílias trabalhadoras a prosperarem diante das tensões da vida moderna", disse ele na quarta-feira. "Seus interesses vêm na frente, suas prioridade são as nossas."

O manifesto promete não aumentar o imposto de renda e manter o crescimento econômico do Reino Unido. Entre outras coisas, promete expandir oportunidades de estudos e treinamento para adolescentes e reprimir crimes com facas e armas de fogo.

Também promete maiores investimentos nos serviços públicos de forma a reduzir o tempo de espera para operações cirúrgicas e limpar os hospitais. O manifesto trabalhista difere das promessas conservadoras de várias formas, especialmente em sua oposição ao corte de impostos. Premiê britânico pode transferir a liderança trabalhista a ministro Deborah Weinberg

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