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20/04/2005

General Motors informa pior trimestre desde 1992

The New York Times
Danny Hakim

Em Detroit
A General Motors informou nesta terça-feira (19/04) uma perda de US$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre, sua pior performance trimestral desde 1992, citando uma forte reversão em suas operações na América do Norte.

A empresa disse que não está mais certa o suficiente de sua perspectiva de fornecer previsões de ganhos para o ano, recuando das revisões desanimadoras que fez no mês passado.

A GM também pareceu estar caminhando para um confronto com o sindicato United Automobile Workers em torno dos custos da cobertura de saúde, que deverão se aproximar de US$ 6 bilhões neste ano. Ao explicar o motivo de não estar fornecendo previsão, a GM citou "a incerteza envolvendo elementos-chave de nossa previsão financeira, como a solução da crise de custo do atendimento de saúde".

Para vários analistas, isto pareceu ser uma mensagem de que a GM continuará buscando concessões dos sindicatos na cobertura de saúde. Na semana passada, líderes sindicais disseram que não concordariam com cortes profundos dos benefícios de saúde, apesar de terem deixado aberta a possibilidade de concessões modestas.

Mas passos modestos não satisfarão os executivos da GM. Ao ser questionado se a GM estava pressionando por mais, John M. Devine, o diretor financeiro chefe, disse em uma entrevista: "Nós não negociamos pela imprensa".

"Tudo o que estamos dizendo é que esta é uma questão séria para nós", disse Devine. "A combinação de volumes menores e custos crescentes de atendimento de saúde colocou nossos negócios na América do Norte em um torno."

Devine também disse que pela primeira vez desde 2001, a GM poderá retirar dinheiro de uma reserva de US$ 20 bilhões destinada para as despesas de atendimento de saúde dos aposentados, como forma de poder arcar com os crescentes custos de saúde. A reserva, que foi criada no final dos anos 90, não precisa ser restituída.

Líderes sindicais não fizeram comentários na terça-feira.

Mas alguns analistas disseram que a ênfase da empresa nos crescentes aumentos do atendimento de saúde não explicam o desaparecimento das projeções de ganhos, que é motivado por um problema mais fundamental: menos americanos estão comprando veículos da GM.

"Nós continuamos nos concentrando na participação de mercado e produtos da GM", disse Robert Hinchliffe, um analista da UBS, em uma nota para os investidores na terça-feira. Ele acrescentou que, apesar de a "GM citar sua crise de custos de saúde como principal fonte de incerteza", ele não sabe ao certo como as projeções de custo de atendimento de saúde puderam mudar de forma tão imprevisível neste ano.

A perda da GM esteve de acordo com seu alerta de lucro de 16 de março, que levou a mudanças no alto escalão da divisão norte-americana e fez as ações da GM atingirem o valor mais baixo em 12 anos na semana passada.

O relatório de terça-feira preocupou ainda mais os analistas devido à falta de projeção de ganhos e pelo fluxo negativo de caixa de US$ 3,5 bilhões no trimestre, deixando cerca de US$ 20 bilhões em seu balancete automotivo.

"Isto não é algo que podemos fazer de forma regular", disse Devine sobre a perda de caixa da empresa.

Após uma queda acentuada no início do dia, as ações da GM se recuperaram e fecharam com queda de 10 centavos de dólar, a US$ 26,09.

A perda líquida de US$ 1,1 bilhão, ou US$ 1,95 por ação, contrastou com o lucro de US$ 1,21 bilhão, ou US$ 2,12 por ação, no primeiro trimestre de 2004.

Itens especiais incluíam os custos para reestruturação das problemáticas operações européias e para os pacotes de aceleração de aposentadoria de funcionários executivos americanos. Fora estes, a empresa sofreu perdas operacionais de US$ 839 milhões, ou US$ 1,48 por ação, dentro das estimativas de Wall Street.

Tais estimativas têm caído depois do alerta de março da GM de que os ganhos operacionais de 2005 seriam de US$ 1 a US$ 2 por ação, uma queda em comparação à estimativa de US$ 4 a US$ 5. A GM também disse na época que suas operações consumiriam US$ 2 bilhões em dinheiro em vez de gerar US$ 2 bilhões, como tinha previsto anteriormente.

