UOL Notícias Internacional
 

04/05/2005

Mais bonitos recebem mais atenção e dinheiro

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
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    NYT Image

    Maureen Dowd é colunista
    Uma vez eu saí com um cara que não dava atenção à própria mãe, em parte porque ele achava que ela não era atraente o bastante. Já o meu irmão Martin costuma dizer à nossa mãe como ele ficava orgulhoso no primário, por achar que ela era a mais bela das mães.

    Nós temos visto esses estudos mostrando que a estética está entranhada no cérebro --e que até mesmo bebês têm um senso inato de beleza, preferindo contemplar durante mais tempo os rostos mais adoráveis.

    Então não deveria ser surpresa constatar que os pais têm a mesma conduta. Ainda assim, a manchete de ontem do "Science Times" foi chocante: "Crianças Feias Podem Ser Vítimas de Má Vontade dos Pais". Como escreveu Nicholas Bakalar: "Pesquisadores canadenses chegaram à conclusão desconcertante: os pais cuidam melhor de crianças bonitas do que das feias."

    Pesquisadores da Universidade de Alberta observaram que num supermercado, guris menos adoráveis freqüentemente eram autorizados a se envolverem em atividades potencialmente perigosas --como ficarem de pé nos carrinhos de compras ou bagunçando pelos corredores. Crianças de boa aparência, especialmente os garotos, recebiam maior atenção de seus pais e eram mantidos mais por perto.

    "Nas questões de afivelamento, crianças bonitas e feias foram tratadas de forma bem distinta, com o uso do cinto de segurança cada vez maior em proporção direta com a beleza delas", segundo o artigo.

    "Quando quem mandava era uma mulher, 4% entre as crianças mais feias tinham os cintos de segurança apertados, contra 13,3% de cintos apertados nas crianças mais atraentes." Com os homens --pais no comando, a situação foi ainda pior, "com nenhuma das crianças menos atraentes seguras com o cinto de segurança, enquanto que 12,5% das crianças mais bonitas eram protegidas."

    Será que esses pais nunca ouviram falar de patinhos feios? Será que só mencionam aos seus garotos bonitos sobre "patinhos bonitos"?

    Mesmo que você seja um pouco cético em relação à ciência encontrada em publicações nos supermercados, essa matéria sugere imagens pungentes de crianças parecidas com personagens rugrats, como o Pugsley, desgovernadas, ou voando pelos ares em direção às grelhas de frango da padaria do supermercado só porque não estão devidamente presas com os cintos.

    O dr. Andrew Harrel, líder da equipe de pesquisadores, situa essa descoberta em termos de evolução: crianças bonitas representam um legado genético privilegiado, aí recebem cuidados especiais.

    "Como tantos animais", diz Harrel, "tendemos a dosar nossos recursos em termos de valor".

    Como Marilyn Monroe explicou em "Os Homens Preferem as Louras": "Você não sabe que um homem rico é que nem uma garota bonita? Você não casaria com uma garota só porque ela é bonita, mas, convenhamos, será que isso não ajuda?"

    Um argumento fundamentado na beleza usado contra as crianças parece tão assustador porque você cresce pensando que os pais são os únicos que lhe darão amor incondicional, amor que não será medido em colheres de café por causa de sua sorte genética --que, afinal de contas, é da responsabilidade deles.

    Mas o mundo pode ser muito duro. Questões de superfície interessam cada vez mais, e o mundo ignora a lição de Shakespeare em "O Mercador de Veneza": "Mausoléus são restaurantes de vermes em fervedouro."

    Um artigo analítico publicado mês passado pelo Banco Central de St. Louis sugere que os bem-apessoados recebem mais dinheiro e mais promoções que os manés de aparência mediana.

    Citando os economistas Daniel Hamermesh e Jeff Biddle, o estudo observa que ser alto, esbelto e atraente pode valer um "adicional de beleza" --uns 5% a mais por hora --enquanto que há uma "penalidade pela má aparência" de 9% nos salários (descontados outros fatores).

    Pesquisadores indicam que homens mais altos são mais propensos a vencer nos negócios e que --com exceção dos azarados democratas Al Gore e John Kerry-- se elegem presidentes.

    A correlação entre a altura de pessoas com 16 anos com seus salários posteriores indica que os grandalhões ganham uns US$ 260 por ano a mais, para cada centímetro a mais de altura.

    Em seu livro best seller "Blink", Malcolm Gladwell pesquisou o perfil de metade dos presidentes das empresas que estão na lista das 500 mais da revista Fortune, e descobriu que (sem falar em Jack Welch --ou com Jack Welch sentado) o típico presidente de empresa com mais de 1,90m é uns 9cm mais alto que o homem médio americano.

    Como cantava Randy Newman, "Baixinhos não têm razão para viver."

    A pesquisa também mostra que mulheres obesas ganham salários 17% mais baixos que mulheres de altura mediana, e que professores bonitões recebem melhores avaliações de seus estudantes.

    Mas também não se pode elogiar tanto. Como disse ao jornal canadense "The Toronto Star" o professor da Universidade de Toronto Dan Ondrack, há também um efeito "loura burra" --se as mulheres são deslumbrantes demais, as pessoas logo pensam que as moças são cabecinhas de vento.

    Ninguém sabe ao certo se os patrões descriminam pessoas porque elas são menos atraentes, ou se são as pessoas mais atraentes que desenvolvem maior auto-estima e finesse social.

    Mas uma coisa é certa --é difícil desenvolver a auto-estima quando seus pais deixam que seu carrinho de supermercado siga em direção ao forno da padaria. Tudo que reluz é ouro --estudos mostram as implicações da beleza Marcelo Godoy
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