UOL Notícias Internacional
 

16/04/2005

Coalizão de Berlusconi perde importante aliado

The New York Times
Daniel J. Wakin

Em Roma
O fraco desempenho nas eleições locais, 11 dias atrás, do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi teve resultados nesta sexta-feira (15/04), quando um pequeno partido de sua coalizão se retirou do Gabinete, ameaçando a sobrevivência do governo.

Enfrentando a pior turbulência em seus quatro anos de governo, Berlusconi prometeu resistir por enquanto.

"Eu temo que vocês não se livrarão de mim tão facilmente", ele brincou com os repórteres do lado de fora de sua residência aqui. Mas ele também disse, segundo a agência de notícias "Ansa": "Para que os interesses do país prevaleçam, eu tomarei a decisão apropriada".

Berlusconi estava consultando seus aliados políticos na noite de sexta-feira, e informando que poderia visitar o presidente --deixando implícita a possibilidade de que poderia oferecer sua renúncia.

O primeiro-ministro, cuja coalizão chegou ao poder em 2001, está tentando se tornar o primeiro chefe de governo a concluir um mandato de cinco anos desde que a república italiana foi estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Eleições regulares estão marcadas para o próximo ano.

Mas a fraca economia e a crescente insatisfação com a presença da Itália no Iraque estão minando o apoio ao seu governo. A revolta tem crescido desde 4 de março, quando soldados americanos dispararam por engano contra um carro que transportava uma refém italiana libertada perto de Bagdá, matando o oficial de inteligência que intermediou sua libertação.

O partido renegado, a União Democrata Cristã, disse na sexta-feira que retirará seus quatro ministros do governo. Sem os votos do partido, a coalizão de Berlusconi perderá o controle do Senado e ficará com margem estreita na Câmara dos Deputados.

O partido tem lutado por uma mudança nas políticas do governo desde as eleições locais de 4 de abril. Naquela votação, a coalizão de centro-direita, dominada pelo partido Forza Italia de Berlusconi, perdeu seis províncias que controlava para a oposição de centro-esquerda, perdendo um total de 11 das 13 províncias que estavam sendo disputadas. As forças de Berlusconi conquistaram 40,4% dos votos, menos do que os 48,5% que obtiveram na eleição geral de 2001.

"Berlusconi não quer ver a realidade", disse Anna Mazzone, uma porta-voz da União Democrata Cristã. "E a realidade é que a maioria do país não apóia o governo." Ela disse que Berlusconi está promovendo reduções de impostos no momento em que seu governo deveria estar mais concentrado em fornecer ajuda para o sul da Itália, benefícios de bem-estar social e apoio para as famílias.

Mas no estilo de política tipicamente ambíguo daqui, um membro da União Democrata Cristã, Marco Follini, que é vice-primeiro-ministro, disse que seu partido apoiará a coalizão da maioria "sem sofisma".

Todavia, tal tipo de apoio, acompanhado pelo tapa na cara de sexta-feira, significaria que Berlusconi teria que constantemente olhar por cima do ombro em cada votação no Parlamento.

Então quais são as opções de Berlusconi?

Ele poderá mudar seus ministros e prosseguir com a coalizão da forma como ela se encontra. Ou poderia renunciar e permitir que o presidente, Carlo Azeglio Ciampi, escolha um novo governo, que teria que buscar um voto de confiança no Parlamento. O aliado chave de Berlusconi, Gianfranco Fini, líder da Aliança Nacional de direita, disse que o atual governo deve buscar tal voto.

Ciampi também poderia convocar eleições antecipadas, apesar de que seria pressionado pelo prazo, pois a votação só pode ser convocada com pelo menos 45 dias de antecedência, e as eleições italianas tradicionalmente não são realizadas no verão.

Quem aguarda à espreita é Romano Prodi, o ex-presidente da Comissão Européia, que é líder da coalizão de centro-esquerda e antigo rival de Berlusconi.

A União é um partido centrista que inclui os remanescentes do antes poderoso Partido Democrata Cristão que controlou o governo por décadas. A coalizão é composta pela Forza Italia de Berlusconi, pró-empresariado, a Aliança Nacional e a Liga do Norte, um partido regional voltado para a autonomia e que defende controles mais rígidos de imigração. Primeiro-ministro italiano poderá enfrentar eleições antecipadas George El Khouri Andolfato

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