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05/05/2005

Bilionário faz oferta de compra de ações da GM

The New York Times
Danny Hakim

Em Detroit
Kirk Kerkorian, o multibilionário financista e operador de cassinos, disse nesta quarta-feira (4/5) que estava fazendo uma oferta que o tornaria detentor de quase 9% das ações da General Motors (GM), a gigante automobilística de Detroit, que enfrenta problemas, e cujas ações atingiram recentemente o seu valor mais baixo nos últimos 12 anos.

Tal anúncio, vindo de Kerkorian, um homem de 87 anos que ficou conhecido por assumir grandes riscos e de deter, em vários graus, o controle acionário sobre companhias aéreas, cassinos, empresas automobilísticas e estúdios de cinema, surpreendeu Detroit e Wall Street.

As ações da GM subiram 18%, ou US$ 5,03, fechando o dia em US$ 32,80. A firma de investimentos de Kerkorian, a Tracinda, anunciou na quarta-feira que tal aquisição seria "exclusivamente para fins de investimento".

Mas Kerkorian é conhecido como um investidor que raramente fica à margem dos acontecimentos, e que impõe a sua vontade sobre as muitas vezes problemáticas companhias que compra na esperança de reverter a situação dessas empresas.

Ele já foi o maior acionista da Chrysler e tentou, sem sucesso, nos anos 90, assumir o controle sobre a companhia com a ajuda do ex-presidente da empresa, Lee Iacocca. Atualmente ele está no meio de uma batalha legal com a DaimlerChrysler a respeito das cláusulas do acordo de fusão da DaimlerBenz com a Chrysler.

Em uma entrevista na manhã de quarta-feira, o advogado pessoal de Kerkorian, Terry Christensen, disse que o investimento seria passivo (sem pretensões de controle gerencial) e acrescentou que Kerkorian não procuraria obter um lugar na comissão diretora ou o controle sobre o gerenciamento da empresa.

Ele afirmou ainda que Kerkorian estipulou como meta um investimento de cerca de 9% e que no momento não procura um maior controle acionário da companhia. E disse também que o bilionário confia na gerência da GM, incluindo o presidente da empresa, Rick Wagoner.

"Ele não está realmente tentando avaliar o gerenciamento", diz Christensen. "O que ele procura avaliar são os bens da companhia, a sua capacidade de se recuperar e de voltar a ser forte. Kerkorian não vê motivo para que essa equipe gerenciadora não possa fazer tal coisa. Ele acredita que ela o fará".

Mas observadores em Wall Street e em Detroit se dizem céticos quanto à capacidade de Kerkorian fazer um investimento passivo.

Os analistas jogaram com várias possibilidades: que Kerkorian pressione a GM a vender parte do seu lucrativo setor não automobilístico, como o de empréstimos; que ele acabe procurando exercer vários níveis de controle gerencial; ou que se transforme em um estorvo tão grande que a GM compre as suas ações, possibilitando que o financista tenha um lucro rápido, uma tática que utilizou em companhias como a Columbia Pictures.

"A nossa expectativa é que a história Tracinda/GM adquira os mais diversos contornos no decorrer dos trimestres", diz John Casesa, analista do Merrill Lynch, que reclassificou o status das ações da GM de "neutro" para "venda" após o anúncio.

"Esperamos que a GM reaja vigorosa e desafiadoramente às ações da Tracinda", acrescentou. "Devido à ainda considerável energia econômica e política da GM, esperamos que esta seja uma batalha longa e intensa".

"Tendo em vista o histórico bem sucedido de Kerkorian quando se trata de valorizar ações, sentimos que não podemos continuar vendendo os papéis da GM", disse ele, acrescentando que acredita que Kerkorian possa estar interessado em que a GM venda o setor não automotivo, como a sua unidade de empréstimos, que é parte da General Motor's Acceptance Corporation, a divisão financeira da GM.

A Tracinda, de Kerkorian, anunciou na quarta-feira que comprou 22 milhões de ações da GM, ou 3,9% da empresa, nas últimas semanas. A Tracinda disse que está também oferecendo US$ 868 milhões, ou US$ 31 a ação, por outros 28 milhões de ações da GM.

