UOL Notícias Internacional
 

22/04/2005

Uma câmera digital que encontra o caminho do meio

The New York Times
David Pogue

Em Nova York
Certamente é conveniente dividir o mundo em dois campos. Sabe como é: ou você está conosco ou contra nós; você é legal ou não; você é o aprendiz ou está demitido.

Mas com freqüência, há ouro no meio termo. Até recentemente, por exemplo, os fabricantes de câmeras digitais viam cada cliente como amador ou profissional, e não ofereciam nada além de modelos abaixo de US$ 500 e câmeras single-lens reflex (SLRs, monoreflex) por US$ 2 mil ou mais. Assim, quando a Canon lançou uma digital SLR por US$ 1 mil --sua Digital Rebel EOS 300D, ela atingiu um oásis do tamanho do Saara.

Agora, 1,2 milhão de Digital Rebels depois, está claro que a Canon encontrou algo. Assim como a SLR de US$ 1 mil da Nikon, a D70, se tornou instantaneamente a SLR de melhor vendagem (filme ou digital) da história da Nikon, por grande margem. Ambas as câmeras permitem que os não tão ricos tirem fotos de qualidade National Geographic.

Neste mês, ambas as câmeras ganharam novas características --e novas letras acrescentadas aos seus nomes. A nova Digital Rebel XT (a EOS 350D) da Canon visa eliminar a diferença de performance entre a Rebel original e a Nikon D70. E, apenas na quarta-feira, a Nikon contra-atacou com a D70S, uma versão atualizada de sua SLR para o consumidor. São os Jogos Olímpicos das câmeras.

Como explicar uma SLR digital?

Vamos colocar desta forma: se você até agora só usou câmeras digitais comuns, então você está sentado na geral.

Por exemplo, em uma digital SLR, o atraso do obturador --o flagelo da existência do obturador amador-- é praticamente zero. Isso mesmo: nenhum atraso de meio segundo após você apertar o botão.

A vida da bateria é praticamente interminável; a nova bateria menor da Rebel XT é boa para 600 fotos por carga, em comparação a 200 de uma câmera digital comum. Mas a nova bateria da D70S expande isto a um extremo delirante: cada carga pode alimentar a câmera para assombrosas 2.500 fotos. Um carga pode durar semanas.

Mas de longe a vantagem mais importante de uma SLR digital é o fato de ela tirar fotos muito, muito melhores. Você pode tirar retratos supernítidos com fundos levemente desfocados, assim como fazem os profissionais.

Você pode obter bons resultados mesmo com iluminação ruim, graças em parte a um flash inteligente auto-ajustável. Você tem todo controle manual conhecido pelo ser humano (exposição, velocidade do obturador e assim por diante). E pode expandir os limites com lentes intercambiáveis (telefoto, macro, olho-de-peixe, a que quiser).

Mas é preciso fazer três sacrifícios para estes resultados de aspecto profissional. Primeiro, a SLR digital é uma câmera grande, pesada, de aspecto tradicional, com lentes longas, cilíndricas e tampa de lente destacável; compre um estojo de câmera também. Segundo, estas são máquinas sérias de fotos, que não ficam brincando com filmes ou gravações de som.

E, finalmente, você não pode compor uma foto usando uma tela LCD; você precisa espiar pelo visor óptico. Isto porque o espelho, que curva a luz das lentes até a ocular, bloqueia os sensores eletrônicos exceto no momento em que o obturador se abre.

Se você ainda está intrigado, você tem muito o que esperar. Os novos três ganhos da Canon são resolução, velocidade e tamanho.

A câmera agora tira fotos de 8 megapixels (a Rebel original e ambos os modelos D70 são câmeras de 6 megapixels). Isto não é uma característica obrigatória --afinal, ela exige um cartão de memória maior e mais paciência quando se está trabalhando com os resultados no computador. Mesmo assim, o ganho adicional pode ser útil quando você quer recortar uma foto, porque você ainda terá resolução suficiente para uma bela impressão grande.

Muito mais importante é a velocidade da XT. A nova câmera fica carregada e pronta para fotografar em dois décimos de segundo, assim como a D70. (A Rebel original levava uma vida digital para se aprontar para trabalhar --três segundos-- o que significava muitas oportunidades perdidas de fotos.) A XT também transfere as fotos para seu computador usando USB 2.0, 10 vezes mais rápido que o original.

O modo de disparo da Rebel também melhorou; em vez de disparar 2,5 fotos por segundo (máximo de 4 fotos consecutivas) como sua antecessora, a nova câmera pode disparar até 3 por segundo (máximo de 14 consecutivas). Isto ainda não é tão bom quanto a D70S (3 por segundo, máximo 144), mas tem maior chance de capturar um sorriso esquivo, um impacto atlético ou uma criança hiperativa.

Finalmente, o corpo da Rebel XT é 15% menor (e 10% mais leve) do que a original. Ela é a menor SLR digital no mercado.

