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09/05/2005

Lisboa: um destino turístico estimulante e cheio de vida

The New York Times
Pavia Rosati
em Lisboa
Lisboa não tem idéia do quanto é legal. A cidade vive à sombra das capitais mais badaladas da Europa, desconhecendo os seus próprios charmes modernos. Não é incomum ouvir pessoas falando sobre sobreviver à ditadura, o terremoto de 1755 e a perda de um império como se essas fossem preocupações recentes, e não eventos que ocorreram, respectivamente há 30, 250 e 400 anos.

O potencial da cidade é mais evidente em Chiado e Bairro Alto, os vivazes bairros vizinhos, cujas ruas estreitas são repletas de bares, butiques e restaurantes, cuja quantidade não pára de aumentar. Tudo está em expansão; a construção civil parece ser o passatempo preferido dos cidadãos locais.

Essas áreas são adjacentes à Rua da Misericórdia, que muda de nome diversas vezes (Rua do Alecrim, Rua de São Pedro de Alcântara) enquanto vai subindo a partir do Rio Tejo. O visitante deve levar calçados confortáveis, já que as colinas e ruas de paralelepípedos exigem caminhadas vigorosas.

Chiado e Bairro Alto convergem na Praça Luís de Camões, onde fica o Hotel Bairro Alto (Praça Luís de Camões, 8, Telefone (351) 213 408 288). A decoração dos 55 quartos desse "boutique hotel", que devem ser inaugurados neste mês, consiste em uma mistura discreta de novo e velho. Nas paredes lambrisadas decoradas com pinturas de pássaros de Lisboa há televisões a plasma e os móveis lustrosos de madeira escura estão por toda parte. Os aposentos do quarto andar são dotados de varandas estreitas das quais é possível observar a praça abaixo. Do terraço descortinam-se estonteantes paisagens do rio. Um bar no andar térreo dá para a rua agitada lá fora, e um disc jockey anima o lobby nos finais de semana. Um elemento básico em hotéis de outras cidades, os DJs da casa ainda são considerados uma novidade por aqui, seja isso um ponto positivo ou negativo. Um pacote especial de verão de 15 de junho a agosto, ao preço de US$ 989, inclui três noites com café da manhã e jantar, transporte entre hotel e aeroporto e uma caminhada turística ao distrito de Bairro Alto.

O Largo do Chiado, do outro lado da Rua da Misericórdia, abriga algumas das mais antigas e pomposas lojas lisboetas. As herdeiras podem abastecer seus enxovais com porcelanas na Vista Alegre, no Largo do Chiado, 20 (telefone (351) 213 461 401), e também com roupas de cama no Paris em Lisboa, na Rua Garret, 77 (telefone (351) 213 468 885). Caso necessitem de um café restaurador entre uma compra e outra, é só dar uma parada no Café a Brasileira, na Rua Garret, 120 (telefone (351) 213 469 541), um ponto de encontro favorito para escritores e boêmios desde o século 18. O local é lotado, caro, histórico e charmoso.

Mas voltemos às compras, que talvez seja aquilo que o Chiado possui de melhor - pelo menos durante o dia. Os jeans da moda mais atual podem ser encontrados no Gardênia, na Rua Garret, 54 (telefone (351) 213 421 207), uma pequena butique com teto alto abobadado.

O espaço de compras mais interessante de Lisboa, o Yorn, na Rua Nova do Almada, 105-115 (telefone (351) 210 927 016), é um empório industrial com uma escadaria que conecta três andares de cafés, terminais de Internet, um salão de beleza, uma loja de discos, butiques Diesel e Vodafone, e lojas de moda masculina e feminina com roupas de designers como Wearplay, Custo e Susana Pinheiro. O Rulys, na Rua Nova do Almada, 89-101, (telefone (351) 213 420 017), uma badalada rede portuguesa de lojas, vende roupas da moda baratas e acessórios masculinos e femininos. Na Osklen, na Rua do Carmo, 9 (telefone (351) 213 258 844), ao longo do setor de pedestres, podem ser encontradas roupas informais alegres, leves e praianas feitas no Brasil.

Duas lojas localizadas na Calçada do Sacramento proporcionam uma viagem de volta no tempo. A Manuscrito Histórico, no número 50 (telefone (351) 213 464 283), um estabelecimento de um único aposento sob um teto arqueado, possui uma coletânea de trabalhos manuscritos, impressos e obras em primeira edição. É possível encontrar excelentes peças de cerâmica na Viúva Lamego, no nº 29 (telefone (351) 213 469 692).

