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05/05/2005

David Pogue: Novo Photoshop torna os retoques (um tanto) mais fáceis

The New York Times
Colunista de tecnologia do NYT
Quem disse que "a câmera nunca mente" era um brincalhão, um simplório ou alguém que nunca ouviu falar do Photoshop. O Adobe Photoshop, é claro, é o programa (para Mac e Windows) de edição de fotos mais popular do mundo. Toda vez que uma revista cola a cabeça de um astro ou estrela do cinema em um corpo diferente para sua capa, você pode apostar que o Photoshop esteve envolvido. Tal manipulação digital é tão comum que "Photoshop" já se tornou verbo em inglês.

NYT Image

Ponto de fuga do Photoshop CS2 permite que as imagens --como o logotipo do caminhão-- sejam coladas com a perspectiva certa
Mas mesmo quando nenhuma estrela de cinema é decapitada, a mágica do Photoshop está presente à sua volta. O Photoshop corrige cores, clareia, escurece, recorta, acentua ou encobre imperfeições em um enorme percentual das fotos que você vê todo dia, seja em publicidade, artigos, filmes ou CDs, em sites na Internet ou em capas de livros.

Não surpreende, então, o fato de que quando a Adobe lança uma nova versão, como fez em 27 de abril, fotógrafos e designers prestem atenção.

Ainda assim, o Photoshop já tem 15 anos, e o Photoshop CS2, como é chamado, é a 11ª versão.

Que funções poderiam ser acrescentadas para tornar o Photoshop ainda mais vasto e complexo do que já é?

(Para lhe dar uma idéia de quão vasto e complexo ele é, há pelo menos 95 livros que ensinam a usar o Photoshop, 3 revistas sobre Photoshop e 4 conferências anuais de Photoshop. Não é de estranhar --já que você não recebe um manual impresso junto com o software.)

Alguns dos acréscimos no CS2 são ferramentas administrativas em vez de criativas. Uma, em particular, visa aliviar a sensação de desespero que você sente quando se depara pela primeira vez com os desconcertantes 494 comandos em menus do Photoshop. É a caixa de diálogo Edit Menus, onde você pode esconder comandos que nunca usará e destacar (em cor) os comandos que você usa com mais freqüência. Você pode até mesmo trocar conjuntos de menus editados durante um trabalho.

O Photoshop também vem com o Bridge, um novo programa de navegação em gráficos que possui uma semelhança impressionante com, digamos, o iPhoto da Apple. Ele parece um classificador de slides, exibindo versões "thumbnail" de todos os arquivos gráficos em seu disco rígido. Você pode fazer a rotação ou recortá-los, lhes dar uma cotação de estrelas ou rótulos de texto, apagar os descartáveis, fazer exibições de slide e assim por diante.

Mais importante para os fotógrafos profissionais, o Bridge também aplica certas transformações para conjuntos de fotos ao mesmo tempo, sem interrupção do trabalho no Photoshop: conversões de um formato de arquivo para outro, por exemplo, ou ajustes de cor padrão. Para aqueles que processam gigabytes de arquivos de fotos por dia (especialmente arquivos RAW, os arquivos de fotos muito grandes mas extremamente ajustáveis preferidos pelos fotógrafos avançados), esta característica de processamento em segundo plano pode economizar muito tempo.

O Bridge também se conecta diretamente ao serviço de arquivo de fotos online da Adobe, que permite que designers naveguem, comprem e abram diretamente fotos profissionais, isentas de royalties de serviços como Comstock e Getty Images. (Nota aos designers que não trabalham para conglomerados mundiais de mídia: não fiquem muito empolgados. As fotos custam entre US$ 200 e US$ 400 cada.)

A maioria dos fãs do Photoshop ficará agradecida pela forma como o menu de fontes agora exibe uma amostra de cada tipo -e não tão agradecida pelo sistema de proteção de cópia estilo Windows que a Adobe introduziu nesta versão. Após instalá-la, sua cópia do Photoshop manda um aviso pela Internet, para impedi-lo de instalá-lo em mais de dois computadores.

Nas funções artísticas, a Adobe distribuiu as novidades de forma equilibrada para seus vários eleitorados. Para fotos comuns, uma nova ferramenta remove rapidamente os olhos vermelhos, o subproduto do flash fotográfico que faz com que crianças adoráveis se pareçam crias de pupilas escarlate do Diabo.