A oferta representa um valor extra de 11,6% em relação ao preço de fechamento das ações da GM na última terça-feira, que foi de US$ 27,77.

Christensen disse que Kerkorian acredita que as ações da GM foram vendidas por um valor excessivo no mercado e que vê o investimento como "algo que vale a pena".

"Kerkorian sempre se concentrou em determinar quais são os bens da companhia e qual a capacidade desta de gerar fluxo de capital e de fortalecer a sua posição no mercado", afirma.

"Ele acredita que a GM possui os bens e o fluxo de capital, e a capacidade de gerar mais fluxo de capital. No decorrer do tempo, a empresa revelou ser um competidor extremamente forte e ele acredita que isso continuará ocorrendo".

Em um comunicado, a GM disse que ficou sabendo da oferta na quarta-feira e que "não expressaria a sua posição sobre a atividade de um investidor específico".

Currículo de Krekorian

Nascido em Fresno, Califórnia, Kerkorian é filho de imigrantes armênios.

Ele passou a juventude praticando boxe, entre outras atividades, e durante a Segunda Guerra Mundial foi piloto e instrutor de vôo de pilotos militares. Ele fundou a companhia de transporte aéreo Trans International nos anos 60, para a seguir vendê-la, comprá-la de volta e revendê-la, e depois construiu hotéis e cassinos em Las Vegas.

No decorrer dos últimos 50 anos, ele comprou e vendeu a Metro-Goldwin-Mayer, o estúdio cinematográfico, por três vezes, sendo a mais recente no ano passado, a fim de obter um bom lucro para um consórcio liderado pela Sony.

As ações do seu grupo de cassinos MGM Mirage subiram mais de 50% no ano passado, devido em parte ao fato de ele ter adquirido o Mandalay Resort Group.

Um investimento não tão bem sucedido foi a compra de ações da Chrysler, que se desvalorizaram consideravelmente após da fusão desta empresa com a DaimlerBenz.

Kerkorian está processando a DaimlerChrysler sob a alegação de que foi enganado quanto aos termos do acordo de fusão, mas um juiz federal rejeitou tal argumento no início deste ano. Kerkorian está recorrendo da decisão judicial. Christensen, o advogado, recusou-se a fornecer mais detalhes sobre que tipo de bens em particular atraiu a atenção de Kerkorian para a GM.

"Esse é um gesto de confiança para com a indústria automobilística norte-americana, e, especificamente, a GM", acrescentou. "É um gesto de confiança para com a indústria e o seu futuro".

Gerald Meyers, professor da Universidade de Michigan que foi presidente da American Motors antes de esta ter sido vendida à Renault nos anos 80, disse esperar que o provável resultado será que Kerkorian obrigue a GM a comprar de volta as suas ações.

"Ele não está querendo controlar a companhia", explica Meyers. "A GM não vai se recuperar por um bom tempo e ele sabe disso. A única coisa que posso enxergar nessa manobra é que ele espera que as suas ações sejam compradas ou que ele seja realmente paciente e espere que as ações subam, algo que não consigo imaginar que ele visualize no seu horizonte".

Não há dúvida que a GM vai mal das pernas.

No mês passado, a companhia anunciou uma perda trimestral de US$ 1,1 bilhão, o seu maior prejuízo trimestral em mais de uma década, e a companhia foi atingida neste ano por quedas nas vendas nos Estados Unidos, especialmente no setor de grandes veículos utilitários esportivos.

Os custos crescentes dos planos de saúde também prejudicaram a companhia; a GM é a maior fornecedora de planos de saúde privados do país, dando cobertura a 1,1 milhão de trabalhadores norte-americanos, aposentados e suas famílias.

A gama de problemas fez com que surgissem questões quanto à viabilidade da GM no longo prazo, embora a maioria dos analistas diga que a empresa conta com reservas monetárias suficientes para impedir que vá à falência. A maior empresa do mundo atravessa uma de suas piores crises Danilo Fonseca

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