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19/04/2005

Governador de NY decide entre disputar reeleição ou tentar a Casa Branca

The New York Times
Michael Cooper

Em Albany, Nova York
Com a expectativa de que o governador de Nova York, George E. Pataki, anunciará seus planos políticos já no próximo mês, a discussão de seu futuro tem consumido a capital do Estado. E muitos são os sinais que apontam para longe de Albany.

Vincent Laforet/The New York Times

Governador de NY pode deixar o Estado, mas disputar a presidência
Vários lobistas, legisladores e assessores políticos daqui dizem que não esperam que ele disputará um quarto mandato como governador. Eles apontam para o lento mas constante êxodo de assessores do governo Pataki, aos números de pesquisa nada invejáveis e para indícios de que seus simpatizantes estão começando a pender para o procurador-geral do Estado, Eliot Spitzer, um dos principais pré-candidatos democratas na eleição para o governo do Estado em 2006.

O ex-senador Alfonse M. D'Amato, um amigo e confidente de Pataki que ajudou a torná-lo governador, tem partilhado algumas refeições com Spitzer e o tem elogiado publicamente.

O ex-chefe de gabinete de D'Amato, John Zagame, foi listado como patrocinador nos convites impressos para dois eventos de arrecadação de fundos que Spitzer realizou no ano passado.

O ex-prefeito de Nova York, Edward I. Koch, outro simpatizante do governador que também já doou dinheiro para a campanha de Spitzer, disse que espera que o próximo emprego de Pataki seja no setor privado e disse que Pataki daria "um excelente executivo-chefe". Ao ser questionado se achava que Pataki disputaria um quarto mandato, Koch disse: "Eu espero que não, porque não quero vê-lo decepcionado, e acredito que ele será derrotado".

Vários atuais e ex-assessores e conselheiros de Pataki disseram em entrevistas recentes que o governador ainda não decidiu o que planeja fazer, e que esperam que ele deixará as pessoas especulando até o último minuto possível.

Um dos conselheiros políticos de Pataki e ex-diretor de comunicações, Michael McKeon, disse que ele acha que a crença geral está errada.

"No final do dia, ele muito provavelmente disputará a reeleição", disse McKeon nesta segunda-feira (18/04). "Eu acho que ele ainda não se decidiu, e que poderia seguir em qualquer uma das direções, mas ele ama o cargo, ele o estimula, e a idéia de uma disputa competitiva, travada arduamente, eu acho que será atraente demais para ele deixar passar."

A questão das intenções de Pataki está preocupando Albany, onde ele manteve o poder por mais de uma década. Lobistas com ligações com o governo estão preocupados com um futuro em um mundo pós-Pataki, o Partido Republicano está procurando desesperadamente por um forte candidato, caso ele não concorra. Alguns membros do Senado estadual, controlado pelos republicanos, estão ponderando sobre um futuro em que eles, em vez da Assembléia controlada pelos democratas, serão a oposição.

Há sinais de que o governador continua flertando com a idéia de concorrer à presidência. Ele tem cortejado eleitores, doadores e delegados dos Estados de Iowa e New Hampshire, tanto na posse do presidente Bush em Washington, em janeiro, quanto na Convenção Nacional Republicana em Nova York, no verão passado.

Pataki também tem arrecadado dinheiro para seu comitê de ação política sediado na Virgínia, que ele pode usar para elevar seu perfil nacional. Mas mesmo alguns simpatizantes republicanos de Pataki em Nova York dizem privativamente que acham que uma disputa presidencial bem-sucedida seria pouco provável.

Ainda assim, Pataki é um formidável arrecadador de fundos. Ele já arrecadou US$ 3 milhões em sua 10ª Recepção Anual do Governador, um evento realizado na semana passada no South Street Seaport em Nova York, disseram assessores.

Assim como no ano passado, os convites davam aos doadores a opção de doar ao seu comitê estadual de campanha ou para o Partido Republicano do Estado. Mas neste ano os convites também ofereciam uma terceira opção: contribuir para o comitê de Pataki sediado na Virgínia, o 21st Century Freedom PAC.

Alguns dos conselheiros de Pataki acreditam que sua proeza na arrecadação de fundos o torna uma força a ser considerada caso ele decida concorrer à presidência, apesar de seus índices de aprovação em Nova York terem caído para baixas quase recordes em algumas pesquisas.

Uma pesquisa divulgada em 11 de abril, do Instituto de Opinião Pública da Faculdade Marista, mostrou que apenas 34% dos eleitores registrados do Estado querem que Pataki dispute um quarto mandato no próximo ano.

Ainda há sinais conflitantes suficientes sendo enviados pelo gabinete do governador, no segundo andar do Capitólio, para deixar as pessoas em dúvida sobre seus planos --algo crucial para um governo que gostaria de ser capaz de realizar coisas sem ficar incapacitado restando mais de um ano e meio para o término do mandato.

Pataki tem mantido sua operação estadual de pesquisa --a mais recente avaliando como a aprovação do primeiro orçamento do Estado dentro do prazo em 21 anos afetou o cenário político, disse um conselheiro político do governador.

Ele criou agitação entre políticos e lobistas na semana passada ao fazer raros ataques contra Spitzer no evento de arrecadação de fundos, criticando as "investigações excessivamente agressivas" do procurador-geral, que afugentou empresas do Estado.

O site de campanha do governador (georgepataki.com), que estava dois anos desatualizado na semana passada, afirmando que ele estava no governo há apenas oito anos, foi atualizado há poucos dias para mostrar que ele está no cargo há mais de uma década.

E Pataki assumiu um papel público incomumente ativo no processo de elaboração do orçamento neste ano, realizando coletivas de imprensa diárias à certa altura e buscando contatar legisladores menos proeminentes.

Quando os legisladores adicionaram centenas de milhões de dólares em novos gastos em suas propostas, ele aceitou a maioria das apropriações, apesar de estar sob ataque de alguns conservadores nacionais que acreditam que seu governo gasta demais. Na segunda-feira, Pataki viajou para as cidades de Buffalo, Rochester e Syracuse para promover seu novo orçamento.

As tentativas para contatar o governador para comentários foram direcionadas para Kevin Quinn, um porta-voz de Pataki, que disse: "O governador lutou para abrir o processo orçamentário e obteve um orçamento fiscalmente responsável, no prazo, porque era a coisa certa a ser feita para a população de Nova York. Ele acreditou, como sempre, que se você tomar as decisões certas e fornecer uma forte liderança que promova o avanço do Estado e melhore as vidas dos cidadãos de Nova York, tais medidas definirão a política".

É claro, se Pataki decidir concorrer, ele ainda é o governador, e como tal tem um poder que deve ser respeitado. Milhares de dólares destinados ao seu comitê de ação política no mês passado vêm de pessoas e empresas que fazem lobby ou têm negócios com o governo estadual de Nova York, como mostram os registros de campanha. Donald J. Trump contribuiu com US$ 10 mil em 13 de abril, como mostram os registros.

Em Albany, o pensamento geral é de que o governador não concorrerá. Mas mesmo aqueles que repetem isto notam que o pensamento geral já esteve errado antes.

"O senso predominante é de que ele não concorrerá", disse o senador estadual Michael A.L. Balboni, um republicano de Long Island. "Mas ele ainda é conhecido por desafiar as expectativas e lançar bolas com efeito." Pataki pode tentar suceder Bush apesar da queda na popularidade George El Khouri Andolfato

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