UOL Notícias Internacional
 

23/04/2005

Asilo ao ex-presidente do Equador está indefinido

The New York Times
Juan Forero

Em Quito, Equador
O novo governo do presidente Alfredo Palacio disse que levará tempo para decidir se permitirá ao ex-presidente, que foi removido do poder na última quarta-feira, deixar o país rumo ao Brasil, que lhe concedeu asilo.

O ex-presidente, Lucio Gutiérrez, que é acusado de ter violado a Constituição ao se intrometer na Suprema Corte, permanecia na residência do embaixador do Brasil nesta sexta-feira (22/04), enquanto manifestantes do lado de fora exigiam sua permanência no Equador para enfrentar acusações criminais.

O gabinete do procurador-geral emitiu um mandado de prisão, acusando-o da repressão violenta que matou duas pessoas nos protestos crescentes que levaram à sua derrubada.

"O Brasil, que o considera um candidato a asilo, concedeu o asilo, mas não podemos lhe conceder salvo conduto por ora", disse Antonio Parra Gil, o ministro das Relações Exteriores, em comentários transmitidos pela imprensa equatoriana. "Nós, antes de tomarmos qualquer decisão, vamos analisar a situação."

Parra disse que os equatorianos estavam "cansados de presidentes que se transformam em verdadeiros ladrões, pedem asilo e então os países lhes concedem asilo".

De fato, a possível partida de Gutiérrez enfureceu muitas pessoas, que estão acostumadas a ver ex-presidentes --tanto os derrubados quanto aqueles que concluíram seus mandatos-- fugirem para outros países para evitar acusações. Autoridades do governo também querem investigar se Gutiérrez roubou fundos, o que a maioria dos equatorianos acredita ser uma tradição entre políticos de saída.

"Eles roubam dinheiro e então partem", disse Salvador Quishpe Lozano, um legislador e membro do Partido Pachakutik de esquerda. "Os governos precisam ter em mente para quem estão concedendo asilo."

O governo de Palacio, que assumiu na quarta-feira logo após a fuga de Gutiérrez do palácio presidencial, está enfrentando pressão pública para mostrar que é diferente de outros governos equatorianos. Ao mesmo tempo, o governo enfrenta o desafio de conquistar reconhecimento internacional de seus vizinhos e dos Estados Unidos, que querem determinar se a remoção abrupta de Gutiérrez violou a Constituição.

A Organização dos Estados Americanos, em reunião em Washington, votou na noite de sexta-feira pelo envio de uma comissão a Quito para estudar as circunstâncias.

Gutiérrez, em seus primeiros comentários desde que fugiu do palácio, chamou sua remoção de "inconstitucional" em uma gravação apresentada na "TeleAmazonas". Ele não elaborou, mas disse que foi removido por ter tentado desbaratar a "oligarquia", forçando seus membros a pagar impostos. Ele também disse que não cometeu nenhum crime.

"Eu não sou um ladrão", disse ele.

Mas foi a assistência de Gutiérrez a outro ex-presidente --Abdalá Bucaram Ortiz, que é procurado aqui por uma série de acusações de corrupção-- que levou à sua derrubada.

Uma reforma da Suprema Corte pelos aliados de Gutiérrez no Congresso permitiu que um tribunal interino assumisse, e este liberou Bucaram das acusações em março, permitindo que voltasse do exílio para o Equador.

Bucaram, 53 anos, um líder flamboyant que durante a presidência gravou um CD chamado "Un Loco Que Ama", no início desta semana soava altamente confiante de que seus apuros legais estavam encerrados graças a Gutiérrez e o tribunal interino.

"Eu sou um homem feliz", disse ele em uma entrevista em sua casa, chamando o tribunal de o melhor que o Equador teve em 40 anos.

Mas com o fim do governo de Gutiérrez, Bucaram abandonou rapidamente sua casa e acredita-se que tenha fugido do país. Manifestantes exigem sua permanência para enfrentar acusações George El Khouri Andolfato

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