O pincel Spot Healing é outro corretor rápido; você pode usá-lo para apagar um elemento indesejado em uma foto -de uma simples pinta até o corpo inteiro de um transeunte- com apenas poucos cliques. Quando esta função está de bom humor, o Photoshop copia de forma desapercebida pedaços do fundo para cobrir o elemento ofensor. (O Photoshop herdou o pincel Spot Healing de seu irmão mais barato, Photoshop Elements.)

Para fotógrafos mais sérios, novos filtros de efeitos especiais podem corrigir tipos comuns de distorção de lentes, como distorção em barril e "pincushioning" (efeito almofada), na qual a foto parece inchada ou franzida na direção do centro.

Para designers gráficos, a Adobe traz dois presentes. Um é um novo modo Warp, que pode distorcer uma foto como se estivesse em um placa de látex esticável e que pode sofrer ondulação. Quando você quiser inserir um rótulo em lata de refrigerante, ou fazer uma TV de plasma tremular ao vento como uma bandeira, a função Warp será de grande ajuda.

Os novos Smart Objects, um nome bobo apesar de poderem ser, são ainda mais flexíveis. Normalmente, tudo o que você pinta ou cola em um documento do Photoshop se torna o que é chamado de bitmap: um conjunto memorizado de pontos coloridos, congelados até que você cole ou pinte sobre eles.

Mas assim que você designa uma área de seu trabalho como sendo um Smart Object (objetos inteligentes), a regra muda. Você pode escolher aquela parte da imagem à vontade, sem se preocupar se será ou não capaz de restaurá-la caso mude de idéia.

(Em comparação, os bitmaps comuns -Objetos Idiotas?- perdem tanta resolução que quando ampliados novamente eles parecem serrilhados e horríveis.)

Além disso, se você copiar um Smart Object, as cópias estarão todas vinculadas ao original. Mude a cor de um hidrante, e você mudará todos eles.

Mas o novo elemento mais legal do Photoshop CS2 se chama Vanishing Point (ponto de fuga). É também o mais difícil de descrever; nas tentativas que você encontra na Internet, você praticamente pode ver os franzidos nas testas dos redatores. Mas aqui vai:

Suponha que você esteja tentando editar uma foto que inclua superfícies planas em perspectiva: placas de propaganda em estádio, digamos, ou prédios, ou uma van em movimento fotografada do canto esquerdo traseiro. Em cada caso, tentar inserir ou pintar algo na foto é demoniacamente difícil, porque você precisa manter o mesmo ângulo do ponto de fuga.

Mas se você clicar quatro cantos com a ferramenta Vanishing Point, o Photoshop aprende exatamente como a superfície recua. Tudo o que você colar ou pintar naquela área se ajustará na perspectiva perfeita. Copie uma janela da lateral de um prédio e o Photoshop a colocará no tamanho e forma apropriados para o lado adjacente.

De repente fica fácil pintar o novo logotipo de uma empresa naquela van em movimento ou reparar de forma impecável uma área rasgada naquelas placas de estádio (copiando de uma área intacta).

Esta nova função foi acusada de ser apenas para exibição, adequada principalmente para demonstrações em estandes de feiras. Mas mesmo se você precisar desta ferramenta apenas ocasionalmente, quando o dia chegar, ela poderá tornar fáceis trabalhos de edição quase impossíveis.

O preço para todo este poder, online, é US$ 150 para um upgrade, ou US$ 550 para a versão integral. Uma lista com todos os preços está disponível, dependendo de quantos programas da Adobe Creative Suite -Illustrator, InDesign, GoLive, Acrobat, Photoshop- você já possui, e quantos você vai querer atualizar.

Agora, se você não é um modificador hardcore de pixels, pese a mágica do Photoshop cuidadosamente contra sua complexidade. Lembre que o mais simples Photoshop Elements (US$ 100) oferece 80% do poder do Photoshop por cerca de um sexto do preço.

Na verdade, se você só quiser organizar, compartilhar e selecionar suas fotos, programas fáceis de usar como o Picasa 2 para Windows (gratuito) e iPhoto 5 para Macintosh (US$ 80 com quatro outros programas como a suíte iLife) fazem muito mais sentido. Estes programas realizam rotações, recortes e correção de cores em suas fotos, apesar de não realizarem truques do Photoshop como a remoção de um poste telefônico saindo da cabeça de alguém.

Mas se você utiliza o Photoshop no trabalho, ou se você o usa mais do que duas vezes por semana, faça a atualização. Estas grandes mudanças, juntamente com muitas pequenas, fazem o investimento no CS2 valer a pena. Graças aos ajustes cuidados do dr. Adobe, o Photoshop CS2 está pronto para fazer a câmera mentir de muitas formas engenhosas. George El Khouri Andolfato

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