UOL Notícias Internacional
 

05/05/2005

Paquistão anuncia prisão de alto líder da Al Qaeda

The New York Times
Somini Sengupta*

Em Nova Déli, Índia
As autoridades paquistanesas anunciaram nesta quarta-feira (4/5) a prisão de um alto membro da Al Qaeda, que é suspeito de comandar duas tentativas fracassadas de assassinato contra o presidente, o general Pervez Musharraf.

NYT Image

Abu Faraj al-Libbi, suspeito de ser um dos líderes da Al Qaeda, em foto não datada (esq.) e após ser preso por paquistaneses
Tanto as autoridades paquistaneses quanto as americanas descreveram o homem, um líbio chamado Abu Faraj Al Libbi, como o terceiro líder na hierarquia da rede terrorista Al Qaeda, e o presidente Bush chamou a prisão de "uma vitória crítica na guerra contra o terror". Mas especialistas em contraterrorismo na Europa imediatamente questionaram a importância de Libbi.

As autoridades paquistanesas não disseram virtualmente nada sobre as circunstâncias da prisão de Libbi ou a extensão da ajuda americana na operação. A Agência Central de Inteligência (CIA) tem trabalhado extensamente com os agentes paquistaneses na busca por Osama Bin Laden e outros líderes da Al Qaeda nas regiões tribais indóceis da fronteira noroeste.

As autoridades paquistanesas disseram que a prisão ocorreu na madrugada de segunda-feira em Mardan, uma cidade a 48 quilômetros ao norte de Peshawar.

Tanto as autoridades paquistanesas quanto americanas consideraram a prisão como um sucesso em seus esforços conjuntos. "Esta é uma grande prisão", disse o ministro da Informação do Paquistão, o xeque Rashid Ahmed, em uma entrevista por telefone. "Nós estávamos procurando por ele há muito tempo."

Funcionários da Casa Branca descreveram a prisão como o golpe mais importante contra a Al Qaeda desde a prisão há mais de dois anos de Khalid Sheikh Mohammed, que teria organizado os ataques de 11 de setembro.

As autoridades paquistanesas disseram que Libbi sucedeu Mohammed como chefe das operações da Al Qaeda em Islamabad, e autoridades americanas disseram que ele esteve envolvido no planejamento de ataques nos Estados Unidos.

Mas algumas autoridades de inteligência na Europa expressaram surpresa ao ouvirem Libbi sendo descrito como o terceiro na hierarquia da Al Qaeda, apontando que ele não figura na lista dos mais procurados do FBI.

Há outro membro da Al Qaeda na lista com um nome parecido, Abu Al Liby, também um líbio, que foi indiciado por um "papel operacional" nos atentados a bomba contra as duas embaixadas americanas no Leste da África, em agosto de 1998. (O sobrenome, em suas várias transliterações, significa simplesmente o líbio.)

As autoridades americanas, quando perguntadas sobre as dúvidas, descartaram a idéia de que teriam confundido os líbios, dizendo que sabem que Liby está na lista, e reafirmaram a importância de Libbi. Para ser incluído na lista dos mais procurados do FBI, elas notaram, um terrorista deve ser indiciado por um grande júri federal, o que Libbi não foi.

Outro alto funcionário de contraterrorismo da Europa, que falou sob a condição de anonimato, confirmou a versão americana, dizendo que Libbi de fato se tornou um importante comandante operacional da Al Qaeda.

Ele trabalhou diretamente com Mohammed, disse o funcionário, e assumiu muitas das responsabilidades de Mohammed no Paquistão após a prisão deste. "Ele é alguém que estivemos observando atentamente faz algum tempo", disse o funcionário.

O funcionário prosseguiu dizendo que Libbi deve ser um dos poucos membros da organização que sabem sobre o paradeiro de Bin Laden e seu vice, Ayman Al Zawahiri.

Em uma fotografia divulgada na quarta-feira pelas autoridades paquistanesas, Libbi parecia desalinhado, com uma barba não cuidada, diferente do homem bem vestido cujo retrato apareceu na lista dos mais procurados do Paquistão. O Paquistão oferecia uma recompensa de cerca de US$ 340 mil por informação que levasse à sua captura.

Como Libbi foi capturado, e com quanta assistência americana, continua vago. Dois membro da inteligência paquistanesa disseram que uma dica na madrugada de segunda-feira levou até um esconderijo suspeito em Mardan.

Quando a inteligência paquistanesa chegou, ele fugiu em uma motocicleta. Ela o perseguiu, com dois membros disfarçados como mulheres vestindo burcas, até Libbi acabar encurralado em um casa.

Por 45 minutos, as forças de segurança exigiram que o homem se entregasse, disse Amanullah Khan, o superintendente da polícia de Mardan. Khan disse que quebrou uma janela e atirou dentro da casa uma granada de gás lacrimogêneo. Um homem saiu, segundo ele, "com as mãos no ar e cabeça ligeiramente abaixada".

"Ele estava desarmado", prosseguiu Khan. "Eu o revistei e ele tinha consigo apenas um telefone celular." As autoridades de inteligência rapidamente o levaram. Nem as autoridades paquistanesas e nem as americanas disseram se Libbi, como Mohammed e outros membros da Al Qaeda que estão sendo mantidos pelo governo americano em locais não revelados, seria colocado sob custódia americana.

Libbi é o principal suspeito de duas tentativas de assassinato em dezembro de 2003, ambas em Rawalpindi. Na primeira, uma bomba destruiu uma ponte poucos instantes após a passagem dos veículos que escoltavam Musharraf; ninguém ficou ferido. No segundo, homens-bomba investiram contra o carro do presidente em dois veículos lotados de explosivos; cerca de 17 pessoas, a maioria autoridades, morreram.

Suspeita-se que o cúmplice de Libbi nestes ataques tenha sido o conhecido militante paquistanês chamado Amjad Hussain Farooqi, que também foi implicado no assassinato do repórter do "Wall Street Journal", Daniel Pearl, em fevereiro de 2002. Farooqi foi morto em setembro passado em uma troca de tiros com as forças de segurança no sul do Paquistão.

Dois soldados paquistaneses foram condenados por ligação com as tentativas de assassinato; um deles, condenado à morte, conseguiu escapar de uma prisão militar em novembro passado.

A aliança de Musharraf com a campanha contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos o tornou um alvo dos militantes islâmicos, que antes consideravam o Paquistão como um aliado. Ao mesmo tempo, seu governo está sob intensa pressão de Washington para produzir resultados. Indícios de importantes prisões semelhantes surgiram e desapareceram no passado.

Apesar da CIA ter tido um papel importante no trabalho com a inteligência paquistanesa, a autoridade de contraterrorismo americana não foi precisa na quarta-feira sobre o papel que a agência ou outras possam ter tido na prisão, exceto dizer que a inteligência humana teve "um papel crítico".

De fato, Washington parecia satisfeita em dar crédito aos paquistaneses, uma idéia que provavelmente terá boa repercussão junto à audiência doméstica de Musharraf.

"Os paquistaneses merecem ser parabenizados pelo trabalho árduo que fizeram", disse a secretária de Estado, Condoleezza Rice, na quarta-feira. "É claro que estivemos colaborando com eles, mas os paquistaneses, como temos dito, têm sido firmes na guerra contra o terrorismo."

*Salman Masood contribuiu com reportagem no Paquistão e Mohammed Khan, em Peshawar. Douglas Jehl colaborou de Washington e Don Van Natta Jr. em Londres. Terrorista seria um dos poucos que sabem o paradeiro de bin Laden George El Khouri Andolfato

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