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26/04/2005

China aumenta sua influência na política interna de Taiwan para defender reunificação

The New York Times
Joseph Kahn

Em Pequim
Os dois principais líderes da oposição ao governo do Taiwan farão visitas consecutivas à China nas próximas duas semanas. Assim, Pequim reforça sua campanha para isolar o movimento pela independência da ilha.

Os dois líderes da oposição, Lien Chan, diretor do Partido Nacionalista, e James Soong, do Partido do Povo na Frente, que é a favor da unificação, devem se reunir com Hu Jintao, presidente do Partido Comunista chinês. Será a primeira reunião de alto escalão entre os rivais desde que o Partido Comunista assumiu o poder, em 1949.

Pequim, entretanto, não convidou o presidente do Taiwan, Chen Shui-Bian, para visitar o continente e nega dialogar com ele a não ser que aceite a fórmula de "China única", na qual Pequim assume a soberania sobre Taiwan, condição rejeitada por Chen.

A abertura da China para grupos da oposição colocou o governo de Chen na defensiva, forçando-o a ceder terreno para políticos mais flexíveis nas relações com Pequim, segundo analistas taiwaneses e chineses.

Hu, que consolidou seu poder como líder da China no final do ano passado, buscou uma estratégia para deter o que o continente vê como movimento de Taiwan na direção da independência formal. A província considerada renegada é separada do continente pelo estreito do Taiwan, de 160 km de largura.

No início de março, o congresso controlado pelo Partido Comunista aprovou uma lei que autorizava o uso da força se o Taiwan se excedesse em busca de independência. Os EUA, principais aliados do Taiwan, chamaram a medida de provocação.

Os subseqüentes convites de Hu aos líderes da oposição taiwanesa parecem querer mostrar que a China vai usar a força somente como último recurso e que recebe políticos abertos a reparar desavenças.

Enquanto desenvolve a estratégia em relação ao Taiwan, a China faz uma campanha populista contra o Japão, acusando-o de abusos cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.

Nos dois casos, Hu combinou a defesa dos interesses nacionais da China com gestos vistosos e diplomáticos, que vão contra sua reputação de um subordinado leal do partido, disseram os analistas.

A viagem de Lien à China começará nesta terça-feira (26/04). Ela segue a de seu assessor, há três semanas, que mesmo sendo de mais baixo escalão, foi um fato inusitado. Chen condenou aquela viagem como uma tentativa não autorizada de negociar com o arqui-rival do Taiwan.

A viagem de Soong está marcada para dia 5 de maio. "É verdade que essas visitas estão criando certa convulsão na política taiwanesa. Elas fazem parte da tática chinesa de criar divisões no Taiwan", disse em entrevista telefônica Joseph Wu, diretor do Conselho de Assuntos do Continente do Taiwan.

Wu disse que o governo advertiu Lien e Soong que não "assinassem acordos" que infringissem os direitos de Taiwan, o que seria contra a lei. Chen e Lien discutiram a viagem do líder da oposição na segunda-feira, para evitar esses problemas, disse ele.

"Se Lien Chan explicar alguns fatos aos líderes da China sobre a realidade do Taiwan, então poderemos tornar uma potencial crise em algo positivo", disse Wu, supervisor geral das relações de Taiwan com a China.

Políticos taiwaneses que defendem a independência chamaram Lien e Soong de traidores por "venderem Taiwan". Os dois, entretanto, parecem ter calculado que o ambiente mudou em favor de laços mais próximos com a China e que poderiam receber crédito por ajudar a diminuir as tensões.

As autoridades chinesas não comentaram publicamente as visitas. No entanto, Jia Qinglin, membro do Comitê Permanente do Politburo, em discurso recente prometeu maior engajamento com Taiwan.

"Desde que beneficie os compatriotas taiwaneses, desde que ajude a aumentar as trocas pelo estreito, desde que faça avançar a reunificação pacífica do país, faremos nosso melhor", disse ele.

A viagem de Lien é profundamente simbólica, pois ele preside o Partido Nacionalista, que governou toda a China até que Chiang Kai-Shek, líder do partido, perdeu uma guerra civil contra os comunistas em 1949 e fugiu para Taiwan. Lien será o primeiro líder do partido a colocar os pés no continente desde então.

Os nacionalistas perderam o controle da presidência do Taiwan em 2000 e agora são o maior partido da oposição. Lien, ex-vice-presidente, perdeu duas eleições presidenciais para Chen, sendo a última no ano passado. Seu partido, entretanto, teve inesperada vitória nas eleições legislativas contra o Partido Progressista Democrata de Chen, em dezembro.

Sua visita de oito dias ao continente inclui uma estadia em Nanjing, antiga capital Nacionalista. Ele também visitará sua cidade natal, Xian, e Xangai. Na sexta-feira, Lien deve se reunir com Hu e fazer um discurso na Universidade de Pequim.

Os nacionalistas adotaram uma posição moderada nas relações com a China, rejeitando as demandas do continente pela reunificação, mas também se opondo aos esforços de Chen de solidificar a posição independente da ilha.

Lien propôs negociar uma moratória de 50 anos nas mudanças do status quo. O acordo descartaria a independência taiwanesa, mas também obrigaria o continente a desistir do uso da força contra Taiwan.

"O continente chinês vivenciou mudanças dramáticas, na política e na economia, nos últimos 18 anos", disse Lien na segunda-feira. "Devemos enfrentar as mudanças."

A China, por sua vez, deve oferecer algumas concessões ao Taiwan durante a visita de Lien. Não há sinais, porém, de grandes mudanças em sua abordagem, com Hu enfatizando uma mistura de incentivos econômicos e ameaças militares para manter o Taiwan na linha.

Analistas chineses dizem que Pequim mergulhou profundamente na política interna do Taiwan para tentar isolar os mais fortes defensores de independência e impedir Chen de legalizar a independência de Taiwan por meio de mudanças na constituição.

Sun Shengliang, especialista do Taiwan na Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim, disse em um comentário assinado na mídia estatal na segunda-feira que a estratégia está funcionando. Ele disse que os políticos taiwaneses estão competindo entre si para melhorar as relações com a China, o que coloca pressão sobre Chen. Líderes da oposição da ilha farão visita ao presidente Hu Jintao Deborah Weinberg

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