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29/04/2005

Vladimir Putin visita Israel e tenta diminuir as preocupações com segurança

The New York Times
Greg Myre

Em Jerusalém
Na primeira visita de um líder do Kremlin a Israel, o presidente Vladimir V. Putin, da Rússia, tentou na quinta-feira (28/04) acalmar temores israelenses diante da assistência nuclear da Rússia ao Irã e vendas de mísseis russos à Síria.

Putin foi recebido com pompa, incluindo reuniões separadas com o presidente Moshe Katsav e o primeiro-ministro Ariel Sharon, além de uma visita melancólica ao memorial do Holocausto de Israel, Yad Vashem. Os líderes israelenses, porém, deixaram claro que viam a ajuda russa aos inimigos de Israel como um sério perigo.

A viagem de Putin foi um sinal concreto do estreitamento dos laços entre a Rússia e Israel. As nações fazem esforços para superar um relacionamento que durante décadas foi complicado e atribulado. Mesmo assim, suas diferenças continuam surgindo.

Depois da reunião com Katsav, Putin foi indagado sobre os planos da Rússia de vender mísseis antiaéreos à Síria.

"O que estamos fornecendo à Síria são mísseis antiaéreos de curto alcance, que não podem alcançar o território israelense", disse Putin. "Para entrar em seu campo, você teria que atacar a Síria." Ele disse que vetou a venda de mísseis de maior alcance à Síria, por causa das preocupações de segurança israelenses.

Katsav, cujo papel é mormente cerimonial e em geral foge de disputas políticas, não hesitou em expressar suas preocupações em uma conferência com a imprensa.

"Há uma diferença de opinião entre o presidente russo e eu", disse Katsav. "Apesar das medidas que o presidente tomou para reduzir o perigo, a Síria, nos últimos dias, transferiu mais mísseis ao Hezbollah", grupo armado libanês que Israel e os Estados Unidos chamam de grupo terrorista.

"Israel precisa combater o terror, e os mísseis russos podem reduzir nossa capacidade", acrescentou Katsav.

Além disso, Israel alega que a ajuda russa na construção de uma usina nuclear poderá ajudar o Irã a desenvolver armas nucleares. Israel vê essa perspectiva como a ameaça mais série que enfrenta. O Irã insiste que seu programa nuclear é apenas para uso civil.

"Estamos trabalhando com o Irã com fins nucleares pacíficos", disse Putin. "Certamente objetamos a qualquer plano iraniano de aquisição de armas nucleares."

O Irã terá que devolver o combustível atômico usado para a Rússia, para que não possa ser usado na produção de ogivas atômicas, observou Putin. "Concordo que essas medidas não são suficientes, e temos que fazer o Irã aceitar inspeções nucleares", acrescentou.

Mais tarde, Sharon, cuja família veio da Rússia, recebeu Putin calorosamente com algumas palavras em russo, e disse: "Quero que o senhor saiba que está entre amigos."

Os dois líderes tiveram longas discussões concentradas em questões de segurança durante um almoço de trabalho. Putin descreveu a Rússia como "aliada estratégica de Israel", segundo uma declaração do escritório de Sharon.

Putin, que visitou o Egito antes de Israel, está procurando melhorar a imagem da Rússia e apresentá-la como mediadora na região, onde a influência de Moscou encolheu consideravelmente desde o fim da União Soviética, importante patrocinadora de países árabes durante a Guerra Fria.

A Rússia, junto com os EUA, as Nações Unidas e a União Européia, faz parte do quarteto que patrocinou o atual plano de paz do Oriente Médio, mas o papel russo foi comparativamente pequeno.

No Egito, na quarta-feira, Putin propôs uma conferência internacional sobre o Oriente Médio na Rússia neste outono. Mas os EUA e Israel responderam friamente, dizendo que israelenses e palestinos precisavam fazer muitos progressos antes disso.

O ministro de relações exteriores russo, Sergey V. Lavrov, disse que a proposta tinha sido mal compreendida e que a intenção era fazer uma reunião de especialistas, não dos líderes dos países envolvidos.

Nenhum líder russo ou soviético visitara Israel antes, apesar de Boris N. Yeltsin ter feito uma excursão ao país em janeiro de 2000, dias depois de renunciar à presidência da Rússia.

Depois de sua fundação, em 1948, a União Soviética rapidamente reconheceu Israel, mas as relações pioraram durante a Guerra Fria.

Moscou cortou laços depois da guerra árabe-israelense de 1967, na qual Israel derrotou os exércitos árabes equipados pelos soviéticos. Laços diplomáticos plenos não foram restaurados por mais de duas décadas, apesar de as relações terem melhorado significativamente depois do colapso da União Soviética, em 1991.

Aproximadamente um milhão de cidadãos israelenses --mais de 15% da população-- vieram da ex-União Soviética nas duas últimas décadas, mas a visita de Putin não inspirou expressões de carinho dos imigrantes. Roman Bronfman, membro de esquerda do parlamento de Israel que veio da Ucrânia em 1980, disse dos imigrantes: "Acho que há sentimentos ambivalentes."

Muitos imigrantes tornaram-se mais críticos da Rússia com o governo Putin, disse Bronfman. Ele acrescentou, no entanto, que a visita de Putin e suas expressões de preocupação com a segurança de Israel provavelmente tinham feito bem a sua imagem entre os imigrantes.

Vários magnatas russos procurados criminalmente buscaram refúgio em Israel. Autoridades israelenses indicaram que não pretendem extraditá-los, pois são judeus e receberam cidadania. Entre eles estão os sócios de Mikhail B. Khodorkovsky, fundador da empresa petrolífera Yukos, que está esperando o resultado do julgamento por evasão de impostos e fraude na Rússia. Lavrov disse que essa questão não tinha sido levantada.

Os palestinos na quinta-feira endossaram o pedido de Putin de uma conferência internacional no Oriente Médio. Putin deve encontrar-se na sexta-feira com o líder palestino Mahmoud Abbas, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

Em evento separado, Abbas advertiu em discurso aos policiais na quarta-feira que usaria um "punho de aço" contra qualquer palestino que violasse o acordo de cessar-fogo com Israel declarado em fevereiro. As observações foram divulgadas na quinta-feira, pela agência oficial de imprensa palestina.

As observações foram consideradas as mais duras que Abbas dirigiu aos militantes palestinos desde sua eleição como presidente da Autoridade Palestina em janeiro. "Há um consenso nacional em relação ao sossego. Quem deixar esse consenso será atingido por um pulso de aço", disse ele. Rússia fornece ajuda nuclear ao Irã, o que incomoda os israelenses Deborah Weinberg

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