UOL Notícias Internacional
 

16/04/2005

Mãe de suposta vítima troca farpas com o advogado de Michael Jackson

The New York Times
John M. Broder

Em Santa Maria, Califórnia
Durante o que se revelou ser mais um dia de depoimentos estranhos no processo de Michael Jackson, a mãe de um rapaz que acusa o cantor de abuso sexual bateu boca com o advogado principal de Jackson, trocando com ele repetidamente comentários sarcásticos. Isso conduziu o juiz a repreendê-los e a ameaçar encerrar a audiência.

A discussão entre os dois pegou fogo em tornou da questão de saber se a mulher se submetera ou não a uma sessão de depilação com cera, das pernas ou do corpo inteiro, à custa de Michael Jackson.

O principal advogado da defesa de Jackson, Thomas A. Mesereau Jr., se dispôs a mostrar para ela um recibo de uma sessão de tratamento com cera das pernas, das sobrancelhas e de compra de um biquíni num salão de beleza em Los Olivos, perto da fazenda Neverland, de Michael Jackson.

Ela simplesmente o descartou, afirmando que aquilo não passava de um pedaço de papel que poderia muito bem ter sido forjado.

"Eu estou lhe dizendo que era apenas uma depilação das pernas, e nada mais", disse ela. Então, voltando-se para Michael Jackson e apontando para ele, ela acrescentou: "Ele é muito hábil para coreografar as situações".

Mesereau olhou para ela com desprezo, e disse: "E este não seria antes o caso da senhora?".

O juiz deu ordem para que este comentário fosse retirado dos autos.

Alguns minutos depois, a mulher explicou, referindo-se ao seu desempenho num vídeo no qual ela havia sido filmada junto com os seus filhos dando um depoimento repleto de elogios sobre o caráter de Jackson: "Não sou uma boa atriz".

Mesereau rebateu: "Pois nós achamos que a senhora é uma atriz excelente".

Àquela altura, o juiz Rodney S. Melville, do Tribunal Superior de Santa Bárbara, interveio prestamente para separá-los. Ele disse a Mesereau que ele esperava um comportamento mais profissional da parte dele no recinto do seu tribunal, e explicou à testemunha que ela estava tão faltosa quanto a advogado.

Momentos depois, a mulher fuzilou Mesereau com o olhar e disparou: "Eu tenho inúmeros questionamentos no meu coração a respeito do senhor".

A mãe do rapaz, o qual hoje tem 15 anos e acusou Michael Jackson de tê-lo molestado sexualmente em pelo menos duas oportunidades no início de 2003, é uma testemunha crucial para a acusação, embora ela esteja acarretando também uma série de problemas. Ela não chegou efetivamente a ser testemunha ocular de nenhum dos atos alegados de molestamento sexual, mas ela é a peça central para sustentar a acusação de conspiração que pesa contra Jackson.

Ela afirma ter sido seqüestrada junto com os seus três filhos, ter sido mantida contra a sua vontade em Neverland durante várias semanas, e acrescenta ter sido ameaçada com maus-tratos físicos e obrigada a dar aquele depoimento filmado em vídeo, em desagravo ao documentário extremamente danoso para a imagem de Jackson que havia sido difundido em fevereiro de 2003.

A defesa, por sua vez, sustenta que ela é o cérebro de um plano visando a extorquir milhões de dólares de Jackson e que ela instruiu os seus filhos a forjarem as acusações de abusos sexuais contra ele com esta intenção.

No depoimento que ela deu nesta sexta-feira, ela admitiu ter mentido sob juramento num processo civil contra J.C. Penney, num caso em que ela alegou ter sido vítima de violência junto com os seus filhos por parte dos seguranças de uma loja, os quais os detiveram por suspeitarem de que ela estaria furtando produtos da loja com ajuda das crianças.

A acusação reconheceu que ela havia mentido no intento de poder receber os benefícios sociais, apesar de já ter recebido a título de ressarcimento a quantia substancial de US$ 152.000 (R$ 394.759,20) em conseqüência de um acordo no caso Penney.

