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28/04/2005

Miniaturização de produtos eletrônicos estimula roubos

The New York Times
Johanna Jainchill

Em Nova York
À medida que os produtos eletrônicos encolhem em tamanho, o atrativo deles aumenta, não apenas para os consumidores mas também para os ladrões. Pequenos e valiosos hand-helds, laptops e music players leves e fáceis de esconder geralmente são carregados tão casualmente quanto um molho de chaves.

Hiroko Masuike/The New York Times

Assim como a maioria das vítimas de assalto, Antonio Dominguez desprezou as chances de reaver seus aparelhos e não foi à polícia
Mas como podem igualmente parar nas mãos erradas, um número crescente de serviços de rastreamento e recuperação e outras formas de cobertura estão disponíveis para proteger os donos dos aparelhos.

Só na quarta-feira, a polícia de Nova York informou que um recente aumento de ocorrências criminais no metrô se deve aos roubos de aparelhos portáteis, principalmente music players. Mas o fenômeno não se limita ao metrô, e nem sempre é refletido nas estatísticas do crime.

Antonio Dominguez, 25 anos, um gerente de projetos de construção em Nova York e cujo iPod foi roubado em sua academia de ginástica, ficou tão irritado que decidiu trocar de academia -onde um aviso no vestiário anunciava que o iPod de um membro de lá também tinha sido roubado. Como muitas vítimas, Dominguez não pensou em prestar queixa na polícia.

"Eu nem mesmo saberia por onde começar", disse ele. "Eu ficaria mais encorajado se soubesse que um grande percentual dos itens é devolvido para aqueles que informam."

De fato, apenas 6,7% dos donos de computadores hand-held, laptops ou smart phones (celulares que freqüentemente são ligados à Internet) roubados os recuperam, segundo um estudo de 2004 da Brigadoon Software, que faz programas que ajudam a rastrear e recuperar aparelhos roubados. As estatísticas do FBI indicam que apenas 3% dos laptops roubados são recuperados.

O seguro domiciliar geralmente cobre estes itens, mas a franquia --freqüentemente entre US$ 500 e US$ 1.000, segundo o Instituto de Informação de Seguro-- geralmente é maior do que o valor dos aparelhos.

Há também a Safeware, uma empresa que oferece seguro para roubo ou dano de computadores e aparelhos pequenos. Em Nova York, um laptop de US$ 2 mil por ser segurado por US$ 64 por ano e um music player por US$ 52, ambos sem franquia.

Uma boa opção para celulares e smart phones é a cobertura das operadoras de telefonia, por cerca de US$ 5 a mais na taxa do serviço. Os clientes sem seguro que precisam de novos telefones geralmente ficam surpresos com o que custam. Para vender contratos de serviço, as operadoras oferecem os aparelhos com altos descontos, mas substituí-los pode custar centenas de dólares.

Itens roubados se movem rapidamente com a ajuda da Internet. Propriedade pode ser vendida em leilões online e em bazares em transações não monitoradas.

Computadores roubados podem ser vendidos por até US$ 800, disse Terrance Kawles, presidente da Brigadoon, e iPods usados podem ser vendidos por mais de US$ 200. Celulares são vendidos por até US$ 35 "desbloqueados", o que significa que podem ser programados com um novo número e operadora.

Gideon Yago, 27 anos, um redator e correspondente da MTV News, voltou para casa recentemente para descobrir que sua fechadura tinha sido arrombada e um ladrão esteve em seu apartamento. Ele perdeu um PowerBook G4 titânio, um iPod, uma câmera mini DV e um disco rígido externo, além de jóias e outros itens, no valor total de cerca de US$ 10 mil.

"O detetive me disse que é mais fácil solucionar um homicídio do que um roubo", disse ele, acrescentando: "Eu daria uma níquel para aquele que inventasse um sistema LoJack para computadores", uma referência ao dispositivo de segurança de automóveis --um transmissor que pode ser ativado pela polícia para guiá-la até o carro roubado.

Custará mais do que um níquel, mas tais programas já existem. E Yago não é a única vítima de roubo que não está ciente deles. Chamada de software de rastreamento e recuperação, a tecnologia assume que a máquina roubada eventualmente será conectada à Internet, e assim que estiver online ela está programada para enviar um sinal indicando seu endereço de Protocolo de Internet. Isto pode permitir que o ladrão possa ser rastreado por meio de um provedor de Internet.

"Se você tem nosso software em seu computador você tem mais de 90% de chance de tê-lo de volta", disse Kawles da Brigadoon, que produz programas de rastreamento e recuperação chamados PC PhoneHome e MacPhoneHome.

Segundo o Instituto de Segurança para Computadores e a Pesquisa de Segurança e Crime de Computadores anual, realizada pelo FBI, as perdas com roubos de laptop aumentaram para mais de US$ 6,7 milhões em 2004. A pesquisa avalia as corporações, que são as atingidas mais duramente pelo roubo de aparelhos de informática.

"É um inferno telefonar para seus clientes e dizer a eles que suas informações pessoais foram comprometidas", disse Nick Magliato, executivo-chefe da Trust Digital, uma empresa que vende software de segurança móvel para empresas.

A Trust Digital e empresas semelhantes produzem software que protege a informação em laptops e aparelhos como smart phones com incriptação de dados, bloqueio do dispositivo ou apagamento à distância de tudo contido nele. Para empresas cujos funcionários carregam informação digital sensível, o aparelho em si é relativamente descartável. É a informação que necessita de proteção.

Se um aparelho é perdido ou roubado e então descartado, existem serviços que ajudam a encontrar o dono caso um bom samaritano o encontre e busque devolvê-lo.

Empresas como StuffBak, Trackitback e SmartProtec registram os itens eletrônicos e lhes colocam rótulos e números de série para ajudar as pessoas a devolvê-los e desestimular os ladrões, que poderão achar que itens indelevelmente rotulados serão difíceis de revender. Estes serviços variam na recompensa oferecida e nos custos ao proprietário.

Mas cautela, é claro, pode ser a melhor proteção contra o roubo. Mas muitos proprietários de aparelhos portáteis sentem que grande parte de seu apelo é levá-los para toda parte, sem pensar muito a respeito.

"Eu definitivamente sou mais cautelosa agora do que antes, mas basicamente despejo tudo na minha bolsa e não me preocupo", disse Casey Brennan, 26 anos, uma redatora free-lance em Nova York cujo player de MP3 e celular já foram levados juntamente com outros conteúdos de uma bolsa não vigiada.

Brennan, que se considera uma fanática por aparelhos eletrônicos, carrega rotineiramente um smart phone Sidekick, seu segundo iPod, um gravador de voz digital, um celular e um laptop iBook G4. O risco de roubo, ela disse, é "o preço que pago por precisar de todos estes aparelhinhos". George El Khouri Andolfato

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