UOL Notícias Internacional
 

19/04/2005

Multidão fica à espreita da cor da fumaça na Praça São Pedro

The New York Times
Laurie Goodstein

Cidade do Vaticano
No momento em que o fim da tarde desta segunda-feira (18/04) dava lugar para o anoitecer, numa Praça São Pedro completamente lotada, todos os olhares se voltaram para a chaminé sobre o teto da Capela Sistina.

James Hill/The New York Times

Fiéis aguardam na Praça de São Pedro resultado da 1ª votação que definirá o novo líder da igreja
Três padres nigerianos voltaram as objetivas das suas máquinas para aquele local e ficaram de prontidão. Não longe dali, freiras dominicanas passaram a cantar suas vésperas olhando para o alto. Enquanto isso, diversos garotos italianos que cruzavam as pernas sobre a pavimentação pararam de conversar e deixou de lado as brincadeiras.

Pouco antes das 20h --hora local--, a chaminé emitiu um fio de fumaça clara, iluminado pelos holofotes, enquanto as cerca de 40 mil pessoas que estavam reunidas ali pareceram tossir simultaneamente. O fio de fumaça tornou-se uma baforada, a baforada virou uma trilha, enquanto a fumaça parecia clara o bastante para que todos acreditassem que ela estava sinalizando que os cardeais haviam escolhido o novo papa logo na sua primeira votação.

A multidão começou a aplaudir. "Não acredito! É fumaça branca!", gritou Dennis Cinelli, um estudante de intercâmbio oriundo de Flemington, em Nova Jersey.

O seu amigo, John Balmer, da cidade de Boulder, no Colorado, começou a pular e gritar de alegria: "Uuu-uuu!".

Um minuto depois, a fumaça ficou mais escura e logo foi se transformando em baforadas de uma espessa fumaça negra, o sinal que confirmava que nenhum candidato havia sido escolhido ainda.

Na verdade, ninguém tinha a expectativa de que o papa fosse escolhido tão depressa. Afinal, apenas duas horas e meia haviam se passado desde que os cardeais haviam feito o juramento de manter segredo e que as portas da Capela Sistina haviam sido fechadas.

Mesmo assim, uma multidão começou a afluir para a Praça São Pedro, juntando-se aos peregrinos que já estavam reunidos ali para se despedir do papa João Paulo 2º.

Alguns compareceram para torcer para que o papa escolhido seja do seu país. Maria Margarida Inácio apareceu agasalhada para se proteger do frio, envolta numa bandeira verde e amarela do seu país, o Brasil.

Ela estava junto com a sua irmã, Maria Madalena Inácio (sendo elas duas de cinco filhas chamadas Maria). As duas disseram estar torcendo pelo cardeal de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, embora elas não conseguissem lembrar do seu nome. Elas acabaram dizendo que estavam apoiando todo e qualquer representante da América do Sul.

O reverendo Dominic Adeiza, um dos padres nigerianos, explicou que ele não tinha qualquer preferência em particular por um papa africano. "A Igreja Católica não é uma igreja tribal", disse. "Em vez disso, todos nós deveríamos rezar e pedir por um bom papa".

Cerca de 50 freiras trajando hábitos de cor azul clara, que estavam cantando suas vésperas em francês, em voz alta e clara, ficaram ruborizadas. "Não se trata apenas de um novo papa, e sim de um tempo de renovação que está se iniciando para a igreja", disse a Irmã Judith, membro da Comunidade de Jesus Cristo, uma ordem dominicana que as envia pelas ruas por grupos de dois para mendigarem por pão.

O reverendo Javier Rodriguez, um padre colombiano que estuda em Roma, disse que ele pretendia comparecer todos os dias, para estar presente quando a fumaça que aparecer for realmente branca.

"Amanhã a gente se vê por aqui", disse ele, "neste mesmo canal". Muitos acreditaram que o papa havia sido escolhido na 1ª votação Jean-Yves de Neufville

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h39

    0,50
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h47

    0,31
    74.674,12
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host