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29/04/2005

Mísseis da Coréia do Norte podem atingir EUA

The New York Times
David S. Cloud e David E. Sanger

Em Washington
O chefe da Agência de Inteligência da Defesa disse nesta quinta-feira (28/04) que as agências de inteligência americanas acreditam que a Coréia do Norte dominou a tecnologia para armar seus mísseis com ogivas nucleares, uma avaliação que, se correta, significa que a Coréia do Norte pode construir armas que podem ameaçar o Japão e talvez o oeste dos Estados Unidos.

Apesar do vice-almirante Lowell Jacoby, o chefe da Agência da Inteligência da Defesa, ter dito em um depoimento no Senado que a Coréia do Norte foi julgada como tendo a "capacidade" de colocar uma arma nuclear no topo de seus mísseis, ele não disse que o país já o fez, ou mesmo que montou ogivas pequenas o suficiente para tal propósito. Nem deu qualquer evidência para apoiar sua visão durante a sessão pública do Comitê de Serviços Armados do Senado.

Ainda assim, sua avaliação do progresso da Coréia do Norte ultrapassou o que as autoridades declararam publicamente anteriormente.

Quando perguntado pela senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, durante a audiência de quinta-feira se a "Coréia do Norte tem a capacidade de armar um míssil com um artefato nuclear", Jacoby respondeu: "A avaliação é que eles dispõem de tal capacidade, sim senhora".

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca na quinta-feira, o presidente Bush disse que dada as incertezas, ele teme o progresso obtido pela Coréia do Norte em seu programa nuclear sob seu líder, Kim Jong Il. "Há preocupação com sua capacidade de envio", disse ele. "Nós não sabemos se ele pode ou não, mas eu acho que a melhor forma de lidar com um tirano como Kim Jong Il é presumir que ele pode."

Em 2003, os Estados Unidos alertaram a Coréia do Sul e o Japão que imagens de satélite identificaram uma área de testes nucleares avançados em um canto remoto da Coréia do Norte, onde equipamento foi armado para testar explosivos convencionais que poderiam comprimir um núcleo de plutônio e provocar uma explosão nuclear compacta.

De lá para cá, investigadores americanos têm pressionado o Paquistão em busca de detalhes sobre o tipo de tecnologia que os engenheiros norte-coreanos podem ter recebido, talvez em visitas que fizeram a sítios nucleares paquistaneses. A Coréia do Norte forneceu ao Paquistão muitos dos mísseis que este usa para seu próprio arsenal nuclear.

A construção de uma ogiva nuclear capaz de ser enviada por um míssil exige uma sofisticação técnica para torná-la pequena e leve. Além disso, a garantia de que as ogivas funcionem provavelmente exigiria uma explosão teste, que a Coréia do Norte nunca realizou.

Para colocar em campo um míssil nuclear que funciona, a Coréia do Norte também teria que realizar novos testes de seus mísseis e de suas cargas, incluindo componentes complexos como escudos de calor para reentrada da ogiva.

O último teste significativo de mísseis da Coréia do Norte, em 1998, passou por cima do Japão e não foi capaz de chegar ao território americano.

A Coréia do Norte é considerada um dos alvos de inteligência mais opacos para os analistas americanos, e a ausência de espiões humanos confiáveis torna ainda mais difícil levantar o progresso de seu programa.

Jacoby disse que a capacidade da Coréia do Norte de enviar uma ogiva nuclear aos Estados Unidos continua sendo uma "capacidade teórica", pois seu míssil Taepo Dong 2 não foi testado em vôo.

Mas ele acrescentou que as agências de inteligência americanas consideram que um Taepo Dong em dois estágios poderiam atacar partes da Costa Oeste americana e um modelo em três estágios poderia provavelmente atingir partes da América do Norte.