Um telhado de vidro fosco, exposição rotativa de obras de arte e os bagels são as principais atrações no recém-inaugurado Café Vertigo, na Travessa do Carmo, 4, (telefone (351) 213 433 112), ponto de encontro favorito dos jovens interessados em literatura. A juventude bonita de Lisboa se encontra no Heróis, na Calçada do Sacramento, 14 (telefone (351) 213 420 077), bar e restaurante elegante de dois andares. As pessoas chiques (mas despretensiosas) estão jantando no Paladar, na Calçada do Duque, 43 (telefone (351) 213 423 097), que serve especialidades mediterrâneas em uma sala de jantar escura e sedutora, e no aconchegante Café Buenos Aires, no nº 31 (telefone (351) 213 420 739).

O Bairro Alto pode ser tudo, menos óbvio. De dia, as ruas de paralelepípedo são tão sonolentas, com suas roupas penduradas em varais e os moradores mais velhos se reunindo para tomar um café, que várias butiques excelentes parecem estar no local errado. Mas é exatamente o lado discreto do chique.

A Aleksandar Protich, na Rua da Rosa, 112 (telefone (351) 936 337 795), é um antigo açougue transformado em loja de roupas, no qual vestidos e casacos ficam pendurados em ganchos para carne. O Sneakers Delight, na Rua do Norte, 30-32 (telefone (351) 213 479 976), vende versões exclusivas de tênis Nike, Puma, Adidas e outras marcas consagradas. O No Kidding, na Rua do Norte, nº 40-42 (telefone (351) 213 421 801), é uma encantadora e colorida loja infantil, como uma área para diversão dotada de grandes blocos que podem ser montados e escalados pelas crianças. Para quem gosta de vintage, revistas, acessórios, objetos de design e uma infinita variedade de energéticos a pedida é o A Outra Face da Lua, na Rua do Norte, 86 (telefone (351) 213 431 631).

À noite, o cenário do Bairro Alto se transforma por completo. Os clientes têm que bater à porta para entrar no Olivier, na Rua do Teixeira, 35 (telefone (351) 213 421024), um restaurante de teto baixo com revestimento de madeira escura que serve ovos mexidos incrivelmente cremosos e caviar, salsichas suculentas envoltas em repolho, e bolo de chocolate com o miolo derretido e que, por si só, já justificaria outras férias em Lisboa. O Lisboa à Noite, na Rua das Gáveas, 69 (telefone (03) 213 468 557), serve comida tradicional em um espaço moderno, repleto de fotos grandes da cidade à noite. O menu inclui pratos a base de mariscos e de carne, assim como porco preto, um tipo suculento de suíno que só existe na Península Ibérica.

Outros locais favoritos são o elegante Pap' Acorda, na Rua da Atalaia, 57 (telefone (351) 213 464 811), e o Sul, na Rua do Norte, 13 (telefone (351) 213 462 449), uma churrascaria aconchegante.Aqueles que se sentirem tentados por todos os restaurantes de fado que há pelas ruas não devem se surpreender com o fato de os moradores locais deixarem esses estabelecimentos para os turistas.

Para comer uma das melhores refeições de Lisboa, faça um rápido percurso de táxi até o Mezzaluna, na Rua Artilharia Um, 16 (telefone (351) 213 879 944), no Rato, um bairro ao norte do Bairro Alto. Michael Guerrieri, um vibrante chefe napolitano que foi criado em Long Island, prepara uma comida italiana que é, ao mesmo tempo, inovadora e despretensiosa. Ele serve bacalhau com fatias quentes de radicchio e purê de cenoura com gengibre, e faz um excelente aperitivo à base de queijo de cabra, berinjela e tomates picados. Todos os ingredientes são muito frescos, e os pratos agradam tanto aos olhos quanto ao estômago.Um ponto de encontro favorito para os políticos e boêmios da cidade, o Mezzaluna acabou de ser inteiramente renovado e redecorado nesta primavera. Faça dos restaurantes um dos primeiros locais a serem visitados, porque você desejará voltar.

Por volta da meia-noite, o Bairro Alto se transforma em uma gigantesca festa. Os bares servem bebidas em copos de plástico, para encorajar os fregueses que andam pelas ruas a entrar. Cada ponto é um cenário especial, embora a multidão seja homogeneamente animada, não importando aonde se vá. A energia é elevadíssima, e Lisboa à noite é apenas o começo. Pode não haver melhor lugar no planeta para se sentir jovem e poderoso - ainda que apenas em espírito. Danilo Fonseca

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