Mas o novo design não foi universalmente aprovado entre os fotógrafos. O encolhimento exigiu o deslocamento do mostrador de status (que exibe o ajuste atual da câmera) do alto da câmera para baixo dela, o que algumas pessoas adoram e outras nem tanto.

Mais importante, os cirurgiões da Canon realizaram grande parte da lipoaspiração na área em que você segura a câmera, deixando uma área muito menor e mais vazia. Pessoas com mãos grandes --principalmente homens-- acabam colocando os dedos contra a lente, ou pior, pressionando acidentalmente o botão de timer (que, a propósito, fica bem ao lado de seu polegar) e perdendo fotos devido ao atraso resultante de 10 segundos. A Canon está levando a noção de "mulheres e crianças primeiro" a sério demais.

Mas se você conseguir se sentir à vontade com ela, você poderá desfrutar de uma longa lista de melhorias técnicas, como a redução de "ruído" (manchas) nos ajustes de ISO elevado (sensibilidade à luz), nove ajustes de câmera programáveis (a Rebel original não possuía nenhum) e mais controle sobre o excelente sistema de autofoco. E agora você tem duas opções de cores para o corpo de policarbonato: prata ou preto.

A Rebel original continuará no mercado por um preço mais baixo: cerca de US$ 800 com lente de zoom de 18-44mm. Mas resista -as enormes melhorias na XT valem o preço adicional. Por US$ 1.000, a XT fornece funções e qualidade de foto que praticamente reproduz o que existe no modelo superior da Canon, a EOS 20D (cerca de US$ 1.300, apenas o corpo).

De fato, a lista de vantagens da 20D agora é muito pequena. Seus itens principais incluem disparo de cinco fotos por segundo, um autofoco ligeiramente melhor, sensibilidade para pouca luz e corpo de metal.

As mudanças feitas pela Nikon em sua D70 são bem menos extensas. A tela de LCD é maior (2 polegadas na diagonal, contra 1,8 das Rebels); o sistema de autofoco é mais rápido e melhor para acompanhar um objeto em movimento; agora há um conector para cabo de disparo de obturador; o flash lança um arco maior; e os menus oferecem fontes maiores e um esquema de maior contraste de cor que é fácil de ver mesmo sob luz solar direta. (Em comparação, os menus da Rebel XT se transformam em uma mancha preta opaca sob a luz do sol.)

Nesta semana, a Nikon está aposentando a D70 original. O preço sugerido para a D70S é US$ 900 (apenas para o corpo) ou US$ 1.200 com uma lente de zoom 18-70mm. Se a história da D70 servir como referência (até a quarta-feira ela custava US$ 785 online), o preço cairá assim que estiver disponível online. Até lá, a D70S ainda custará mais do que a Rebel XT.

Em junho, a Nikon tratará do desequilíbrio da D50, uma nova SLR digital que custará US$ 900, com a lente incluída. Ela é uma D70 menor, mais leve, não dispondo apenas de algumas funções superiores --um modo ligeiramente mais lento de disparo, menos pontos de medição de luz e algumas outras coisinhas-- mas com características próprias, como um conector rápido USB 2.0 e um preset para crianças para fotos de seus filhos correndo. Contando a eVolt 300 de 8 megapixels da Olympus (US$ 705 online, apenas o corpo), haverá pelo menos cinco membros da fileira SLR abaixo de US$ 1.000.

Enquanto isso, cada empresa insiste que sua câmera é melhor do que as outras. A Canon aponta que a Rebel XT tem melhor resolução (8.0 megapixels contra 6.1), um preço mais baixo, menos ruído em ajustes de ISO elevado e uma bateria opcional. (Este acessório de US$ 170 é ligado na parte inferior, facilitando fotografar verticalmente, armazenando baterias adicionais e resolvendo o problema da área de segurar muito pequena.) A XT também inclui botões simples de ampliação para exibição -uma solução menos desajeitada do que a salva de duas mãos exigida na D70S- mas seus hipersensíveis botões de foto anterior-próxima ocasionalmente pulam uma foto.

A Nikon destaca a tela maior da D70S, maior duração da bateria, obturador mais rápido (oito milésimos de segundo, contra quatro milésimos de segundo da Rebel), modo de disparo superior e menus mais fáceis de ver. Você também pode argumentar que as lentes de US$ 300 da Nikon às vezes produzem objetos com definição ligeiramente melhor do que as lentes de US$ 100 da Canon.

Ambas as empresas apresentam bons argumentos. A menos que você já tenha lentes de uma empresa ou da outra, escolher entre elas é uma proposta difícil. Ambas tiram fotos tão boas que você se sentirá culpado quando seus amigos e vizinhos começarem a perguntar como você se tornou um fotógrafo tão bom da noite para o dia. (Você pode ver fotos de amostra em http://www.nytimes.com/circuits) Ao realizar melhorias em suas campeãs de vendas, a Nikon e a Canon acabaram oferecendo a você a melhor característica de todas: opção. George El Khouri Andolfato

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