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03/05/2005

Filhos bonitos tendem a receber mais atenção dos pais, aponta pesquisa

The New York Times
Nicholas Bakalar

Em Novas York
Os pais provavelmente negariam, mas pesquisadores canadenses fizeram uma afirmação surpreendente: os pais cuidam melhor das crianças bonitas do que das feias.

Elwood Smith/The New York Times

Pesquisadores observaram o cuidado que os pais dispensavam aos seus filhos em supermercados
Os pesquisadores da Universidade de Alberta observaram cuidadosamente como os pais tratavam seus filhos durante idas ao supermercado.

Eles descobriram que a atratividade física faz grande diferença.

Os pesquisadores notaram se os pais prendiam o cinto de segurança de seus filhos na cadeira do carrinho de compras, com que freqüência os pais se distraíam e o número de vezes que as crianças eram autorizadas a praticar atividades perigosas como se levantarem no carrinho de compras. Eles também classificaram a atratividade física de cada criança em uma escala de 10 pontos.

Os resultados, ainda não publicados, foram apresentados na Conferência Warren E. Kalbach de População em Edmonton, Alberta.

Quando se trata de prender o cinto de segurança, as crianças bonitas e feias foram tratadas de forma extremamente diferentes, com o uso do cinto aumentando na proporção direta da atratividade. Quando uma mulher está encarregada, o cinto é usado em 4% das crianças menos atraentes, em comparação a 13,3% nas crianças mais atraentes.

A diferença ficou ainda mais acentuada quando os homens lideravam a expedição de compra --nestes casos, o cinto não foi usado em nenhuma das crianças menos atraentes, e foram em 12,5% das crianças mais bonitas.

As crianças menos atraentes também sumiam da vista dos pais com mais freqüência e foram autorizadas com mais freqüência a se afastarem mais de 3 metros de distância.

A idade --do pai e da criança-- também teve influência. Os adultos mais jovens apresentaram maior probabilidade de prender o cinto das crianças na cadeira, e as crianças mais jovens foram presas com mais freqüência.

Adultos mais velhos, por outro lado, apresentaram maior tendência de deixar as crianças se afastarem e de deixá-las praticarem atividades fisicamente perigosas.

Apesar de os pesquisadores não saberem o motivo, os meninos de boa aparência geralmente eram mantidos mais próximos dos adultos que cuidavam deles do que as meninas bonitas.

Os pesquisadores especularam que as meninas poderiam ser consideradas mais competentes e bem capacitadas para agir de forma independente do que os meninos da mesma idade. Os pesquisadores realizaram mais de 400 observações das interações entre pais e filhos em 14 supermercados.

O dr. W. Andrew Harrell, diretor executivo do Laboratório de Pesquisa da População na Universidade de Alberta e chefe da equipe deste estudo, vê um motivo evolucionário para os resultados: as crianças bonitas, ele disse, representam o melhor legado genético e portanto recebem maior cuidado.

Mas nem todos os especialistas concordam. O dr. Frans de Waal, professor de psicologia da Universidade Emory, disse estar cético.

"A pergunta", ele disse, "é se pessoas feias têm menos filhos do que pessoas bonitas. Eu duvido muito. Se o número de filhos é o mesmo para as duas categorias, não há absolutamente nenhum motivo evolucionário para os pais investirem menos em crianças feias".

O dr. Robert Sternberg, um professor de psicologia e educação em Yale, disse que viu problemas no método e conclusões de Harrell --por exemplo, não considerar a condição socioeconômica.

"Pais mais ricos podem alimentar, vestir e cuidar de seus filhos melhor devido a recursos maiores", disse Sternberg, possivelmente os tornando mais atrativos. "O elo com a teoria evolucionária é especulativo."

Mas Harrell disse que a importância da atratividade física "atravessa classes sociais, renda e educação".

"Como muitos animais, nós tendemos a dividir nossos recursos com base no valor", disse ele. "Talvez nem sempre articulemos isto, mas na verdade nós o fazemos. Há muitas coisas que tornam uma pessoa mais valiosa e a atratividade física pode ser uma delas." Para professor, crianças atraentes levam a melhor herança genética George El Khouri Andolfato

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