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27/04/2005

DNA revela autor de estupro cometido há 33 anos

The New York Times
Julia Preston

Em Nova York
Uma evidência esquecida em um caso de estupro de mais de 30 anos atrás --a calcinha de uma mulher-- levou à identificação do DNA de um suspeito em pelo menos 24 outros casos de estupro e ataque sexual que se estendem de Nova York até Maryland, disseram autoridades de Nova York na terça-feira (26/04).

A identificação do DNA ligou o homem a uma série notória de estupros não solucionada que aterrorizou Montgomery County, em Maryland, e provocou comparações com o caso do Estrangulador de Boston. As autoridades de Manhattan disseram que os casos de Maryland podem ser apenas o começo, já que outros Estados estão comparando as amostras do suspeito com seus bancos de dados de DNA.

O homem, identificado por seu advogado como Fletcher Anderson Worrell, foi localizado em Atlanta no final do ano passado após tentar comprar um rifle, quando checagem dos dados apontou dois mandados de prisão contra ele em Nova York.

Os mandados foram emitidos depois que Worrell --que na época era conhecido como Clarence Williams-- fugiu após ser libertado sob fiança em 1978, desaparecendo enquanto enfrentava dois julgamentos em dois casos de estupro em Nova York.

Os promotores de Manhattan disseram na terça-feira que, enquanto se preparavam para trazer Worrell da Geórgia, eles olharam seu antigo arquivo. Lá, guardada por longos 32 anos em uma pasta legal, eles encontraram a calcinha de uma vítima.

Usando tecnologia de DNA que mal era imaginada na época dos crimes, os promotores disseram que ligaram de forma conclusiva Worrell a um dos estupros.

"Provocará arrepios em muitos réus saber que depois de 32 anos ainda é possível ser testado por DNA", disse Robert M. Morgenthau, o promotor público de Manhattan, na terça-feira, quando anunciou a solução do caso.

Mas as descobertas não pararam ali. A velha amostra de DNA, e uma nova de Worrell, foram processadas no bando nacional de dados de DNA, compilado apenas recentemente. As amostras vincularam Worrell a nove ataques sexuais não resolvidos em Maryland e dois em Nova Jersey, disseram os promotores.

As autoridades em Maryland disseram que agora acreditam que Worrell é o homem que chamavam de estuprador de Silver Spring, que cometeu nove ataques e pelo menos 12 outros entre 1987 e 1991.

Douglas S. Gansler, o promotor público de Montgomery County, lembrou a "grande preocupação, paralisia e medo" gerados pelos estupros de Silver Spring anos atrás. "Quando você diz 'estuprador de Silver Spring' por aqui, é como dizer 'assassino de Green River' ou 'Estrangulador de Boston' em outros lugares", disse ele.

Nos anos 70, Worrell foi julgado por dois estupros, um em Manhattan e outro em Queens. No caso de Manhattan, uma mulher de 25 anos foi estuprada, em 26 de junho de 1973, por um homem que escalou ao amanhecer a janela de seu apartamento em Chelsea. Cortes em seu pescoço mostravam que ele manteve uma faca contra a garganta dela. Os vizinhos ouviram ela gritar.

Chamada pelos vizinhos, a polícia perseguiu Worrell no prédio da vítima e o prendeu. Mas os promotores careciam de evidência, e o júri não chegou a um veredicto no julgamento de novembro de 1975.

Enquanto estava livre sob fiança durante o julgamento em Manhattan, ele tentou estuprar uma mulher em Queens, que foi baleada durante o ataque, disse Morgenthau na terça-feira.

Worrell foi condenado em 1975 por tentativa de homicídio e tentativa de estupro. Mas a condenação foi revertida em uma apelação porque parte da declaração de Worrell para a polícia foi admitida indevidamente como evidência, disse o promotor público.

Worrell se declarou culpado no estupro de Manhattan após sua condenação em Queens. Mas ele posteriormente retirou sua declaração depois do colapso do veredicto de Queens. Libertado sob fiança em 1978, ele desapareceu, disse Morgenthau.

Michael F. Rubin, um advogado que está representando Worrell nos casos de estupro de Nova York, disse: "Meu cliente sempre defendeu sua inocência". Rubin disse que tomou conhecimento apenas na terça-feira das acusações de estupro feitas pelas autoridades de Maryland.

Rubin disse que seu cliente, que aprendeu sozinho árabe e adotou o nome muçulmano de Umar Abdul Hakeem, nunca tentou se esconder das autoridades. Por uma década após 1993, Worrell trabalhou no Cairo como tradutor, disse Rubin.

Ele abriu contas bancárias e assinou contratos sob o nome Anderson Worrell em Atlanta, onde estava vivendo quando foi preso, disse Rubin. "Ele era um membro respeitado da comunidade muçulmana", disse o advogado. "Este não é o comportamento de um fugitivo."

Rubin disse que Worrell foi preso uma vez desde que deixou Nova York, em uma acusação de invasão de domicílio em Washington, em 1977. Ele foi internado em um hospital psiquiátrico depois que foi determinado que ele não era competente para ser julgado, devido a uma desordem de personalidade, disse o advogado.

O advogado disse que Worrell, que é divorciado e tem dois filhos adultos, tentou comprar um rifle em DeKalb County, na Geórgia, apresentando seu nome de batismo e número do Seguro Social.

"Ele não imaginava que estivesse sujeito àqueles mandados de Nova York", disse Rubin. Morgenthau disse que a vítima do estupro em Manhattan, que não mais vive em Nova York, ainda está disponível para testemunhar em um novo julgamento.

A vítima, quando informada que um exame de DNA tinha identificado o homem que ela conheceu como Clarence Williams, "ficou em primeiro lugar perturbada, mas eu acho que ela também ficou extremamente agradecida", disse Morgenthau.

Worrell foi trazido a Nova York em outubro de 2004 e está detido sem fiança na Ilha Rikers. Ele foi informado das novas evidências contra ele em uma audiência na Suprema Corte Estadual em Manhattan, na terça-feira. Na audiência, os promotores pediram autorização do tribunal para coletar amostras adicionais de DNA de Worrell, disse Rubin.

O tenente Phil Raum, da polícia de Montgomery County, que foi um dos dois principais investigadores dos estupros de Silver Spring, disse na terça-feira que pelo menos nove ataques foram ligados pelo DNA a Worrell, conhecido lá como Clarence Williams. Os casos de Silver Spring envolveram 21 ataques e tentativas de ataques não solucionados.

Em uma entrevista por telefone, Raum disse que telefonou para as vítimas na noite de terça-feira, e cinco das que foi capaz de contatar concordaram em testemunhar em um julgamento. Ele disse que a polícia de Montgomery County emitirá um mandado de busca para obter mais DNA de Worrell daqui alguns dias.

Ele disse que as autoridades localizaram dois endereços em Silver Spring e outro em Washington onde Worrell viveu.

De 1987, quando tiveram início os estupros, até 1991, quando pararam, dezenas de investigadores estiveram no encalço do estuprador de Silver Spring, que invadia à noite as casas e apartamento de mulheres solteiras e as atacava.

"Nós acreditávamos que este sujeito cometeria um erro e nós o pegaríamos", disse Raum. "Pena que não foi 14 anos atrás." Pelo menos 25 mulheres podem ter sido atacadas pelo identificado George El Khouri Andolfato

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