UOL Notícias Internacional
 

07/05/2005

EUA registram expansão do emprego e da renda

The New York Times
Louis Uchitelle

Em Nova York
Contrariando as previsões anteriores que sugeriam que a economia americana sofreria um desaquecimento significativo no decorrer deste ano, a criação de empregos e o crescimento da renda per capita parecem estar cumprindo a sua parte no processo de recuperação da economia.

Segundo um relatório que foi divulgado pelo governo nesta sexta-feira (6/5), os empregadores, em todo o território dos Estados Unidos, geraram um número inesperadamente elevado de empregos em abril --274 mil--, mesmo se eles também concederam aos empregados que já trabalhavam nas suas empresas horas adicionais de trabalho.

O relatório sobre a situação do emprego foi de longe a notícia mais positiva relacionada à economia das últimas semanas. Ele acabou dissipando uma boa parte das nuvens negras que haviam se acumulado, depois de um bom número de medidas recentes terem comprovado que o crescimento robusto do ano passado estava se esgotando.

"Creio que a principal conclusão que se pode tirar destes números relativos ao nível do emprego é a de que todas aquelas previsões negativas segundo as quais a economia estaria passando por um recuo significativo estavam exageradas", avalia Richard D. Rippe, um chefe-economista da corretora Prudential Equity Group.

O emprego cresceu amplamente em todos os setores da economia, exceto na indústria de manufaturados. O Departamento de Estatísticas do Trabalho também revisou para cima algumas estimativas anteriores referentes aos meses de fevereiro e março, acrescentando a criação de 93 mil empregos --o suficiente para desfazer a impressão de que a tendência ao crescimento do emprego estivera vacilante, principalmente em março.

A taxa de desemprego do mês de abril foi de 5,2%, ou seja, ela se manteve no mesmo nível de março, mais, de maneira significativa, abaixo da taxa de 6,3% que havia sido registrada cerca de dois anos atrás.

A administração Bush comemorou o relatório do emprego de abril, indicando que ele representava um sinal de que dias melhores estavam por vir. O secretário do Tesouro, John W. Snow, afirmou numa declaração que o crescimento verificado no campo da criação de empregos mostra que "a política de empregos e de crescimento que o presidente Bush está conduzindo produziu mais uma vez bons resultados para os americanos".

Para o importante grupo de trabalhadores que se situam abaixo dos cargos de direção, a média dos salários por hora havia subido de 5 centavos de dólares, passando para US$ 16 (R$ 39,35) a hora trabalhada, o que corresponde a um aumento de 2,7% em relação ao ano passado.

Isso não foi o suficiente para compensar a taxa de inflação anual, de 3,1%, mas a quantidade média de horas trabalhadas por semana deu um salto para cima pela primeira vez neste ano, enquanto o aumento da remuneração que resultou desta atividade maior proporcionou uma renda semanal de US$ 542 (R$ 1.333), ou seja, um crescimento de 3,3% ao longo dos últimos doze meses.

"A menos que os números que foram anunciados para o mês de abril correspondam a uma bolha de crescimento atípico", afirmou Jared Bernstein, um economista membro da diretoria do Instituto de Política para o Emprego, "eles sugerem que os empregados se mostram mais otimistas no que diz respeito aos rumos tomados pela economia do que alguns dentre nós, que estivemos avaliando a economia de uma altura estratosférica".

Mesmo assim, apesar de todas as boas notícias, os observadores, até mesmo aqueles conhecidos por serem otimistas, mostraram-se relutantes para reconhecer que a recuperação da economia, que havia sofrido um recuo nítido durante o primeiro trimestre, estava agora firmemente consolidada.

"Nós ainda precisamos descascar o abacaxi dos aumentos dos preços do petróleo", avisa Ian Shepherdson, um economista responsável para as questões de economia nacional na firma de análises de mercado High Frequency Economics.

"É perfeitamente possível prever que, no mês de junho, por exemplo, muitos empregadores se arrependam do que fizeram e digam: `Ô, meu Deus. Nós contratamos todas essas pessoas e a demanda não está correspondendo; nós não vamos poder mantê-los por muito mais tempo aqui'. Esta não é a minha opinião, mas é certamente possível".

Por maiores que sejam as incertezas, o novo relatório sobre a situação do emprego matou dentro do ovo as especulações segundo as quais os estrategistas da política monetária do Federal Reserve (banco central) poderiam suavizar os seus constantes aumentos das taxas de juros em um quarto de ponto, deixando possivelmente o mês de junho passar sem qualquer reajuste.

Refletindo este sentimento, a taxa de referência da obrigação do Tesouro resgatável em dez anos viu o seu rendimento crescer nesta sexta-feira.

Esta taxa influencia o cálculo das hipotecas e do crediário na compra de carros. Os valores das ações terminaram o dia sem sofrerem praticamente nenhuma mudança. Mas observadores mantêm cautela sobre a retomada da economia Jean-Yves de Neufville

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