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14/04/2005

Consumo excessivo de líquidos ao correr pode ser fatal, dizem médicos

The New York Times
Gina Kolata

Em Nova York
Após terem recomendado durante anos aos atletas beberem a maior quantidade possível de líquidos para evitar a desidratação, alguns médicos, agora estão dizendo que o fato de beber em demasia durante exercícios intensos apresenta um risco muito maior para a saúde.

Um número crescente de atletas --corredores de maratonas, de triatlos e até mesmo adeptos de excursões a pé-- estão diluindo severamente o seu sangue ao beberem água em excesso, ou mesmo ao consumirem grandes quantidades de bebidas produzidas especialmente para a prática de esportes. Em função disso, alguns deles ficaram gravemente doentes, e chegaram até mesmo a morrer, afirmam os médicos.

Uma nova pesquisa, que foi publicada na edição desta quinta-feira (14/04) da publicação especializada "The New England Journal of Medicine", envolveu 488 corredores que participaram da Maratona de Boston em 2002.

Os atletas deram amostragens do seu sangue antes e depois da corrida. Enquanto a maioria não apresentou qualquer problema, 13% --ou 62 dentre eles-- beberam tanto que eles foram acometidos de hiponatremia, ou seja, uma concentração anormalmente baixa de sódio no sangue. Três dentre eles tinham os seus níveis de sódio tão reduzidos que eles corriam um sério risco de morrer.

Os corredores que desenvolveram este problema tenderam a correr mais devagar, e demoraram mais de quatro horas para completar a corrida. Isso lhes deu tempo de sobra para beber quantidades consideráveis de líquidos, numa média de 3 litros para cada um.

À medida que corredores mais lentos começaram a participar de corridas mais longas, os médicos começaram a ver um número maior de atletas desabarem nos postos médicos, tomados de náuseas, cambaleantes, perdendo praticamente a consciência e com o seu sangue fortemente diluído. Alguns deles morreram no local ou a caminho do hospital.

Durante a prática de intensos exercícios, os rins não podem eliminar o excesso de água. Mas as pessoas continuam a beber, e a água adicional penetra nas células do organismo, inclusive nas do cérebro. Encharcadas de líquidos até a saturação, as células do cérebro, que não têm espaço para se expandir, exercem então uma pressão contra o crânio e podem comprimir a base do cérebro, a qual controla funções vitais tais como a da respiração. O resultado pode se revelar fatal.

Contudo, os atletas que competiam naquela maratona estavam apenas seguindo aquilo que tem sido por tanto tempo um conselho convencional: impedir a desidratação a qualquer custo.

Os médicos e as companhias que fabricam bebidas específicas para o esporte "fizeram da desidratação uma doença clínica que é temível para todos", explica o médico Tim Noakes, um especialista em hiponatremia da universidade da Cidade do cabo, na África do Sul.

"Todo mundo sofre uma desidratação quando corre", prossegue o doutor Noakes. "Mas eu nunca vi nenhum atleta morrer de desidratação numa corrida de competição em toda a história deste esporte. Nenhum sequer. Nem sequer um caso de doença".

Em contrapartida, diz, ele testemunhou casos de pessoas que ficaram doentes e morreram por terem tomado líquidos em excesso.

Os corredores podem estimar qual seria a quantidade certa de líquidos que eles deveriam beber, checando o seu peso antes e depois de longas corridas de treinamento, o que lhe permitiria conferir qual foi a quantidade de peso que eles perderam --e, portanto, qual é a quantidade de água que eles precisam repor. Excesso de água no sangue é muito mais perigoso que desidratação Jean-Yves de Neufville

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