Em uma entrevista na tarde de quinta-feira, a senadora Clinton considerou a declaração de Jacoby "a primeira confirmação pública pelo governo de que os norte-coreanos têm capacidade para armar um míssil como um artefato nuclear capaz de atingir os Estados Unidos. Colocando de forma simples, eles não podiam fazer isso quando George Bush se tornou presidente, e agora eles podem".

Em sua coletiva de imprensa, Bush defendeu sua decisão de buscar conversas diplomáticas envolvendo seis países, em um esforço para impedir o programa nuclear da Coréia do Norte, e notou que os Estados Unidos estão explorando várias opções, incluindo levar o assunto ao Conselho de Segurança da ONU, caso a Coréia do Norte não retorne às negociações.

"É melhor ter mais de uma voz transmitindo a mesma mensagem para Kim Jong Il. A melhor forma de lidar com esta questão é diplomaticamente", disse ele. "Nós continuaremos fazendo isto."

Em uma declaração, um porta-voz da Agência de Inteligência da Defesa, Donald Black, disse que Jacoby "reiterou" o depoimento que deu no mês passado perante o comitê, no qual ele disse que o míssil balístico intercontinental Taepo Dong 2 da Coréia do Norte "pode estar pronto para testes. Esse míssil poderia enviar um ogiva nuclear para partes dos Estados Unidos".

Ele não disse naquela ocasião que os norte-coreanos eram capazes de produzir uma ogiva que um míssil pudesse lançar a tal distância.

Analistas com experiência em Ásia disseram que a importância da conclusão de Jacoby é enorme. "Isto limita a capacidade do presidente de lidar com o problema nuclear norte-coreano", disse Jonathan Pollack, um professor de Estudos Asiáticos e do Pacífico da Escola de Guerra Naval, que escreveu extensamente sobre o programa da Coréia do Norte.

"Se você acredita que o território japonês está potencialmente sob risco de um míssil nuclear da Coréia do Norte, é preciso mudar o cálculo."

Se Bush aceitar tal avaliação, isto poderá complicar significativamente as decisões que terá que tomar nos próximos meses. A Coréia do Norte declarou publicamente pela primeira vez, em fevereiro, que tem armas nucleares.

No início deste mês, satélites espiões americanos detectaram que o país fechou sua usina de energia nuclear em Yongbyon e pode estar se preparando para reprocessar o combustível usado da usina, uma ação que poderá resultar na produção de plutônio suficiente para construir mais duas ou três bombas nucleares.

Jacoby disse que as agências de inteligência americanas aumentaram sua estimativa do tamanho atual do arsenal norte-coreano, mas ele não deu números.

Outros funcionários do governo estimaram que o arsenal da Coréia do Norte aumentou plutônio para cerca de seis armas desde que o país expulsou os inspetores internacionais de seu território no início de 2003, e começou a transformar o estoque de 8 mil bastões de combustível gastos em plutônio.

Negociações envolvendo seis países, apoiadas pelos Estados Unidos em um esforço para persuadir a Coréia do Norte a abandonar seu programa nuclear, empacaram desde junho passado.

A China, uma vizinha e aliada da comunista Coréia do Norte, foi anfitriã de três rodadas inconclusivas de negociações, que envolveram os Estados Unidos, a Coréia do Sul e do Norte, China, Japão e Rússia.

John Pike, um analista de defesa da GlobalSecurity.org, disse que as estimativas americanas de alcance do Taepo Dong 2 e outros mísseis norte-coreanos praticamente dobraram nos últimos anos.

Os aumentos, ele disse, podem refletir a melhor compreensão por parte das agências de inteligência americanas da ajuda que a Coréia do Norte recebeu do Paquistão, especialmente no desenvolvimento das ogivas.

Ogivas menores, mais leves, poderiam permitir aos mísseis norte-coreanos voarem mais longe, ele disse. "O alcance dos mísseis norte-coreanos continua aumentando", disse ele. "Eu acho que isto se deve a uma avaliação em progresso de quanto acesso eles tiveram aos dados dos testes paquistaneses." A conclusão é de agência de inteligência militar norte-americana George El Khouri Andolfato

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