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21/04/2005

Expansão da economia chinesa provoca temor

The New York Times
Keith Bradsher*

Em Xangai
Um superávit comercial em disparada e fortes investimentos em novos prédios de apartamentos e edifícios comerciais ajudaram a alçar a economia chinesa a um patamar de crescimento de 9,5% no primeiro trimestre, um índice consideravelmente mais robusto do que o esperado e acima da meta de 8% estabelecida pelo governo, segundo anunciou nesta quarta-feira (20/04) a agência de estatística da China.

A pesada dependência da economia nas crescentes exportações e um mercado de imóveis febril, no qual apartamentos de luxo trocam de mãos por preços que sobem vertiginosamente, apesar da alta taxa de desocupação, gerou preocupações entre investidores e economistas.

As ações chinesas caíram na quarta-feira devido ao temor de que as autoridades do país possam se sentir compelidas a elevar as taxas de juros a fim de reduzir a especulação com imóveis. O Índice Composto Xangai caiu 1,31% e o Índice Composto Shenzhen 1,83%.

Zheng Jingping, porta-voz do Departamento Nacional de Estatística, disse que o crescimento dos investimentos em construções e outros bens imóveis, que foi de 22,8% no primeiro trimestre, comparado ao mesmo período do ano anterior, ficou excessivamente elevado.

"Se o ritmo puder ser mantido em torno de 20%, isso beneficiará o saudável e estável desenvolvimento da economia chinesa", afirmou.

O crescimento dos investimentos foi especialmente intenso nos projetos imobiliários urbanos, ficando em 26,7% no primeiro trimestre. O Banco Popular da China elevou no mês passado a primeira parcela exigida para financiamento de imóveis em várias cidades de 20% para 30% do valor total do imóvel.

A riqueza se tornou extremamente concentrada aqui, e o crescimento da demanda doméstica diminuiu um pouco com relação a vários produtos, à medida que famílias de classe média passaram a economizar. Por exemplo, as vendas de automóveis despencaram no primeiro trimestre, com a exceção dos veículos mais baratos e os mais caros.

Mas o mercado de automóveis de luxo continua forte. "De maneira geral, a economia ainda está marchando vigorosamente para frente", disse Ian Robertson, presidente da Rolls-Royce, durante uma visita à resplandecente concessionária da companhia nesta cidade.

A Rolls-Royce fará aqui, na quinta-feira, a introdução asiática do seu automóvel Phantom. O carro será vendido na China por quase US$ 800 mil devido aos pesados impostos que fazem com que os preços dos automóveis de luxo dobrem no país.

A China se transformou no quarto maior mercado para a companhia, ficando pouco atrás do Japão, mas ainda bem distante de Estados Unidos e Reino Unido, afirmou Robertson.

Parte da demanda se deve a empresários que ficaram ricos com o mercado de imóveis. Várias gruas de construção podem ser vistas do outro lado da rua, em frente à concessionária Rolls-Royce, e Robertson, apontando para elas, as chamou de "símbolos nacionais da China".

Um salto das exportações, que aumentaram 32,6% e levaram a um superávit quase recorde de US$ 16,6 bilhões para o trimestre, também aumentou a pressão sobre a China para que o país permita que a sua moeda, conhecida como yuan ou renminbi, se desvalorize em relação ao dólar estadunidense e a outras moedas.

Um yuan mais forte tornaria as exportações chinesas mais caras e menos competitivas nos mercados estrangeiros, e faria com que fosse mais fácil para as companhias estrangeiras aumentar as vendas aqui.

As importações chinesas estagnaram, com a exceção das matérias-primas, especialmente o petróleo do Oriente Médio e da África. O governo Bush, em especial, e as autoridades européias e japonesas em menor grau, têm pedido à China que deixe o yuan subir.

A mais recente solicitação nesse sentido ocorreu quando ministros das finanças das nações do Grupo dos Sete se reuniram em Washington no último fim de semana.

James J. Padilla, presidente e chefe de operações da Ford Motor Co., emitiu uma advertência ligeiramente velada aqui no final da quarta-feira, dizendo que os fabricantes norte-americanos não tolerarão os altos déficits comerciais nos Estados Unidos indefinidamente.

"Por quanto tempo os Estados Unidos serão um mercado aberto no qual apenas se registram importações? Isso não durará para sempre", disse ele em um jantar com jornalistas em Xangai que foi parte dos preparativos para a inauguração pública do Show do Automóvel da cidade neste fim de semana.

A Ford, e especialmente a General Motors, têm perdido fatias do mercado de maneira contínua há muitos anos, especialmente para os fabricantes japoneses, e Padilla advertiu que as montadoras chinesas acabarão tentando penetrar no mercado norte-americano. Ele não disse quando isso acontecerá, embora ressaltasse que poderá ser difícil para essas montadoras estabelecer redes de distribuição e serviços nos Estados Unidos.

"Isso ocorrerá no decorrer do tempo, mas não será amanhã", afirmou.

Vários bancos de investimento, especialmente o J.P. Morgan, têm previsto que uma mudança na política de câmbio chinesa poderia ocorrer em breve, tanto nas próximas semanas como em 1º de julho, tendo em vista a predileção das autoridades chinesas por tomarem importantes decisões econômicas no meio ou no final do ano.

Mas os freqüentemente violentos protestos de rua contra o Japão podem ter atrasado qualquer movimento ao criarem uma atmosfera de incerteza política que poderia desencorajar o governo a tomar qualquer medida econômica potencialmente arriscada.

Várias autoridades chinesas expressaram fortes reservas no mês passado quanto a qualquer modificação no valor da moeda do país.

Um benefício de se permitir a valorização da moeda é que isso tornaria mais barata para as companhias chinesas a compra de petróleo e outros produtos cujos preços são fixados em dólares.

O índice de preço para o consumidor aqui foi 2,8% mais elevado no primeiro trimestre deste ano do que no mesmo período do ano passado, bem abaixo do nível entre 4% e 5%, que segundo o governo, seria um problema. Mas os preços do produtor, que tendem a ser menos regulamentados, têm subido duas vezes mais rapidamente.

"Embora pensemos que a elevação do índice de preços ao consumidor no primeiro trimestre tenha sido bastante modesta, não podemos ser complacentes, e precisamos aumentar seriamente o monitoramento", afirmou Zheng.

Na Feira de Comércio de Cantão, na semana passada, em Guangzhou, China, vários gerentes reclamavam do preço do petróleo, que eleva os valores do plástico, do poliéster e de outros materiais.

Wang Zhi Gang, gerente da Yantai Tiancheng Textiles Import and Export Corporation, em Yantai, China, disse que o custo de fabricação de pijamas para bebês subiu entre 3% e 5%, enquanto que os custos das camisas masculinas de poliéster aumentaram entre 5% e 10%.

"Temos que pedir aos nossos clientes que paguem mais", afirmou.

*Colaborou Chris Buckley, em Pequim. País anuncia crescimento de 9,5% no primeiro trimestre deste ano Danilo Fonseca

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