UOL Notícias Internacional
 

23/04/2005

Bom governo deve dar nova vitória a Tony Blair

The New York Times
Thomas L. Friedman

Em Nova York
NYT Image

Colunista Thomas Friedman
Não é permitido aos colunistas do NYT endossar candidatos presidenciais. O jornal faz isso apenas em seu editorial. Mas ao checar o livro de regras do colunista, eu não encontrei qualquer proibição a endossar um candidato a primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Assim, eu estou torcendo oficialmente para Tony Blair.

Eu nunca encontrei Blair. Mas lendo a imprensa britânica, me chama a atenção o fato de ele não ser muito amado pela Fleet Street. Ele também não é muito amado pela esquerda de seu próprio Partido Trabalhista.

Ele certamente também não conta com muitos simpatizantes nas bancadas dos conservadores. Ainda assim, ele parece estar caminhando para a reeleição para um terceiro mandato, em 5 de maio.

De fato, eu acredito que a história classificará Blair como um dos primeiros-ministros britânicos mais importantes de todos os tempos --tanto pelo que ele realizou internamente e pelo que ousou fazer no exterior. Há muito o que o Partido Democrata dos Estados Unidos poderia aprender com Blair.

Primeiro, você não precisa ser conservador para ser um político com convicção. Por anos Blair foi zombado pela imprensa como "Tony Blur" (borrão) --um homem sem nenhum princípio fixo, muito agitação e pouco conteúdo, que transformou o Partido Trabalhista no "Novo Trabalhismo", como colocando batom em um porco, mas nunca fazendo escolhas ou promovendo mudanças difíceis. A realidade é bem diferente.

Ao decidir fazer a Grã-Bretanha acompanhar o presidente Bush na guerra no Iraque, Blair não apenas desafiou o predominante sentimento antiguerra de seu próprio partido, mas também a opinião pública britânica em geral. "Blair correu o risco de uma completa auto-imolação por princípio", notou Will Marshall, presidente do Instituto de Política Progressista, um centro de estudos americano pró-democrata.

Lembre que nas horas mais sombrias do drama iraquiano, quando as coisas pareciam desastrosas (e tem havido muitas destas horas), Bush sempre pôde contar com o apoio de seu próprio partido e da máquina conservadora americana e centros de estudo. Tony Blair, por outro lado, jantava sozinho. Ele não contava com nenhum grupo para apoiá-lo. Eu acho que nem mesmo sua esposa o apoiava na guerra do Iraque. (Eu sei como é!)

Todavia, Blair adotou uma posição de depor Saddam por princípios e manteve a Grã-Bretanha firmemente alinhada com os Estados Unidos. Ele o fez, entre outros motivos, porque acredita que a promoção da liberdade e a derrota do fascismo --seja o fascismo nazista ou islâmico-- são metas "liberais" de política externa quintessenciais e indispensáveis.

A outra coisa muito real que Blair tem feito é fazer o Partido Trabalhista na Grã-Bretanha defender fortemente o livre mercado e a globalização --às vezes gritando e esperneando. Ele reconfigurou a política trabalhista em torno de uma série de políticas que visam extrair o máximo da globalização e da privatização para os trabalhadores britânicos, ao mesmo tempo em que amortiza os efeitos colaterais mais duros, em vez de tentar se agarrar a idéias socialistas falidas ou chafurdar na choradeira antiglobalização da esquerda reacionária.

A forte economia britânica que Blair e seu ousado ministro das Finanças, Gordon Brown, arquitetaram levou a gastos em saúde e educação --assim como em transportes e lei e ordem-- que têm crescido "mais rapidamente do que sob os conservadores", notou o jornal "Financial Times" na quarta-feira.

"O resultado tem sido várias escolas novas e reformadas, dezenas de novos hospitais, dezenas de milhares de funcionários adicionais e mais novos equipamentos."

E estas melhorias, que muitas mais pela frente, foram todas conseguidas até o momento com poucos aumentos de impostos. A vibrante economia britânica e programas de bem-estar para o trabalho têm, por sua vez, resultado no menor desemprego na Grã-Bretanha em 30 anos.

Isso tem levado a uma maior arrecadação de impostos e ajudado o governo a pagar a dívida nacional. Isto, por sua vez, tem economizado dinheiro tanto em juros quanto em benefícios do bem-estar social --dinheiro que é canalizado de volta aos serviços, explicou o "Financial Times".

Resumindo, Tony Blair redefiniu o liberalismo britânico. Ele transformou o liberalismo em abraçar, gerenciar e amortecer a globalização, sobre abraçar e expandir a liberdade --por meio de forte diplomacia quando possível e força onde necessária-- e sobre abraçar a disciplina fiscal. Ao longo do caminho, ele audaciosamente eviscerou os conservadores, os deixando apenas com suas políticas marginais.

Os democratas americanos podiam aprender muito com ele. A própria ambivalência deles em relação à globalização e o novo New Deal, que nosso país necessita para tornar mais americanos educados e empregáveis em um mundo sem muros, e sua própria ambivalência em relação à uma diplomacia musculosa, custaram aos democratas votos suficientes no centro americano para permitir que a equipe propensa a erros de Bush escapasse por um triz em 2004.

Assim, se Blair vencer na Grã-Bretanha, eu espero que os democratas nos Estados Unidos estejam fazendo anotações. Premiê britânico causa muita agitação, mas tem conteúdo também George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h49

    0,50
    3,163
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h55

    0,46
    65.400,59
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host