A receita caiu 4,3%, para US$ 45,8 bilhões no trimestre.

"A decisão da GM de não apresentar projeção é uma notícia ruim adicional para as ações", escreveu John Casesa, um analista da Merrill Lynch, em uma nota aos investidores.

Ele acrescentou que as declarações sobre atendimento de saúde sugeriram que "a administração está aumentando a pressão sobre o sindicato" para renegociar seu contrato antes que expire em 2007. Líderes sindicais pareceram descartar isto na semana passada.

Os custos de saúde são um fardo substancial porque a GM oferece cobertura para 1,1 milhão de americanos, incluindo funcionários, aposentados e suas famílias. Os operários da GM não pagam mensalidades ou taxas dedutíveis, apesar de dividirem o pagamento de consultas e medicamentos.

Apesar dos resultados norte-americanos da GM continuarem difíceis de prever, a empresa disse que suas outras operações estão dentro das projeções. A divisão de financiamento continua sendo um ponto positivo, apesar da pequena queda devido ao aumento das taxas de juros, informando um lucro de US$ 728 milhões, uma queda em comparação a US$ 764 milhões no ano passado.

As operações asiáticas informaram um lucro de US$ 60 milhões, uma queda em comparação ao lucro de US$ 275 milhões no ano anterior, provocada em parte pelo enfraquecimento do mercado chinês. As operações européias tiveram uma perda de US$ 103 milhões, ligeiramente melhor do que a perda de US$ 116 milhões do ano anterior. Na América Latina a empresa informou um lucro de US$ 46 milhões, um aumento em comparação a US$ 1 milhão no ano anterior.

Nenhum mercado é mais importante para a GM do que o dos Estados Unidos, onde grandes utilitários esportes e picapes, juntamente com os lucros de empréstimos para carros, têm gerado lucratividade. Mas as operações automotivas norte-americanas da GM informaram uma perda líquida de US$ 1,3 bilhão no trimestre, em comparação a um lucro de US$ 401 milhões no ano anterior.

A concorrência de rivais asiáticas como a Toyota enfraqueceram do domínio da GM e da Ford no mercado de utilitários esporte.

No geral, a participação de mercado da GM nos Estados Unidos caiu de 26,7% no ano passado para 25,4%, apesar dos gastos pesados em descontos e outros incentivos de venda. As vendas de grandes utilitários esporte, como o Chevrolet Suburban, diminuíram, apesar de os executivos da GM contestarem o argumento de muitos analistas de influência do aumento do preço dos combustíveis.

A empresa está realocando recursos para acelerar a produção de uma nova geração de seus utilitários esporte grandes até o final do ano, acreditando que o lançamento de novos produtos reanimará a demanda.

"Os resultados da GM da América do Norte foram claramente desanimadores", disse Rick Wagoner, o presidente e executivo-chefe da GM, em uma declaração. Ele não apareceu na teleconferência de terça-feira com analistas financeiros e a mídia.

Devine disse que dois problemas se destacam na América do Norte.

"Nós estamos absolutamente concentrados em acertar nossos produtos para hoje e amanhã, esta é nossa prioridade número um", disse ele, "mas logo atrás está a solução da crise do atendimento de saúde que enfrentamos".

Ele também reiterou que a empresa não contempla um pedido de falência; a maioria dos analistas disse que a conversa sobre falência é prematura porque a GM conta com reservas adequadas de dinheiro para sobreviver por algum tempo, apesar de não verem nenhum caminho claro para uma recuperação dramática.

"Algumas empresas o utilizam como modelo de negócios para evitar obrigações com os funcionários", disse Devine. "Este não é o nosso caso. Não funcionaria. Você pode voar em uma companhia aérea falida, mas você não vai comprar um carro de uma montadora falida." Maior montadora do mundo diz ter registrado prejuízo de US$ 1,1 bi George El Khouri Andolfato

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