Nesta semana, ela invocou o direito que lhe dava a Quinta Emenda da Constituição de não incriminar a si mesma, para com isso impedir que ela seja questionada a respeito dos pagamentos.

Desde que ela esteve à disposição da acusação como testemunha, a partir da quarta-feira (13), os seus depoimentos têm se revelado desconexos, repetitivos, emocionados e, de vez em quando, incoerentes. E isso ocorreu até mesmo quando ela estava sendo submetida a um interrogatório bastante ameno pelos advogados da acusação, o qual foi concluído na manhã desta sexta-feira.

Durante a inquirição de Mesereau, as suas atitudes foram claramente agressivas. Ela partiu para o confronto. Ela raramente ofereceu uma resposta objetiva a perguntas que deveriam ser respondidas por sim ou não, apontou um dedo acusador para Mesereau, fez apartes repentinos para o júri e interrompeu a sessão para discutir com o réu.

"Como eu fui estúpida", disse ela ao descrever de que maneira ela havia sido induzida a fazer comentários abonadores sobre Jackson, descrevendo-o como um amigo e uma figura paterna para os seus filhos.

"Eu achava que ele não bebia", declarou a testemunha. "Isso era um ponto a favor na opinião que eu tinha dele. Agora, eu estou ciente de muitas coisas. Agora eu sei que Neverland é um lugar onde acontece de tudo, inclusive bebedeiras, pornografia e sexo com meninos".

Aparentemente exausto, o juiz deu ordem para que o seu monólogo fosse retirado dos autos. Mais tarde, ele explicou aos membros do júri que eles deveriam desconsiderar todos os comentários que ele havia pedido para retirar da transcrição, mas ele também reconheceu que isso seria difícil. "Seria como tentar impedir uma campainha de tocar", disse o juiz.

Às vezes, a mulher parecia estar saboreando o seu combate contra Mesereau, obstruindo as suas perguntas e falando diretamente com os membros do júri, num tom dramático, que sugeria um grande sofrimento, a respeito da maneira com a qual o advogado havia deliberadamente distorcido as suas palavras ou os seus atos.

A certa altura, ele tentou impedi-la de continuar procrastinando, e obrigá-la a responder objetivamente às suas perguntas. Mas nada conseguiu impedir a mulher de prosseguir com os seus devaneios.

"Oh!", disse ela, dirigindo-se ao júri, "ele não quer que vocês saibam o que realmente aconteceu". Alguns instantes depois, a mãe da vítima explicou que se sentia aliviada e deliciada por poder contar a sua história perante este tribunal, mesmo diante deste duro interrogatório.

"Eu estive esperando por este momento durante dois anos", disse.

No final da tarde, Mesereau exibiu o vídeo testemunhal de uma hora de duração no qual a mulher e os seus filhos teceram elogios à pessoa de Michael Jackson, dizendo que ele era como um pai para eles e que ele havia ajudado o menino no decorrer dos momentos mais difíceis de sua luta contra o câncer.

Mesereau interrompeu repetidamente a exibição da fita e perguntou à mulher se ela estava então mentindo a respeito deste homem que ela acusa agora de ter molestado o seu filho. Ela respondeu que alguns dos assessores de Jackson haviam redigido as respostas que ela deveria dar e que ela tivera de decorá-las.

- "A senhora estaria então mentindo?", perguntou Mesereau.

- "Eu estava encenando", respondeu ela.

- "Mas eram mesmo mentiras?"

- "Eu estava encenando".

- "Deixe-me formular esta pergunta de forma diferente. A senhora estava dizendo a verdade?"

- "Eu estava encenando. Você não vai ligar para Halle Berry e perguntar-lhe: 'Você é mesmo a Mulher-gato?', vai? Pois então, eu estava encenando". Testemunha-chave da acusação tumultua processo com bate-boca Jean-Yves de Neufville

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