UOL Notícias Internacional
 

15/04/2005

Americano é indiciado na venda de petróleo iraquiano por assessores de Saddam

The New York Times
Julia Preston e Judith Miller
Em Nova York
Um comerciante de petróleo americano e um lobista coreano com passado escandaloso foram acusados nesta quinta-feira (14/04) de ligação com os lucros ilegais do programa petróleo por alimentos da ONU, durante o governo de Saddam Hussein no Iraque.

No indiciamento, autoridades federais em Nova York disseram que David B. Chalmers, um empresário de petróleo de Houston, e sua empresa, a Bayoil, ganharam milhões de dólares ilegalmente sobre pagamentos feitos ao governo de Saddam enquanto negociavam petróleo sob o programa de ajuda de US$ 65 bilhões.

Denúncias separadas foram feitas contra Tongsun Park, um empresário sul-coreano milionário, por agir como lobista não registrado do Iraque em negociações nos bastidores nos Estados Unidos para criação e estruturação do programa da ONU.

O indiciamento criminal declara que Park recebeu pelo menos US$ 2 milhões em pagamentos do governo de Saddam por servir como ligação entre as autoridades iraquianas e da ONU.

Park esteve no centro de um escândalo de lobby nos anos 70, quando foi acusado de subornar legisladores em Washington para obter o apoio deles para empréstimos para a Coréia do Sul.

A empresa de Chalmers, a Bayoil USA Inc., foi a primeira empresa americana a ser indiciada na abrangente investigação criminal do programa petróleo por alimentos, que foi criado pela ONU em 1995 para vender petróleo iraquiano para receita para compra de suprimentos humanitários para os iraquianos.

As autoridades americanas não apenas acusaram a Bayoil de efetuar pagamentos ilegais para garantir o petróleo iraquiano, mas também de ter conspirado para reduzir artificialmente o preço que o Iraque recebeu, privando o povo iraquiano de recursos para alimentos e medicamentos necessários. As acusações também revelaram novas informações sobre os supostos pagamentos feitos para altas autoridades da ONU influenciarem o programa.

Catherine M. Recker, uma advogada de Chalmers, disse que os associados da Bayoil e a companhia se declararão inocentes e "contestarão vigorosamente" as acusações criminais.

Segundo as autoridades federais e o indiciamento de Park, ele foi parceiro no esforço de lobby de Samir Vincent, um empresário iraquiano-americano que se declarou culpado em janeiro de realizar lobby ilegal a favor do Iraque.

Vincent, que está cooperando com os investigadores federais, disse que as autoridades iraquianas assinaram acordos em 1996 para pagar a ele e Park o valor de US$ 15 milhões pelo lobby, declara o indiciamento.

Uma das tarefas deles era "cuidar" de uma importante autoridade da ONU, o que segundo Vincent significava suborno, disse o indiciamento.

As autoridades americanas não identificaram ou acusaram a autoridade da ONU.

Park e Vincent se encontraram pelo menos três vezes em 1993 com autoridades de Saddam e com a autoridade da ONU --duas vezes em Manhattan e uma vez em Genebra. Eles posteriormente receberam pelo menos US$ 2,2 milhões em dinheiro do Iraque, que veio de Bagdá em malotes diplomáticos. Vincent também recebeu autorizações para venda de pelo menos 9 milhões de barris de petróleo iraquiano, disse o indiciamento.

David N. Kelley, o promotor federal em Manhattan, disse que o indiciamento alega que Park visava subornar a autoridade da ONU, mas não mostra se a autoridade recebeu o suborno.

O indiciamento também acusa Park de ter se encontrado com uma segunda importante autoridade da ONU não citada, um vez em um restaurante em Manhattan. Depois disso, Park disse que investiu US$ 1 milhão que recebeu do Iraque em uma empresa canadense pertencente ao filho da segunda autoridade da ONU, declara o indiciamento.

Kelly se recusou a dizer se as autoridades ainda estão servindo na organização mundial. Mas ele disse que a investigação é "grande e abrangente" e que seu gabinete não medirá esforços para indiciar as autoridades da ONU.

De 1993 até 1995, enquanto transcorriam as negociações para criação do programa petróleo por alimentos, Vincent também se encontrou ou falou com freqüência com uma ex-autoridade americana que tentava "obter apoio" para o programa junto às autoridades de Washington, segundo o indiciamento. Mas ela não cita o nome da autoridade. Empresário teria usado programa humanitário para obter lucro ilegal George El Khouri Andolfato

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