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30/04/2005

Tony Blair precisa obter grande vitória na eleição

The New York Times
Alan Cowell

Em Londres
Faltando menos de uma semana para as eleições na Grã-Bretanha, uma preocupação parece tomar conta do primeiro-ministro Tony Blair mais do que o legado de desconfiança que obteve com a guerra no Iraque: será que seus simpatizantes comparecerão em número suficiente para lhe fornecer a vitória na escala que deseja?

Durante grande parte desta semana, a campanha de Blair teve seu curso desviado pelos ataques da oposição à sua credibilidade, que culminaram com a decisão na quinta-feira de divulgar na íntegra o ambíguo parecer legal de 13 páginas que ele recebeu em março de 2003, pouco antes do início da guerra, do procurador-geral, lorde Goldsmith.

Na noite de quinta-feira, enquanto ele enfrentava um público de jovens na televisão, o sentimento era principalmente hostil. Um membro da platéia acusou o primeiro-ministro de ter mentido para a população para justificar o motivo da Grã-Bretanha ter ido à guerra.

A pergunta agora é se sua campanha conseguirá voltar aos trilhos com a mesma margem de vitória projetada --uma vantagem de até 10 pontos percentuais-- que já teve na campanha.

A pergunta, estima a maioria dos especialistas políticos daqui, não é se Blair vencerá, mas se a vitória será convincente. No sistema britânico, uma maioria reduzida no Parlamento pode deixar um primeiro-ministro com pouca autoridade, vulnerável a ataques de oponentes e rebeldes dentro do próprio partido. Ele pode ser substituído no meio do mandato caso o partido decida trocar de líderes, ou caso o Parlamento force uma eleição antecipada.

Quanto à votação na próxima quinta-feira, "não está absolutamente garantido, mas algo teria que sair terrivelmente errado" para que Blair não conquiste o terceiro mandato, o primeiro de um primeiro-ministro trabalhista, disse John Curtice, um cientista político da Universidade de Strathclyde, em Glasgow.

Todavia, Blair parece querer garantir que seus simpatizantes desafiarão a tendência britânica de comparecimentos cada vez menores para votar, comparecendo em um número elevado o suficiente para produzir um triunfo convincente.

De fato --possivelmente para afastar o sentimento de vitória certa entre seus simpatizantes-- Blair e seus seguidores têm dito que suspeitam que a oposição conservadora está executando um jogo sutil para encorajar um baixo comparecimento.

"Eles são como um animal encurralado, fingindo de morto", disse Alan Milburn, um importante estrategista trabalhista, na semana passada, depois que o líder conservador, Michael Howard, comparou seu partido a um time de futebol "perdendo por 2 a 0 no intervalo".

"Mas há um método na loucura deles", disse Milburn. "E o método é tentar dizer aos eleitores trabalhistas: vocês não precisam votar."

Na quarta-feira, uma pesquisa de opinião da Mori, publicada no jornal Financial Times", pareceu oferecer algum ânimo para os conservadores. A pesquisa envolvendo 2.256 eleitores revelou que, entre os 61% deles que disseram que certamente votarão, a vantagem de Blair era de apenas 2 pontos percentuais, a menor em meses, em comparação a 10 pontos em outras pesquisas recentes. Mas com um comparecimento maior, a vantagem trabalhista aumentaria, indicou a pesquisa.

A Mori também revelou que enquanto 80% dos conservadores planejam votar, menos de dois terços dos eleitores trabalhistas pretendem votar.

Todavia, o sistema de votação da Grã-Bretanha tende a favorecer os pontos fortes dos trabalhistas, pela forma como o poder político e a população são distribuídos em 646 distritos eleitorais, segundo especialistas como Curtice. A oposição aos trabalhistas também está dividida entre o Partido Conservador e o menor, Partido Liberal Democrata.

Ainda assim, há mais de 100 cadeiras onde a maioria trabalhista é pequena o suficiente para correr risco.

Os líderes do partido "sentem que se parecerem confiantes, seus eleitores não sairão para votar", disse Vernon Bogdanor, um professor de política e governo da Universidade de Oxford.

O novo slogan do Partido Trabalhista, apresentado nesta semana, diz: "Se você dá valor, vote a favor" --um slogan abrangente que pode ser aplicado a questões que vão da economia até a pobreza mundial, e que significa que se os eleitores trabalhistas querem que seu partido cumpra suas promessas, eles não podem ficar em casa em 5 de maio.

Contra isto, Howard está buscando encorajar um voto de protesto entre os eleitores trabalhistas. "Esta eleição é a última oportunidade para as pessoas cobrarem a responsabilidade do sr. Blair", disse ele.

No início da campanha formal, quando as perspectivas de reeleição de Blair pareciam pequenas, ele realizou duas hábeis manobras: ele sinalizou uma trégua em sua rivalidade com Gordon Brown, o ministro das Finanças, que é amplamente visto como o impaciente possível sucessor do primeiro-ministro, e anunciou que seu terceiro mandato seria o último.

Juntos, os dois eventos ofereceram aos eleitores trabalhistas motivos para votar no partido apesar da desconfiança que sentem em relação a Blair pela forma como lidou com a guerra.

"Ajuda o fato de Tony Blair ter anunciado publicamente que esta será sua última eleição", disse Robin Cook, o ex-ministro das Relações Exteriores, que deixou o Gabinete de Blair em protesto contra a guerra, há dois anos.

Agora, Blair deu início ao que alguns consideram o início de transferência do poder para Brown. "Gordon será um excelente primeiro-ministro", disse Blair em uma entrevista publicada.

Blair também disse: "É absolutamente essencial construirmos uma equipe forte para o futuro e apresentar uma forte equipe para o agora. Este é o motivo de Gordon Brown e eu estarmos passando muito tempo juntos".

De fato, em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, Brown foi questionado se teria ido à guerra exatamente da mesma forma que Blair, com todas as complicações causadas pelas ações de Blair. "Sim", ele disse de forma incisiva.

Se os trabalhistas vencerem na quinta-feira, a política britânica poderá se transformar em um debate sobre quando Blair transmitirá o poder para Brown.

"Se a margem de vitória for baixa, se a maioria trabalhista for reduzida pela metade, então Blair provavelmente partirá rapidamente', disse Bogdanor, de Oxford. De qualquer forma, disse Simon Jenkins, um colunista do "The Times" de Londres, "o próximo Parlamento será dominado por um choque destes titãs". Uma maioria reduzida no Parlamento pode antecipar fim da gestão George El Khouri Andolfato

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