UOL Notícias Internacional
 

20/04/2005

Ministro chinês ordena fim de protesto anti-Japão

The New York Times
Joseph Kahn

Em Pequim
O ministro das Relações Exteriores da China pediu nesta terça-feira (19/04) pelo fim dos protestos anti-Japão, o primeiro sinal de que a liderança não mais aceitará as raras e às vezes violentas manifestações que têm defendido uma nova e mais confrontadora posição em relação ao Japão.

O ministro, Li Zhaoxing, disse em uma reunião do departamento de propaganda do Partido Comunista, da qual participaram 3.500 pessoas, que o governo, as forças armadas e autoridades do partido, assim como "as massas", devem se afastar das ruas, informou a mídia estatal.

"Os quadros e as massas devem acreditar na habilidade do partido e do governo de tratar de forma apropriada todas as questões ligadas às relações sino-japonesas", teria dito Li, segundo a imprensa oficial.

"De forma calma, racional e legal expressem seus próprios pontos de vista. Não participem de marchas que não foram aprovadas. Não façam nada que possa perturbar a estabilidade social."

Os comentários de Li, transmitidos em televisão nacional, representaram o primeiro pedido direto de uma importante autoridade para o fim dos protestos de dezenas de milhares de cidadãos urbanos. As manifestações continuaram por três fins de semana consecutivos, tornando-se os maiores protestos de rua da China deste o levante pró-democracia de 1989.

Até agora, os protestos desfrutavam pelo menos da aprovação tácita do governo central. Apesar de nenhuma das grandes marchas em Pequim, Xangai e várias outras cidades terem recebido permissões formais, a polícia não fez esforços consistentes para impedi-las ou para prender as pessoas responsáveis pelo vandalismo contra as missões diplomáticas japonesas ou propriedades privadas durante as marchas.

Em recentes aparições públicas, Li evitou criticar os manifestantes e acusou o Japão de instigar os protestos, ao provocar a China em questões que incluem disputas territoriais, textos de história distorcidos e visitas ao templo da guerra de Tóquio.

Li reiterou que o Japão deve assumir a responsabilidade pela agitação porque continua a atenuar a história de sua ocupação da China durante a Segunda Guerra Mundial. Ele rejeitou os pedidos do governo japonês para que apresentem pedidos de desculpa e compensação pelas propriedades japonesas danificadas.

Mas seu apelo para o término dos protestos provavelmente reflete a visão dos altos líderes, que podem ter concluído que há pouco a ganhar com maiores protestos e que a estabilidade social corre certo risco caso as manifestações prossigam irreprimidas.

"Os quadros devem implementar de forma resoluta as principais políticas da liderança central do partido e proteger de forma resoluta a estabilidade política geral e a unidade", disse ele.

A sugestão de que as autoridades devem "implementar de forma resoluta" as decisões da liderança indicam para uma possível divergência de opiniões sobre como lidar com os protestos.

Na história comunista, ordens não claras ou contraditórias do topo freqüentemente têm fornecido uma abertura para protestos públicos e deixado a polícia relutante em exercer sua autoridade.

Não se sabe se elementos na liderança tinham posições diferentes desta vez, mas Li deixou implícito que autoridades de escalão mais baixo seriam responsabilizadas pela execução das novas ordens.

O maior teste de ordem ocorrerá na próxima semana. Os cidadãos urbanos têm enviados mensagens de texto e e-mail uns para os outros convocando grandes marchas em 1º de maio, o Dia do Trabalho, e em 4 de maio.

4 de maio é uma data particularmente significativa na história da China, porque é o aniversário do primeiro grande levante nacionalista liderado por estudantes, em 1919. O ultraje popular em torno do Tratado de Versalhes, que deu território chinês controlado pelos alemães para o Japão, após a Primeira Guerra Mundial, provocou aquele protesto.

As autoridades geralmente aumentam a vigilância e a repressão aos críticos do governo em tais aniversários para evitar agitação.

Japão aumenta críticas à China

Com a China se recusando a pedir desculpas pelos protestos anti-Japão, a liderança japonesa aumentou as críticas a Pequim na terça-feira, enquanto a população japonesa pareceu recuar para uma posição mais cautelosa.

O primeiro-ministro Junichiro Koizumi rejeitou as queixas da China de que suas visitas ao Templo Yasukuni, onde os criminosos de guerra Classe A são venerados, eram um insulto aos chineses e um obstáculo a melhores relações. "Cada país tem sua própria história, tradição e pontos de vista diferentes", disse ele.

Os linhas-duras do Partido Democrata Liberal do governo abafaram as críticas isoladas a Koizumi.

"Espera-se que as pessoas ofereçam um pedido de desculpa e compensação quando danificam a propriedade de outra pessoa", disse Shoichi Nakagawa, o ministro da Economia, Comércio e Indústria. Japoneses reivindicam reparação por prejuízos decorrentes dos atos George El Khouri Andolfato

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